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Além do ovo: frango, boi e tilápia ampliam a base da proteína animal capixaba

O Espírito Santo é mais conhecido pela produção de ovos do que por qualquer produto da pecuária. Mas os dados de 2025 da Secretaria de Agricultura (Seag), compilados com base no levanta

Por Redação em 17/04/2026 às 05:00:25

O Espírito Santo é mais conhecido pela produção de ovos do que por qualquer produto da pecuária. Mas os dados de 2025 da Secretaria de Agricultura (Seag), compilados com base no levantamento do IBGE, mostram um setor animal mais diversificado e em expansão em quase todas as frentes: frango, bovino, ovos e, agora, piscicultura. Quatro cadeias que crescem ao mesmo tempo, com dinâmicas distintas e uma feira que, pela primeira vez em sua história, vai reunir todas elas no mesmo espaço.

No segmento de aves, o abate de frangos cresceu 1,75% em 2025, chegando a 137,8 mil toneladas de carcaça, volume produzido pelo abate de 57,1 milhões de aves. O estado ocupa o 11º lugar no ranking nacional de frango de corte, com 1% da produção brasileira. Já nos ovos, o ES mantém posição de destaque: 4º maior produtor nacional, com 8% do total do país, sustentado pela concentração produtiva de Santa Maria de Jetibá. A produção de ovos cresceu 1,4% no acumulado de 2025.

O custo de produção de frango de corte caiu 2,81% no acumulado de 2025, puxado pela redução no preço da ração, que representa 62,96% do custo total da atividade e acumulou queda de 8,92% no ano. Para o avicultor capixaba, o resultado é uma margem mais folgada em comparação com os dois anos anteriores, quando o milho e o farelo de soja pressionavam o setor. O cenário de custo mais favorável na avicultura de corte é um dos fatores que sustentam a continuidade dos investimentos no segmento.

Na pecuária bovina, o abate cresceu 3% no estado, com 79 mil toneladas de carcaça registradas em 2025. O crescimento ocorre em um contexto nacional de menor disponibilidade de boi gordo, o que sustenta preços elevados para o produtor e de expansão das exportações brasileiras de carne bovina, que atingiram recordes históricos no primeiro bimestre de 2026. O ES, que não figura entre os grandes produtores nacionais de gado, encontra no mercado interno aquecido uma demanda estável para sua produção regional.

O único setor que recuou foi o leite: a captação caiu 4,4% em 2025, chegando a 232,1 milhões de litros, ante 242,8 milhões em 2024. A queda reflete a pressão de custo sobre o produtor de leite que não teve o mesmo alívio nos insumos que a avicultura de corte e a concorrência com outras atividades mais rentáveis no mesmo perfil de propriedade.

É nesse contexto de diversificação da proteína animal capixaba que a piscicultura emerge como novo vetor. O estado produziu mais de 7 mil toneladas de tilápia em 2024, 99,5% do total da piscicultura capixaba, atividade presente em 47 municípios e com cerca de 400 produtores, a maior parte agricultores familiares. Domingos Martins concentra 20% da produção estadual, com 1,4 mil toneladas em 2024, lideradas pela Cooperativa de Empreendedores Rurais do município, a Coopram.

A Coopram encerrou 2025 com faturamento de R$ 35 milhões, crescimento de 25% em relação aos R$ 28 milhões de 2024 e 488 cooperados. Em abril de 2026, a cooperativa inaugura uma nova unidade de beneficiamento de tilápia em Ponto Alto, distrito de Domingos Martins, com investimento de R$ 12 milhões. A estrutura será dedicada à produção de filés e ao desenvolvimento de produtos com maior valor agregado: hambúrgueres, quibes, bolinhos e carne moída de tilápia. A Coopram já fornece filé de tilápia para as escolas estaduais dos 78 municípios do Espírito Santo.

É justamente a piscicultura que muda o perfil da FAVESU 2026. A Feira da Proteína Animal Capixaba, maior evento do setor no estado, incorpora pela primeira vez o segmento aquícola em sua 8ª edição, programada para 28 e 29 de outubro em Venda Nova do Imigrante. A mudança de data o evento estava previsto para junho ocorreu por causa da reforma e ampliação do Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, o Polentão. A nova estrutura, que estará pronta até outubro, será mais moderna e com maior capacidade.

A inclusão da piscicultura não é simbólica. É o reconhecimento formal de que a proteína animal capixaba não se resume mais às cadeias tradicionais de avicultura e suinocultura. A Coopram, que entra como co-organizadora do evento ao lado da Associação dos Avicultores (AVES) e da Associação dos Suinocultores (ASES), representa um setor que cresceu em volume, em valor agregado e em alcance de mercado, e que agora tem infraestrutura para se apresentar ao lado das cadeias mais consolidadas do estado.

A convergência desses quatro setores, frango, bovino, ovos e tilápia, dentro de uma única agenda de eventos e de um mesmo esforço de promoção estadual diz algo sobre a maturidade do agronegócio capixaba. O ES nunca competiu com Mato Grosso ou Paraná em escala. Mas construiu, ao longo dos últimos anos, uma base de produção animal diversificada, com vocação para mercados exigentes, internos e externos, e com estrutura cooperativa suficiente para transformar volume em valor.

Fonte: Folha Vitoria

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