Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Saúde

Rigidez muscular pode ser sequela neurológica; entenda a espasticidade

Espasticidade é uma condição tratável que afeta o movimento


Imagem: Freepik

Quando alguém sofre um AVC, a primeira coisa que se fala é “perdeu a força”. E, de fato, a fraqueza é uma das sequelas mais conhecidas. Mas existe outro problema muito comum, e muitas vezes mal compreendido, que pode surgir depois de uma lesão no cérebro ou na medula: a espasticidade.

Muitos pacientes descrevem assim: “Doutora, meu braço ficou duro.” Ou então: “A perna não relaxa.” Ou ainda: “Eu até tenho força, mas parece que trava.” Isso é espasticidade.

Espasticidade é um aumento anormal do tônus muscular. Em termos simples, o músculo fica excessivamente contraído, rígido, com dificuldade de relaxar.

Ela acontece quando há lesão do sistema nervoso central, especialmente das áreas que controlam o movimento voluntário. Quando o cérebro perde parte desse controle fino, o corpo passa a responder de maneira exagerada aos estímulos. O resultado é rigidez, encurtamento muscular e dificuldade para realizar movimentos amplos.

Um detalhe importante: essa rigidez costuma ser dependente da velocidade do movimento. Quanto mais rápido tentamos esticar o braço ou a perna, maior é a resistência. Esse “travamento” é característico da espasticidade.

Rigidez não é tudo igual

Aqui vale um esclarecimento importante. Nem toda rigidez é espasticidade.

Na Doença de Parkinson, por exemplo, existe outro tipo de rigidez. É uma rigidez mais constante, uniforme, que não depende da velocidade do movimento. O membro parece pesado, com resistência contínua ao ser mobilizado.

Já na espasticidade, a resistência aparece de forma mais abrupta e costuma aumentar quando o movimento é mais rápido. São mecanismos diferentes e doenças diferentes.

Essa distinção é técnica para o médico, mas relevante para o paciente entender que “músculo duro” pode ter causas distintas.

Nem só o AVC causa espasticidade

O AVC é uma das causas mais frequentes, mas não é a única.

Qualquer lesão no cérebro ou na medula pode provocar espasticidade como sequela. Tumores do sistema nervoso central, traumatismos cranianos, lesões medulares, esclerose múltipla e doenças inflamatórias também podem evoluir com esse padrão.

Existem ainda condições específicas, como a paraparesia espástica tropical, associada ao vírus HTLV, em que a espasticidade predomina principalmente nas pernas, dificultando a marcha.

O ponto em comum é sempre a lesão das vias motoras centrais.

Espasticidade não é apenas fraqueza

Fraqueza significa redução de força. Espasticidade significa excesso de contração.

Muitas vezes as duas coexistem. O paciente pode ter dificuldade para gerar força e, ao mesmo tempo, apresentar rigidez que limita ainda mais o movimento.

Em alguns casos, a pessoa até consegue fazer força, mas o membro não relaxa o suficiente para executar o movimento de forma funcional. A mão fecha e custa a abrir. A perna estica de maneira rígida, prejudicando o caminhar.

Essa diferença muda completamente a abordagem terapêutica.

Sim. E quanto mais cedo for iniciado, melhores os resultados.

Fisioterapia é fundamental para alongamento e reeducação motora. Em alguns casos, medicações por via oral ajudam a reduzir o tônus muscular.

Existe também a aplicação de toxina botulínica em músculos específicos, que pode melhorar significativamente a rigidez e facilitar a reabilitação. Em situações mais complexas, outras estratégias podem ser consideradas.

Rigidez após lesão neurológica não é destino inevitável. Muitas vezes ela é subtratada simplesmente porque não é reconhecida.

Quando procurar avaliação?

Se após um AVC ou outra lesão no sistema nervoso você percebe que o membro está progressivamente mais rígido, com dor ao movimentar, dificuldade para esticar ou limitação funcional, vale conversar com o neurologista.

Espasticidade é uma consequência possível de lesões centrais, mas pode ser manejada.

Nem toda sequela é fraqueza.

Às vezes, o que limita o movimento é justamente o excesso de contração.

Reconhecer isso é o primeiro passo para tratar melhor. E tratar melhor significa viver com mais função e mais autonomia.

Folha Vitória

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!