Um menino de dois anos morreu afogado após cair em uma piscina na sexta-feira (20), no bairro Jardim Botânico, em Cariacica. Segundo depoimento de familiares e moradores, Murilo Lima Alves de Jesus era negligenciado pelos responsáveis. A madrasta da criança, de 17 anos, foi apreendida.
De acordo com relatos apurados pela TV Vitória, o garoto teria conseguido entrar em uma área de festa com piscina. O dono do local, José Batista dos Santos, afirmou que o portão da área estava fechado.
“Estava tudo trancado, chegamos aqui e meus funcionários abriram o portão e subiram. Uma funcionária minha que viu que tinha uma criança afogada”, contou José Batista.
Ele teria sido encontrado afogado já no fundo da piscina. As funcionárias do local tentaram reanimá-lo e ligaram para a emergência.
“Eles tiraram o menino da piscina e começaram a massagear. Eu peguei meu carro e, no caminho até o hospital, eles foram tentando reanimar o garoto. Ele chegou a mexer as mãos e os olhos”, relatou.
Tia-avó da criança aponta negligência
A tia-avó de Murilo, Kely Cristian dos Santos, contou que ele era negligenciado pelos pais e ficava circulando pelas ruas sozinho e com fome. No momento do afogamento, ele estaria sob a supervisão da madrasta.
“Murilo foi vítima da negligência, do abandono, dos maus-tratos, da covardia do ser humano. Nós denunciamos, pedimos e imploramos”, disse.
Os pais de Murilo são separados e o menino teria ficado sob a guarda do pai.
A mãe entregou o filho para o pai porque eles se separaram. A criança vivia em uma casa com quatro adultos, ninguém trabalhando nem cuidando dele. E ele continuava passando fome, eu e meu irmão o alimentávamos. Uma família sem ninguém trabalhando, como sustenta uma criança?
Kely Cristian dos Santos, tia-avó do menino
Ela e outros familiares teriam feito denúncias contra o homem e o Conselho Tutelar já teria ido até o local, mas Murilo seguiu sob a guarda do pai.
A Polícia Civil informou que a madrasta foi conduzida à delegacia e autuada por ato infracional análogo ao crime de abandono de incapaz. Ela foi encaminhada ao Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo (Ciase). O caso seguirá sob investigação.
Procurada pela reportagem, a mãe da criança disse que tentou recuperar o contato com o filho após a separação, mas sem sucesso. Ela afirmou estar muito abalada com a morte do filho.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com o pai de Murilo. O espaço segue aberto.
*Com informações da repórter Nathália Munhão da TV Vitória/Record
Folha Vitória