Um relatório da McKinsey & Company em parceria com a Lean In revelou um dado alarmante sobre mulheres na liderança: cerca de 60% das profissionais em posições sênior relatam burnout frequente. O levantamento, repercutido pelo Business Insider, também indica que muitas dessas líderes demonstram preocupação com segurança no emprego logo nos primeiros anos no cargo.
O dado amplia o debate sobre liderança feminina no mercado de trabalho e revela que o desafio não está apenas em chegar ao topo, mas em permanecer nele.
Burnout feminino na liderança é estrutural
O alto índice de burnout entre mulheres em cargos de liderança não está ligado somente à carga de trabalho. Ele envolve pressão contínua por desempenho, maior escrutínio sobre decisões e comportamento e a necessidade constante de validação.
Mulheres líderes frequentemente relatam sentir que precisam provar competência repetidamente, mesmo após alcançarem posições estratégicas. Esse ciclo gera exaustão emocional e insegurança profissional.
A insegurança nos primeiros anos de liderança
Outro ponto crítico apontado no relatório é a sensação de instabilidade. Muitas mulheres relatam preocupações com a permanência no cargo logo no início da função executiva.
Essa insegurança precoce reduz a segurança psicológica, impacta a tomada de decisão e amplia o desgaste mental. Em vez de consolidar autoridade, essas líderes operam sob constante vigilância.
O custo organizacional da exaustão
Quando 60% das mulheres na alta liderança relatam burnout frequente, o problema deixa de ser individual e passa a ser estratégico. A retenção de mulheres em cargos sênior se torna um desafio real para as empresas.
Ambientes corporativos que promovem diversidade, mas não ajustam cultura, critérios de avaliação e suporte emocional, acabam perdendo lideranças qualificadas no momento de maior maturidade profissional.
Permanência sustentável é a nova pauta
O avanço da liderança feminina precisa ser acompanhado de políticas que garantam sustentabilidade na função. Isso inclui clareza de metas, distribuição equilibrada de responsabilidades invisíveis e programas efetivos de apoio à saúde mental.
A discussão sobre mulheres na liderança precisa evoluir do acesso para a permanência. Caso contrário, o crescimento da representatividade pode se tornar estatístico, mas não estrutural.
Folha Vitória