A chupeta faz parte da infância de muitas famílias. Para alguns pais, ela é uma aliada importante para acalmar o bebê, ajudar no sono ou reduzir a ansiedade nos primeiros anos de vida. No entanto, quando falamos em saúde bucal e desenvolvimento da face, o tipo de chupeta utilizado e o tempo de uso podem fazer diferença.
Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro: cada família faz suas escolhas dentro da sua realidade, cultura e rotina. O objetivo da orientação odontológica não é julgar ou culpar os pais, mas oferecer informação para que as decisões sejam feitas de forma consciente e segura.
Quais alterações a chupeta causa
A ciência já demonstrou que a sucção não nutritiva — como chupar chupeta ou dedo — pode interferir no crescimento da boca quando persiste por muito tempo. Estudos publicados em revistas científicas como o American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics e o Journal of Pediatric Dentistry mostram associação entre o uso prolongado de chupeta e alterações na posição dos dentes e no formato das arcadas, além de poder contribuir para o fim do aleitamento materno.
Entre as alterações mais comuns estão:
Mordida aberta anterior – quando os dentes da frente não encostam ao fechar a boca.
Mordida cruzada posterior – quando os dentes superiores ficam “por dentro” dos inferiores.
Estreitamento do céu da boca (palato).
Projeção dos dentes superiores para frente.
Essas alterações acontecem porque a chupeta ocupa espaço dentro da boca e exerce pressão constante sobre dentes, gengivas e ossos em desenvolvimento.
Mas um detalhe pouco comentado fora do meio odontológico é que nem todas as chupetas têm o mesmo impacto.
O formato da chupeta faz diferença
Existem basicamente três tipos principais de bico de chupeta:
Chupeta convencional (redonda ou tipo “cereja”)
É o modelo tradicional, com bico arredondado e volumoso. Esse formato ocupa mais espaço dentro da boca e pode pressionar o céu da boca e os dentes anteriores com maior intensidade quando usado por muito tempo.
Chupeta ortodôntica
Possui o bico achatado na parte inferior e mais fino na região que encosta no céu da boca. A ideia desse design é permitir uma posição mais fisiológica da língua e reduzir a pressão sobre as estruturas da boca.
Diversos estudos mostram que esse formato tende a causar menos alterações quando comparado às chupetas tradicionais, especialmente quando o uso é moderado.
Chupetas chamadas de “retro” ou retrô
Nos últimos anos, voltaram à moda modelos inspirados em chupetas antigas, com bicos maiores e arredondados, muitas vezes feitos de látex natural.
Apesar da estética charmosa e vintage, do ponto de vista odontológico esses modelos costumam ser mais desfavoráveis. O bico geralmente é mais volumoso, ocupa mais espaço na cavidade oral e exerce maior pressão nas arcadas dentárias.
Por isso, muitos odontopediatras e ortodontistas orientam cautela com esse tipo de chupeta, principalmente se o uso for frequente ou prolongado.
Então qual é a melhor chupeta?
Do ponto de vista científico, se a criança for usar chupeta, algumas orientações ajudam a reduzir riscos:
Preferir modelos ortodônticos, com bico mais fino e achatado.
Escolher chupetas proporcionais à idade da criança.
Evitar bicos muito grandes ou muito rígidos.
Não estimular o uso constante durante o dia.
Evitar mergulhar a chupeta em açúcar ou mel.
Planejar a retirada progressiva idealmente até os 2 ou 3 anos de idade.
A literatura científica mostra que quanto menor o tempo de uso, menores são as chances de alterações permanentes. Muitas vezes, quando a chupeta é abandonada cedo, o próprio crescimento da face corrige pequenas mudanças espontaneamente.
O acompanhamento odontológico na infância é fundamental para avaliar o crescimento da face e orientar os pais de forma individualizada.
Cada criança tem um padrão de crescimento diferente, e fatores como respiração bucal, genética, posição da língua e hábitos orais também influenciam o desenvolvimento da arcada dentária.
Por isso, o objetivo da orientação profissional não é simplesmente dizer “use” ou “não use” chupeta, mas avaliar cada caso com cuidado e acompanhar o desenvolvimento da criança ao longo do tempo.
A criação de um filho envolve milhares de decisões. Muitas vezes, a chupeta ajuda os pais em momentos de cansaço, cólica ou dificuldade para dormir — e isso também precisa ser respeitado.
O mais importante é que as famílias tenham acesso à informação de qualidade para escolher com tranquilidade.
Se a chupeta fizer parte da rotina do seu bebê, prefira modelos ortodônticos, observe o tempo de uso e converse com o odontopediatra ou ortodontista durante as consultas de acompanhamento.
Pequenas escolhas hoje podem contribuir para um desenvolvimento mais saudável da boca e do sorriso no futuro — sempre com informação, equilíbrio e respeito às decisões de cada família.
Se você quer saber mais sobre o assunto, navegue nas nossas colunas! Publicamos há um tempo atrás, dicas sobre como ajudar seu filho a parar de chupar chupeta!
Folha Vitória