Imagem: Freepik
O novo medicamento oral para obesidade, o orforglipron (nome comercial Foundayo), pode chegar ao Brasil em breve. O tratamento foi aprovado pela agência reguladora dos Estados Unidos, Food and Drug Administration, no início de abril e já teveo pedido submetido àAnvisa, segundo a empresa responsável Eli Lilly.
Por que isso importa: segundo os testes clínicos, o uso contínuo da pílula levou à perda de, em média, 12% a 15% de peso corporal. Por se tratar de um medicamento oral, tende a ter maior aceitação entre pacientes.
Como o orforglipron funciona?
Segundo Queulla Garrett, pesquisadora do centro de pesquisa capixaba CEDOES, um dos representantes do Brasil na condução dos estudos globais com o orforglipron, o fármaco atua de maneira semelhante ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo corpo.
Sua ação é multifatorial: atua no cérebro, promovendo sensação de saciedade; no estômago, retardando o esvaziamento gástrico; e também em órgãos como fígado e pâncreas, contribuindo para o controle metabólico.
Queulla Garrett, pesquisadora do centro de pesquisa capixaba CEDOES
O diferencial do orforglipron está justamente na forma de administração: ao contrário dos tratamentos atuais à base de GLP-1 (como o Mounjaro), que são aplicados por injeção, o novo fármaco é ingerido em comprimido.
O medicamento é de uso diário e pode ser ingerido a qualquer hora do dia. Não é necessário estar de jejum e pode ser tomado junto às refeições.
Voluntários capixabas participaram das etapas que avaliaram a segurança e a eficácia do medicamento, realizados no Cedoes.
Segundo Queulla, os estudos clínicos seguem protocolos rigorosos e são estruturados conforme o objetivo da pesquisa. “Os participantes passam por acompanhamento constante, com exames, consultas periódicas e monitoramento de possíveis efeitos adversos.”
Um novo estudo com o medicamento no Espírito Santo deve ser iniciado em maio, com foco na avaliação de desfechos cardiovasculares.
Apesar da aprovação nos Estados Unidos, a liberação no Brasil ainda depende da análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A expectativa é que o processo seja concluído até 2027, após a avaliação completa dos dados clínicos.
“O cenário brasileiro, segundo pesquisadores, tem ganhado destaque na pesquisa clínica internacional, especialmente pela qualidade dos centros e pela capacidade de condução de estudos complexos. Isso contribui também para o acesso aos medicamentos”, complementa Queulla Garrett.
A aprovação recente nos EUA é indicada para adultos com obesidade e pessoas com sobrepeso associado a outras condições, como hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.
O orforglipron ainda está sendo estudado para aplicação em outras condições, como diabetes tipo 2.
Uso indicado e efeitos colaterais
A medicação não substitui mudanças no estilo de vida, como alimentação e prática de atividades físicas.
Efeitos colaterais comuns: náuseas, diarreia, constipação e desconforto abdominal.
Fonte: Folha Vitória