Vamos começar pelo ato falho. Magno chamou o senhor de “senador Evair”…
“O senador Evair está aqui”, disse Magno Malta, ao falar em entrevista coletiva de parlamentares da oposição, no Congresso, durante o ato de protocolização da CPI do Banco Master, na última terça-feira (3). Foi um provável ato falho, ou “profecia” (como se brinca no meio político). Evair não é senador, e sim deputado federal, desde 2015. Mas o ato falho pode ter explicação: Evair quer mesmo se tornar senador. E, para isso, tem intensificado as articulações precisamente com Magno Malta, o presidente do Partido Liberal (PL) no Espírito Santo.
Em entrevista à coluna, Evair afirma que ele e Magno estão em diálogo estreito sobre o processo eleitoral e que existe a possibilidade de ele vir candidato a senador pelo PL, no lugar de Maguinha Malta. Uma das filhas do próprio Magno, a publicitária é, desde princípios do ano passado, a pré-candidata do PL ao Senado pelo Espírito Santo, em nome do pai (e, segundo ela mesma, de Deus). Mas Evair acredita que isso ainda possa mudar.
Segundo o deputado, um dos vice-líderes do governo na Câmara durante a presidência de Bolsonaro, ele também pode ser candidato a senador pelo seu atual partido, o Progressistas (PP), principalmente se a Federação União Progressista ficar com o PL no plano nacional e indicar o vice do senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Para Evair, o mais importante é que a direita no Espírito Santo unifique forças e lance um só representante na disputa por uma das duas vagas no Senado.
Do contrário, na avaliação do deputado, a esquerda será favorecida nessa eleição majoritária no Espírito Santo, por obra da própria direita, isto é, por conta da divisão das forças políticas que pertencem ao mesmo campo de atuação. “Eles estão torcendo pela nossa divisão, que os favorece diretamente.”
Magno/Maguinha e Evair de fato transitam na mesma faixa; habitam politicamente a mesma camada da direita: aquela mais identificada com o ex-presidente Bolsonaro.
Encerrando o terceiro mandato consecutivo na Câmara, o deputado do interior e ex-presidente do Incaper diz que “é hora de arrumar as abóboras no caminhão”. Chamando a atenção para a vital importância da eleição ao Senado este ano – na qual dois terços dos 81 assentos estarão em jogo –, Evair critica muito a Casa Revisora por se furtar a de fato exercer suas prerrogativas constitucionais.
Segundo ele, essa “omissão” tem custado caro ao país e tem sido fator preponderante para o atual estado de “descontrole” e desequilíbrio entre os Poderes, o qual, no limite, pode “desmanchar a República”. “Se o Senado não assumir suas prerrogativas, se quem tem que fazer isso não fizer, temos uma bomba-relógio armada! Não sei nem se fico na vida pública”, ameaça.
Já falando como pré-candidato ao Senado, ele também cutuca potenciais adversários nas urnas:
O Senado não pode ser prêmio de consolação, nem depósito de políticos em final de carreira, nem o local de colocar aventureiros.
Sim. Nós dois temos conversado muito. Estamos conversando sobre a unificação para o Senado. Unificar a direita é a nossa meta.
Existe a possibilidade de o senhor se filiar ao PL e vir candidato a senador pelo partido de Bolsonaro, no lugar da Maguinha?
Existe uma pré-candidatura minha e existe uma pré-candidatura da Maguinha. Magno e eu estamos dialogando. A princípio, ele está muito reticente em retirar a Maguinha. Mas estamos conversando para tentar unificar numa única candidatura que seja competitiva, não só para marcar posição. Magno, a princípio, pensa em lançar candidato a governador pelo PL. Mas, não tendo candidato ao governo, ele pode compor com outro grupo. Como dizemos no interior, esta é a hora de arrumar as abóboras no caminhão.
Mas o senhor, então, tem convite do Magno para se filiar ao PL? E seu diálogo com ele é sobre uma possível candidatura majoritária do senhor pelo partido?
Sim. Estou disponível, e estamos discutindo a possibilidade de termos uma candidatura só pela centro-direita ao Senado no Espírito Santo. Não é uma construção simples, mas não está faltando disposição para o diálogo. Todas as candidaturas são legítimas. Mas a nossa divisão poderia beneficiar a esquerda, que terá Contarato e Casagrande como opções.
