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Economia

Especialista alerta que Desenrola Rural não resolve crise do agro

A ampliação do programa Desenrola Rural pelo governo federal tem sido vista como uma alternativa importante para aliviar o endividamento de produtores e facilitar o acesso ao crédito no c


Bruno Finamore, advogado – Foto: divulgação O debate ocorre em meio aos estudos do governo federal para renegociar até R$ 81,6 bilhões em dívidas rurais. O cenário reflete a pressão crescente sobre o

A ampliação do programa Desenrola Rural pelo governo federal tem sido vista como uma alternativa importante para aliviar o endividamento de produtores e facilitar o acesso ao crédito no campo. Apesar disso, especialistas avaliam que a medida não deve ser suficiente para conter a crise financeira enfrentada pelo agronegócio brasileiro, marcada pelo aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial.

, especialista em recuperação de empresas e integrante da Comissão Especial de Falências do Conselho Federal da OAB, avalia que o programa contribui para ampliar a renegociação de dívidas, especialmente entre agricultores familiares, mas não enfrenta os principais fatores que vêm pressionando o setor.

“O Desenrola Rural é importante porque cria uma oportunidade de reorganização imediata para milhares de produtores que estavam completamente excluídos do crédito. Porém, a crise do agro hoje é muito mais profunda e envolve fatores como queda de margem, aumento do custo financeiro, eventos climáticos extremos e dificuldade de acesso a capital de giro”, afirma.

Segundo o especialista, o crescimento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio mostra que muitos produtores já enfrentam um desequilíbrio econômico prolongado, e não apenas dificuldades momentâneas para pagar dívidas.

“A renegociação ajuda a ganhar fôlego, mas não substitui medidas estruturais de financiamento, segurança jurídica e previsibilidade econômica. Em muitos casos, o produtor precisa de uma reestruturação financeira mais ampla, com revisão de passivos e reorganização operacional”, explica.

O debate ocorre em meio aos estudos do governo federal para renegociar até R$ 81,6 bilhões em dívidas rurais. O cenário reflete a pressão crescente sobre o setor agropecuário, afetado por juros elevados, aumento dos custos de produção e perdas provocadas por eventos climáticos.

Para Bruno Finamore, o avanço das recuperações judiciais também acende um alerta para instituições financeiras e para o mercado de crédito rural.

“Existe um risco de agravamento da restrição de crédito no agro se não houver soluções coordenadas. O aumento das recuperações judiciais gera um efeito em cadeia sobre financiamentos, fornecedores e investimentos no setor”, pontua.

O advogado defende que programas emergenciais podem ajudar no curto prazo, mas precisam ser acompanhados de políticas permanentes de fortalecimento da atividade rural.

“O agro brasileiro continua sendo extremamente competitivo e estratégico para a economia nacional. Mas o produtor precisa de mecanismos sustentáveis de proteção financeira, e não apenas de medidas temporárias para atravessar momentos de crise”, conclui.

ES HOJE

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