O mercado capixaba se expande para o interior e litoral, mas ainda precisa ganhar escala e atrair capital de fora. Esse foi um dos temas abordados durante o Data Business Real Estate, que reuniu empresários e investidores na manhã desta quinta-feira (12), na Fucape Business School, em Vitória. Na pauta do evento, realizado porRede VitóriaeApex, o novo mapa do mercado imobiliário no Espírito Santo.
Por que isso é importante: o setor imobiliário acompanha o crescimento econômico do Estado e novos vetores ampliam oferta, valorização e diversificação de produto. A atração de capital externo é decisiva para ganhar volume.
Durante o painel que levou o mesmo nome do evento, o diretor de Real Estate da Apex, Marcelo Murad, explicou que o que diferencia o Espírito Santo de Santa Catarina, por exemplo, que se consolidou como marca territorial, é a escala populacional e a atração de capital nacional/internacional.
Em números: Santa Catarina lançou cerca de R$ 140 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em cerca de 5 anos. Já o Espírito Santo lançou aproximadamente R$ 20 bilhões no mesmo período.
O Estado tem cada vez mais visibilidade, investindo em infraestrutura, que é uma pauta cada vez mais importante, e com planos diretores cada vez mais inteligente e mais pró-mercado. Isso atrai mais investidores externos.
Marcelo Murad, diretor de Real State da Apex
Assim como a região metropolitana, o Litoral Sul, com foco em Guarapari, se consolidou como um polo imobiliário. Entretanto, de acordo com Mateus Starling, diretor do Polo Espírito Santo da Apex, o mercado está vendo um movimento de interiorização.
O motivo: o investidor busca qualidade de vida, natureza e condomínios horizontais, seja ele capixaba ou de fora do estado.
“Você vê esse movimento de segunda residência e de casa de inverno, com muito foco em netos e família. A busca é por um local maior, com um terreno maior para você ter uma quadra de tênis ou um pomar, por exemplo”, explica Starling.
Expansão da região metropolitana
Apesar de notório, esse movimento de interiorização não substitui o interesse pela região metropolitana. Pelo contrário, Murad aponta que vemos um movimento de expansão da região, ainda que o foco continue em Vitória e Vila Velha.
“O último semestre foi, talvez, o momento em que mais vimos notícia de lançamentos fora desse eixo Vitória e Vila Velha. Isso indica que algumas empresas já estão olhando para essas oportunidades”, explica.
Em números: Em 2025, Vitória teve valorização de 15,1% do m² residencial (R$/m²), enquanto Vila Velha alcançou 11,5%. Ambas acima da média brasileira, de 6,5% (Dados: Apex).
O que falta para o mercado capixaba escalar
Apesar do Estado apresentar fundamentos sólidos, como equilíbrio fiscal, crescimento acima da média e ambiente estável, os painelistas apontaram que as barreiras para o crescimento do mercado imobiliário são a baixa visibilidade nacional, falta de comunicação coordenada do “produto Espírito Santo” e oferta de produtos mais diversificados.
Para o diretor-geral da Rede Vitória, Felipe Caroni, a comunicação é parte essencial deste movimento que busca a valorização do Espírito Santo.
O papel da comunicação é usar a credibilidade que temos como formadores de opinião para explorar e mostrar os benefícios que temos aqui. Empresários não gostam de incerteza e, através de dados e informações, conseguimos mostrar para sociedade o cenário capixaba.
Felipe Caroni, diretor-geral da Rede Vitória
Folha Vitória