Você já ouviu falar em zonas azuis? São regiões reconhecidas por concentrar pessoas que vivem mais e com melhor qualidade de vida. Nessas localidades, fatores ligados ao estilo de vida se repetem e ajudam a explicar por que tantas pessoas alcançam idades avançadas, mantendo autonomia e boa saúde.
Ao todo, cinco regiões são reconhecidas como zonas azuis, sendo que uma delas está na América Latina: a Península de Nicoya. Essa região, localizada ao noroeste da Costa Rica, se tornou referência mundial em longevidade saudável.
Mas quais são os segredos de seus moradores centenários? Confira o que dizem os especialistas:
Alimentação baseada em produtos naturais
Na Península de Nicoya, a longevidade não está relacionada a tecnologias médicas sofisticadas ou a grandes centros hospitalares. O que chama a atenção dos pesquisadores é justamente a simplicidade do cotidiano da população local.
A alimentação baseada em produtos naturais, como milho, feijão, frutas e vegetais, é um dos pilares desse estilo de vida. Seus habitantes dificilmente optam por produtos industrializados ou ultraprocessados.
Os alimentos frescos fornecem nutrientes essenciais e compostos antioxidantes que ajudam a reduzir processos inflamatórios e a proteger o organismo contra doenças como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Já os ultraprocessados costumam ter excesso de açúcar, sódio e gorduras de baixa qualidade, além de baixo valor nutricional, o que pode aumentar o risco de doenças crônicas.
Milena Zambom, nutricionista da Bluzz Saúde
Valorização das relações sociais
As relações sociais também têm papel fundamental na longevidade observada na região. A convivência entre gerações, o fortalecimento dos vínculos familiares e a participação ativa na comunidade ajudam a criar uma rede de apoio que impacta positivamente o bem-estar emocional.
“Quando a pessoa se sente pertencente a um grupo (seja família, amigos ou comunidade), ela experimenta maior sensação de segurança emocional e sentimento de pertencimento. Isso ajuda a reduzir sentimentos de solidão, ansiedade e depressão. Além disso, relações de apoio funcionam como uma rede de proteção e compartilhar experiências ajuda a regular emoções”, explica Marília Zanette, psicóloga da Bluzz Saúde.
Além disso, muitos moradores da Península de Nicoya demonstram um forte senso de propósito, chamado localmente de “plan de vida”, expressão que se refere à motivação para viver e continuar contribuindo com a família e a comunidade mesmo em idade avançada.
“Na prática, senso de propósito significa ter motivos para levantar da cama todos os dias. Não precisa ser algo grandioso; muitas vezes está ligado a papéis simples e significativos, como cuidar da família, trabalhar com algo que faça sentido ou sentir que se contribui de alguma forma para o mundo”, explica a psicóloga.
Além disso, segundo a especialista, esse sentimento de utilidade e direção ajuda a pessoa a organizar sua vida, manter motivação e enfrentar dificuldades com mais resiliência.
Atividades físicas na rotina
Outro fator importante é a atividade física incorporada à rotina.
Em vez de exercícios estruturados em academias, os moradores mantêm o corpo ativo por meio de atividades diárias, como caminhar, cuidar da casa, trabalhar na terra ou realizar tarefas domésticas. Esse movimento constante ao longo do dia contribui para a manutenção da saúde física.
Talvez a principal lição seja valorizar o que sustenta a vida de forma mais profunda: relações significativas, rotina equilibrada, propósito e cuidado com a saúde física e emocional. Não se trata de copiar um estilo de vida específico, mas de resgatar aspectos que muitas vezes ficam esquecidos no cotidiano moderno, como convivência, simplicidade e conexão com aquilo que realmente importa.
Marília Zanette, psicóloga da Bluzz Saúde
Folha Vitória