Direto do século XVII para o coração de Vitória, a capital capixaba volta ao centro do circuito internacional das grandes exposições. A partir do dia 26 de fevereiro, o Palácio Anchieta recebe a exposição Rembrandt – O mestre da luz e da sombra, uma mostra gratuita que reúne 69 gravuras originais de Rembrandt van Rijn, um dos maiores nomes da história da arte mundial. Antes de chegar ao Espírito Santo, a exposição passou por Belo Horizonte e pelo Rio de Janeiro, integrando um circuito brasileiro que apresenta ao público obras pertencentes a uma importante coleção italiana.
Reconhecido como o grande mestre do claro-escuro, o artista holandês revolucionou a forma de representar luz, sombra e emoção. Organizadas em dois grandes eixos, o humano e o divino, as gravuras conduzem o visitante por diferentes momentos da trajetória do artista. A exposição propõe um percurso atemporal, que atravessa toda a vida de Rembrandt e evidencia suas múltiplas facetas, dos autorretratos às cenas bíblicas, dos retratos de pessoas comuns às figuras marginalizadas. Na mostra capixaba, o visitantes poderão conferir obras emblemáticas como Autorretrato com Saskia (1636), A Descida da Cruz (1633), A Ressurreição de Lázaro (1632), O Jogador de Cartas (1641), O Manto de José Trazido a Jacó (1633) e Cristo Expulsando os Cambistas do Templo (1635).
Mais do que domínio técnico, Rembrandt imprimia sentimento. Em gravuras realizadas sobretudo em água-forte e ponta-seca, o artista deu forma a personagens atravessados por emoções profundas e universais, como o espanto, a dor, a fé e a compaixão. São imagens que parecem deter o tempo, fazendo com que a condição humana se sobreponha à própria narrativa visual.
Em todos esses universos, o que se impõe é um olhar profundamente humano. Mesmo ao tratar do sagrado, Rembrandt revela fragilidades, emoções e conflitos que aproximam o divino da experiência cotidiana. A maestria no uso da luz e da sombra costura essa dicotomia, criando imagens em que transcendência e humanidade coexistem em equilíbrio tenso e fascinante.
A exposição também convida o público a observar de perto o processo criativo do artista. As matrizes revelam um Rembrandt inquieto, que redesenhou, aprofundou contrastes e deixou que as sombras ganhassem protagonismo. São obras que funcionam como pequenos portais para sua obsessão criativa, sempre em busca da forma mais verdadeira de expressão. A riqueza de detalhes é tamanha que o olhar é convidado a se aproximar: lupas estarão disponíveis na exposição, permitindo ao visitante explorar cada traço com calma e profundidade.
A influência de Rembrandt atravessa séculos. Vincent van Gogh, por exemplo, declarou em cartas sua profunda admiração pelo artista holandês. Até hoje, Amsterdã preserva esse legado na Casa de Rembrandt, museu instalado na residência onde ele viveu e produziu parte significativa de sua obra. Um reconhecimento à altura de quem redefiniu os rumos da arte ocidental.
Montagem capixaba
Segundo a empresa responsável por trazer a exposição para o Brasil, Álvaro Moura, a chegada de Rembrandt ao Espírito Santo consolida um movimento da empresa que, ao longo dos anos, vem colocando o Estado no mapa das grandes exposições realizadas no Brasil. “Sob a curadoria e produção da Premium, nomes como Leonardo da Vinci, Portinari, Dalí, Goya, Monet, Miró, Picasso, Modigliani, Chagall, Renoir e Michelangelo já passaram pelo solo capixaba, encontrando um público atento, curioso e preparado para receber a grande arte”, explica.
“Desde o primeiro projeto, a atuação da empresa se orienta por princípios inegociáveis: a relevância histórica e educativa das obras apresentadas, o acesso gratuito como compromisso com a democratização da cultura e a construção de experiências inclusivas, capazes de aproximar a arte do cotidiano e ampliar repertórios”, finaliza.
No Palácio Anchieta, a exposição inaugura também um novo capítulo em termos de acessibilidade. Pela primeira vez, o espaço contará com uma sala exclusivamente dedicada a experiências acessíveis, pensada para ampliar o acesso à arte por diferentes públicos. O ambiente reúne reproduções táteis de obras, textos curatoriais em braile, audioguia e totens com vídeos em Libras, criando um percurso sensorial que ultrapassa o olhar e convida à escuta, ao toque e à percepção ampliada. Entre os destaques da sala acessível estão duas experiências com peças táteis, entre elas o autorretrato de Rembrandt, que pode ser explorado por meio das variações de textura. O relevo conduz o visitante na leitura da imagem, permitindo compreender formas, volumes e expressões de maneira sensorial.
A montagem capixaba amplia ainda mais a experiência do público ao incorporar uma proposta imersiva ainda maior. Reunindo elementos das exposições realizadas no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, o Palácio Anchieta recebe uma estrutura em formato de cubo, na qual o visitante pode entrar e sentir a dimensão da obra de Rembrandt. Nesse ambiente, as gravuras são ampliadas, ganham movimento e se projetam ao redor do público, criando uma experiência envolvente que transforma o espaço expositivo em um campo sensorial de luz, sombra e emoção. O cubo imersivo, que receberá as projeções das obras, será revestido com porcelanatos da Biancogres, uma das patrocinadoras da exposição, ao lado do Supermercados BH.
A exposição tem patrocínio da Biancogres, Supermercados BH e é viabilizada pela Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais. A organização é da The Art Co. em conjunto com a Brasil Meeting Points. A realização é da Premium Comunicação Integrada de Marketing, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Fonte: ES HOJE