Encontro em Vitória reuniu especialistas para debater segurança pública. Foto: Cacá Lima
As facções criminosas faturaram mais de R$ 450 bilhões e impediram a criação de mais de 370 mil empregos no Brasil em 2025, segundo o estudo da Conferência Nacional da Indústria.
A quantia, somada aos prejuízos patrimoniais e os custos do combate ao crime organizado, passam dos R$ 2 trilhões, cerca de 20% do PIB brasileiro.
Os dados foram destacados no evento“Brasil Sob Ameaça – Encontro Nacional de Segurança e Combate ao Crime Organizado”, realizado em Vitória, nesta segunda-feira (27).
Palestrantes especialistas em segurança pública avaliam que as facções têm ampliado suas fontes de renda e intensificado as formas de controle.
O uso das drogas está em todo lugar, então movimenta uma quantia inimaginável de dinheiro. As organizações usam esse dinheiro ilícito e jogam em atividades lícitas, onde a gente não vê.
Luciana Ferreira Andrade, procuradora-geral de Justiça do MPES
Segundo o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ), Fabricio Oliveira Pereira, além do lucro com o tráfico de drogas, os criminosos também faturam através do domínio territorial.
Os grupos delimitam áreas dominadas – muitas vezes com usos de barricadas – e controlam os mercados, serviços e fluxos financeiros no local.
Se antigamente esses criminosos lucravam da venda de drogas e roubos, atualmente eles conseguem lucrar com tudo o que existe no território: internet, venda de gás, gelo, extorsões de moradores e inclusive o sequestro de concessões públicas.
Fabricio Oliveira Pereira, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro
O delegado alertou que as forças de segurança devem estar atentas para essas práticas adotadas pelos criminosos no Rio de Janeiro, que podem ser replicadas em outros estados. Ele lembrou que as facções cariocas abrigam muitos líderes criminosos de outras regiões.
De acordo com o Ministério da Justiça, atualmente existem cerca de 80 facções criminosas dentro dos presídios e quase 40 desencarceradas no Brasil. Os grupos estão presentes em todas as 27 unidades federativas do País, mas com níveis de controle maior em determinados estados.
O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Renato Sérgio Lima, destacou que as facções atuam de forma tão organizada que se equiparam aos moldes de uma “holding” e de empresas multinacionais.
O procurador-geral de justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, avalia que os grupos criminosos se infiltram inclusive em instituições públicas. A prática deslegitima o próprio Estado e provoca o lucro através de dinheiro público.
Para ele, os processos de lavagem de dinheiro também tem se tornado cada vez mais sofisticados.
Temos processos altamente complexos, inclusive com a utilização de criptoativos, o que dificulta a investigação patrimonial e a localização desses valores”
Antônio José Campos Moreira, procurador-geral de justiça do Rio de Janeiro
Fonte: Folha Vitória