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O que pesará para Casagrande na escolha do novo chefe do Ministério Público?

Após votação de promotores e procuradores, lista vai para o governador, a quem cabe decidir quem será o próximo procurador-geral de Justiça

Por Fabricio Rodrigues em 04/02/2026 às 18:30:38

Em pouco mais de um mês, os promotores e procuradores de Justiça irão às urnas para votar em quem desejam à frente do Ministério Público Estadual (MPES) no biênio 2026-2028.

Dizer que eles irão às urnas é força do hábito. A votação é online e à distância. No dia 6 de março, os membros do MPES terão das 9h às 17h para acessar o sistema remoto e votar em um, nos dois ou em nenhum dos candidatos que disputam o cargo de procurador-geral de Justiça.

A votação é para formação da lista tríplice, ou dupla, já que só tem dois nomes em jogo. Estão na disputa o atual PGJ, Francisco Berdeal, e o promotor de Linhares Danilo Raposo Lírio.

Hoje, Francisco e Danilo estão em lados opostos – tanto que, em entrevista concedida à coluna logo após se inscrever, Danilo teceu diversas críticas à atual gestão.

Porém, os dois já foram do mesmo grupo. Saíram do mesmo movimento liderado pelo ex-procurador-geral de Justiça Eder Pontes – hoje, desembargador.

O rompimento ocorreu na eleição passada (2024), quando a então PGJ Luciana Andrade apoiou Francisco para sua sucessão e Eder, nos bastidores, teria apoiado Danilo. Francisco entrou na lista tríplice, em segundo lugar. Já Danilo, como o quinto mais votado, ficou de fora.

A disputa, no entanto, não se encerra na votação interna da instituição. A lista será encaminhada ao governador Renato Casagrande (PSB), a quem cabe a palavra final sobre a escolha do novo procurador-geral de Justiça. E é justamente nesse momento que entram em cena critérios que extrapolam a correlação de forças dentro do MPES.

Em coletiva de imprensa na última segunda-feira (02), o governador apontou quais critérios deverá usar para definir o nome do escolhido. Um deles será o de ouvir a instituição.

Ao ser questionado se tinha preferência pelo atual procurador-geral para o comando da instituição – uma vez que, nos bastidores, Francisco é considerado favorito –, Casagrande negou, afirmando que precisaria respeitar a autonomia da instituição.

“Não tenho preferência, até porque tenho que respeitar a autonomia das instituições. Eu tenho o poder de escolher entre dois nomes, é possível também ouvir o desejo da instituição para que possa tomar a decisão na hora certa. A minha relação com o Francisco é muito boa. Respeitando essas relações muito boas, a gente tem que ouvir e deixar a instituição tomar a decisão”, disse Casagrande.

Questionado se teria também uma boa relação com o outro candidato – Danilo –, Casagrande confirmou: “Tenho, tenho relação com ele. Já o conheço há bastante tempo, até porque fizeram parte do mesmo movimento dentro do MPES”.

E mais uma vez enfatizou que seria preciso ouvir a instituição: “O MPES vai falar através da eleição. Eu sempre ouço depois os membros da lista, mas o MPES vai se expressar através do voto”, afirmou Casagrande.

O mais votado será o escolhido?

Como tem reiterado que só tomará uma decisão após ouvir a manifestação da instituição por meio do voto, Casagrande foi então questionado se o candidato mais votado pelos membros do Ministério Público será, necessariamente, o escolhido.

Nesse ponto o governador não quis se comprometer. “Eu tenho o direito de escolher entre os dois. Não vou assumir o compromisso de escolher o mais votado. Vou escolher de acordo com as minhas conversas, meus diálogos e meu histórico de relação que tenho com os dois”.

Não é a primeira vez que Casagrande adota essa postura. Em 2024, quando seis candidatos disputaram o comando do MPES, antes da votação da categoria, ele deu resposta semelhante. Ao final do processo, optou por Francisco Berdeal, que havia sido o segundo mais votado da lista.

Nesta eleição, o governador tem reforçado o papel relevante da eleição interna do MPES, mas deixa claro que não terá caráter decisivo. A votação servirá como termômetro da instituição e sinalizará forças e resistências, porém a escolha final passará, sobretudo, pelo crivo político de Casagrande.

Histórico de relação, capacidade de interlocução e alinhamento institucional tendem a pesar tanto quanto – ou até mais do que – a posição ocupada na lista.

Aliás, ao discursar na abertura do ano legislativo da Assembleia, na última segunda, o governador frisou em diversos momentos sobre a necessidade de harmonia e parceria entre as instituições para o desenvolvimento do Estado.

É nesse equilíbrio entre voto, confiança e articulação política que Casagrande fará sua última escolha para o comando do Ministério Público Estadual.

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Fonte: Folha Vitória

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