Uma nova pista encontrada na tarde desta segunda-feira (9) pode ajudar na resolução do assassinato de Dante de Brito Michelini, o Dantinho, envolvido no Caso Araceli e que foi assassinado em uma propriedade rural em Meaípe, Guarapari. O corpo foi encontrado decapitado na última semana.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy de Arruda, em informações repassadas à TV Vitória, foi encontrada uma sacola que pode ter sido utilizada para transportar a cabeça de Dantinho. O material foi achado em um córrego próximo à propriedade onde o corpo foi encontrado.
O local onde a sacola estava foi sinalizado por cães farejadores que auxiliavam nas buscas junto ao Corpo de Bombeiros e à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari.
O material foi enviado para a Polícia Científica para ser periciado para a identificação de qualquer material genético no objeto.
“Obviamente que ele (a sacola) não pôde ter sido manuseado para não comprometer esses vestígios e manchas. Foi acomodado por conta da cadeia de custódia e encaminhado à Polícia Científica para que seja analisado para ver se tem algum material genético”, informou Arruda.
Ainda segundo ele, o material foi coletado por ter chamado a atenção pelas características e pela forma com que havia sido descartado.
Caso algum material genético seja encontrado na sacola, ele será comparado para buscar compatibilidade com o DNA de Dantinho Michelini.
Vítima teve corpo carbonizado
O corpo de Dante foi encontrado carbonizado, em avançado estado de decomposição e sem a cabeça. Desde então, buscas para encontrá-la tiveram início.
A decapitação chamou atenção dos policiais, que descreveram o procedimento de corte como “fino, feito por alguém que sabia o que estava fazendo”.
Veja buscas em córrego:
De acordo com Arruda, encontrar a cabeça ajudará a polícia a ter mais elementos sobre como o crime foi cometido.
“O que ficou detectado pela perícia é que foi um corte fino, de um instrumento cortante, bem afiado. Certamente foi alguém com muita coragem, que conseguiu fazer aquele corte. Não foi nada batido, foi um corte bem fino. Isso também é ponto de informação muito importante. Vamos buscar o conhecimento de quem tem essa capacidade”, afirmou o chefe de polícia.
José Darcy Arruda acrescentou que inda não é possível afirmar se o assassinato tem ligação com o Caso Araceli, e que todas as as hipóteses de investigação são levadas em consideração.
“A gente não pode dizer isso agora, não tem nenhuma forma da gente dizer nenhum tipo de motivação, porque ainda temos que entender o que foi. Todas as informações que estão chegando, estamos checando, analisando situações no entorno, crimes cometidos no entorno”, finalizou.
Relembre a morte de Dante Michelini
O corpo de Dante Michelini foi descoberto após uma funcionária dele entrar em contato com a Polícia Militar para informar que não tinha contato com o patrão desde o dia 7 de janeiro.
Ele foi encontrado dentro da casa em que ele vivia, que foi totalmente destruída pelo fogo. A princípio, a hipótese de latrocínio foi levantada, pois alguns objetos do morto não foram encontrados no imóvel.
Entretanto, após buscas, os itens foram achados em meio aos escombros da casa destruída.
Familiares de Dantinho Michelini estiveram no Instituto Médico Legal (IML), em Vitória, para reconhecer o corpo, mas apenas através de exames papiloscópicos é que foi possível confirmar que se tratava mesmo dele.
Junto do pai, Dante de Barros Michelini, e Paulo Constateen Helal, conhecido como Paulinho, Dantinho foi um dos envolvidos no caso Araceli, um crime bárbaro que chocou o Brasil em 1973, quando Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos, foi assassinada após tortura e abuso sexual.
Araceli desapareceu no dia 18 de maio de 1973, e esta data se tornou símbolo de luta contra violência infanto-juvenil e deu origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
O caso é considerado um dos mais emblemáticos da história judicial brasileira. A menina morava em Bairro de Fátima, na Serra, ehavia saído de casa para ir à escola, na Praia do Suá, em Vitória.
Após as aulas, ela foi vista em um bar entre o cruzamento das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal, em Vitória. Depois disso, Araceli não foi mais encontrada e a família iniciou as buscas.
O corpo de Araceli apareceu em um matagal seis dias depois atrás do Hospital Infantil, em Vitória, e a perícia da Polícia Civil concluiu queela havia sido drogada, estuprada, assassinada, desfigurada e queimada.
Os dois Michelini investigados pela morte de Araceli são filho e neto de Dante Michelini, empresário que dá nome à orla de Camburi e morreu em 1965.
Investigação e julgamento
A acusação alegou que Araceli foi raptada por Paulo Helal. No mesmo dia, a menina teria sido levada para o Bar Franciscano, na Praia de Camburi, pertencente a Dante Michelini, onde foi estuprada e mantida em cárcere privado sob o efeito de drogas por dois dias.
Em razão do excesso de drogas no corpo, Araceli teria entrado em coma e morreu. Paulo Helal e Dantinho teriam jogado o corpo da menina em uma mata atrás do Hospital Infantil.
Mais de 300 pessoas foram ouvidas ao longo das investigações, gerando mais de 12 mil páginas no processo de 33 volumes.
*Com informações de Fernando Fully, apresentador do Cidade Alerta, da TV Vitória/Record
Folha Vitória