Para ser candidato a senador, o senhor terá de sair do PP na próxima janela, em março, e se filiar ao PL, certo?
Não obrigatoriamente. Naturalmente, isso está posto na mesa, mas nossa questão não é puramente partidária. Extrapola a questão partidária. O próprio Magno tem feito o debate de que a direita deve estar unificada no Espírito Santo.
E o senhor quer ser candidato a senador?
Se a direita se unificar, eu topo disputar o Senado. Se não, eu toco minha reeleição.
Mas veja, Vitor, é importante dizer que essa unificação pode ocorrer no plano nacional. O próprio Ciro Nogueira [presidente nacional do PP] está discutindo com o Valdemar Costa Neto [presidente nacional do PL]. Essa discussão passa por Brasília. O Ciro disse que o PP pode indicar o vice do Flávio…
Aí também é preciso combinar, tanto lá como no Espírito Santo, com a outra perna da federação União Progressista, que é o partido União Brasil…
O Ciro fala em nome da federação. Eu, Evair, trabalho para que saiamos unificados em nível nacional e para que isso possa repercutir nos estados. Se isso se consolidar no plano federal, vai ter repercussão nos estados também.
Mas o senhor acredita que possa mesmo ser candidato a senador no PP, quer dizer, mesmo ficando no partido? Pergunto isso porque, no Espírito Santo, o presidente do União Brasil, Marcelo Santos, tem compromisso de apoio a Casagrande e a Ricardo Ferraço. Ambos também dialogam muito bem com o presidente estadual do PP, Da Vitória, que responde pela federação no Estado…
Isso depende da evolução da discussão nacional e do eventual entendimento do Ciro com o Valdemar. O mais importante para mim é: o Senado não pode ser prêmio de consolação, nem depósito de políticos em final de carreira, nem o local de colocar aventureiros. Esse comportamento histórico fez com que o Senado se tornasse omisso no cumprimento de suas prerrogativas. O Senado é Casa revisora, é o Poder regulador. Precisa se expor nos debates necessários. A eleição para o Senado deve ser a mais rigorosa pelo eleitor porque, historicamente, não ter esse debate sobre o Senado fez com que o Senado seja omisso como é hoje. Se a engrenagem pública brasileira está desregulada, o Senado tem muita responsabilidade nisso, por sua omissão.
Voltando ao início da prosa, o senhor acha que Magno pode se dispor a ceder e abrir mão da candidatura de Maguinha ao Senado? Neste caso, o que ela faria? Desceria para a chapa do PL para a Câmara Federal? Hoje, essa chapa carece de representação feminina, até para cumprir a cota de gênero…
Nós podemos unificar até no nome da Maguinha. Não tenho nenhuma rejeição. É legítima a candidatura dela. Repito: nosso debate é em torno de unificar, para lá ou para cá. E esse debate precisa ser feito. O consenso viabiliza a eleição de alguém do nosso campo de atuação política. Se não houver esse acordo, estrategicamente, isso vai favorecer a esquerda. Aliás, eles estão torcendo pela nossa divisão, que os favorece diretamente.
Deputado, e onde é que entra nesse raciocínio a provável candidatura de Lorenzo Pazolini a governador? O senhor passou o ano passado inteiro rodando com ele pelo interior do Espírito Santo, em festas e festivais… Na sua visão, Pazolini também tem lugar nesse projeto de “unificação da direita no Espírito Santo”, ou ele corre em outra raia, outra camada da direita e outro palanque?
Não é o Pazolini. É o Republicanos. Nacionalmente, o maior representante do Republicanos é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que está com o Flávio Bolsonaro. Pazolini tem o patrimônio político dele, que ele construiu por mérito. O Republicanos tem que ser posto na mesa. O Erick Musso, presidente estadual do Republicanos, está conversando em nome do partido com Magno, Da Vitória, Marcelo Santos… O nosso sonho é que tenhamos unificação de tudo isso. Do contrário, haverá sequelas para todos os lados.
Volto a dizer: se o Senado não conseguir construir o protagonismo de suas prerrogativas constitucionais, nós vamos desmanchar a República. Esse descontrole a que chegamos no Brasil na relação entre as instituições se dá, em grande parte, por omissão da Poder regulador. Se o Senado não assumir suas prerrogativas, se quem tem que fazer isso não fizer, temos uma bomba-relógio armada! Não sei nem se fico na vida pública.
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Fonte: ES 360