Em um mundo conectado às telas, em que dormir bem tem se tornado um desafio cada vez maior, a ciência vem reforçando que o sono não é apenas um momento de descanso, mas um componente essencial para a saúde e a longevidade.
Estudo recente realizado nos Estados Unidos aponta que dormir menos do que o necessário pode reduzir a expectativa de vida e que o impacto da falta de sono só perde para o tabagismo.
A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (OHSU) e publicada na revista científica Sleep Advances. O estudo analisou um amplo banco de dados nacional sobre expectativa de vida e o comparou com informações sobre hábitos de saúde coletadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) entre 2019 e 2025.
Segundo os pesquisadores, trata-se da primeira investigação a cruzar esses dois tipos de dados em escala nacional para avaliar o impacto de diferentes comportamentos na longevidade.
Os resultados chamaram a atenção dos cientistas. Em praticamente todos os estados norte-americanos analisados, ano após ano, a privação de sono apareceu como um dos fatores mais associados à redução da expectativa de vida. Entre os fatores avaliados, apenas o tabagismo apresentou impacto maior.
Outro dado que surpreendeu os pesquisadores foi a comparação com outros hábitos tradicionalmente associados à saúde. Fatores como alimentação inadequada, sedentarismo e até mesmo a solidão tiveram menor impacto estatístico sobre a quantidade média de anos vividos pela população do que a falta de sono.
Para a geriatra da MedSênior, Fernanda Sperandio, os resultados reforçam algo que a medicina vem observando há alguns anos: o sono deve ser considerado um dos pilares centrais da saúde, ao lado da alimentação equilibrada e da prática de atividade física. Segundo a médica, a privação de sono desencadeia uma série de alterações no organismo que, ao longo do tempo, favorecem o surgimento de doenças crônicas.
“Durante o sono, o corpo realiza processos fundamentais de reparação celular, regulação hormonal e consolidação da memória. Quando uma pessoa dorme menos do que o necessário de forma contínua, esses processos ficam comprometidos e o organismo passa a funcionar em estado de estresse”, explica.
Fernanda explica que a falta de sono pode contribuir para o aumento do risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, obesidade e depressão. Também pode comprometer o sistema imunológico e prejudicar funções cognitivas como atenção, memória e capacidade de tomada de decisões.
De acordo com a pneumologista Carla Valéria de Alvarenga Antunes, especialista em medicina do sono, da MedSênior, dormir bem torna-se ainda mais relevante após os 50 anos, já que nesta fase o descanso noturno desempenha papel fundamental na manutenção da saúde cerebral e metabólica.
Durante o sono profundo, o cérebro ativa mecanismos de “limpeza” que ajudam a eliminar substâncias tóxicas acumuladas ao longo do dia, processo considerado importante para preservar a função cognitiva e reduzir o risco de doenças neurodegenerativas.
“Depois dos 50 anos, dormir bem é um fator decisivo para manter a autonomia, a memória e a qualidade de vida. A privação de sono pode acelerar processos inflamatórios, alterar o metabolismo e aumentar o risco de doenças crônicas que impactam diretamente o envelhecimento”, destaca.
Ela lembra que alterações no padrão de sono são comuns com o avanço da idade, mas que não devem ser negligenciados. “Muitas pessoas passam a ter mais dificuldade para iniciar o sono, acordam com maior frequência durante a noite ou despertam mais cedo. São mudanças consideradas naturais, mas noites mal dormidas frequentes não devem ser ignoradas”, alerta a especialista.
10 hábitos para melhorar o sono
1. Dormir e acordar sempre nos mesmos horários
2. Evitar cochilos longos durante o dia
3. Manter o quarto escuro, silencioso e ventilado
4. Evitar telas pelo menos 1 hora antes de dormir
5. Praticar atividades relaxantes antes de dormir (leitura, meditação, banho morno)
6. Evitar cafeína, álcool e refeições pesadas à noite
7. Fazer exercícios regulares, preferencialmente durante o dia
8. Praticar técnicas de respiração ou meditação para reduzir o estresse
9. Observar padrões de sono e despertar frequente
10. Consultar médico se dificuldades persistirem
ES HOJE