Imagens da abordagem que terminou com a prisão do engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueiras, condenado a 27 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelo assassinato da esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, mostram o momento em que agentes da Guarda Municipal de Vitória cercam o carro em que ele estava.
O condenado e a namorada que o acompanhava saem do veículo e levantam as mãos, atendendo à ordem dos guardas. Nas imagens, é possível ver uma viatura da Guarda Municipal se aproximando do carro. Agentes descem de dois veículos e cercam o automóvel. Em seguida, Patrick e a namorada saem do carro com as mãos para o alto.
A abordagem aconteceu na Avenida Vitória, na altura do bairro Romão, nesta quinta-feira (5). Patrick havia deixado o Tribunal do Júri, na Mata da Praia, antes da leitura da sentença condenatória. Após a saída do réu do plenário, foi expedido um mandado de prisão e ele passou a ser considerado foragido.
Segundo a Guarda Municipal, equipes de patrulhamento receberam informações da Gerência de Inteligência e da Central de Monitoramento e conseguiram localizar o engenheiro enquanto ele dirigia um veículo. Ao receber ordem de parada, ele obedeceu e não ofereceu resistência.
Carro pertence à mãe de advogado
De acordo com a comandante da Guarda de Vitória, Fabiana Gonçalves, o veículo utilizado por Patrick pertence à mãe de um dos advogados de defesa do condenado.
“Ele estava na direção de um carro que pertence à mãe de um dos advogados dele e, ao receber ordem de parada, obedeceu sem oferecer resistência. Foi uma prisão técnica de um indivíduo já condenado pela Justiça e que precisa cumprir com o que a Justiça determinou”, afirmou.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) requereu a abertura de uma investigação para apurar como Patrick conseguiu deixar o fórum e em quais circunstâncias isso aconteceu.
“Acusado fugiu”, diz promotor
O promotor de Justiça Rodrigo Monteiro, que representou o MPES no julgamento, afirmou que Patrick deixou o fórum após receber uma informação interna de que seria condenado. Por isso, saiu antes mesmo de o juiz realizar a leitura da sentença.
Aqui a gente não está fazendo caça às bruxas, a condenação foi de acordo com as provas do processo. A defesa fez um belo trabalho, foi um júri difícil. A nossa intenção é que ele saísse preso, mas não saiu porque ele foi embora, recebeu informação interna e fugiu, mas as forças de segurança atuaram com precisão. Imediatamente quando tivemos notícia da fuga, comunicamos PM e Guarda Municipal
Rodrigo Monteiro, promotor de Justiça.
Patrick foi condenado a 27 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado. Ele respondia por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e feminicídio. O julgamento começou na terça-feira (3).
Acusação apontou ciúmes como motivação do crime
Segundo o Ministério Público, Danielly foi assassinada pelo marido após uma discussão motivada por ciúmes. A investigação apontou que Patrick monitorava as conversas da esposa por meio de um aplicativo espião e desconfiava que ela estivesse trocando mensagens com outro homem.
De acordo com a polícia, o casal discutiu no dia 29 de dezembro de 2017. Patrick deixou o apartamento, mas retornou ao imóvel naquela noite acompanhado de outra pessoa. Imagens de câmeras de segurança registraram o engenheiro entrando novamente na residência, desta vez sozinho.
A investigação apontou que ele permaneceu cerca de dois minutos no apartamento, período em que, segundo a acusação, teria cometido o crime. O promotor de Justiça Rodrigo Monteiro sustentou que as provas demonstravam que Danielly foi assassinada.
A defesa, por outro lado, negou que Patrick tenha matado a esposa. O advogado Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho argumentou que o engenheiro não teria tempo suficiente para cometer o crime e deixar o local sem vestígios de sangue nas roupas ou no corpo.
Defesa sustentou hipótese de queda
Inicialmente, Patrick afirmou que Danielly havia tirado a própria vida. Posteriormente, a defesa passou a sustentar que a professora teria sofrido uma queda após o consumo de medicamentos e bebida alcoólica. O Ministério Público contestou essa versão.
Segundo a acusação, as lesões identificadas no corpo da professora, incluindo ferimentos no rosto, não seriam compatíveis com uma queda da própria altura.
A defesa também argumentou que Danielly teria utilizado o celular depois que Patrick deixou o apartamento. Os advogados afirmaram que registros do aparelho indicariam movimentações em aplicativos de mensagens após a saída do engenheiro.
Antes do início do júri, a defesa tentou adiar o julgamento, alegando que não havia recebido integralmente os dados extraídos dos celulares apreendidos durante a investigação. Também solicitou uma nova perícia para produzir cópias forenses dos aparelhos e cartões de memória.
Danielly Wandermurem Benício foi encontrada morta em 30 de dezembro de 2017, no apartamento onde morava com Patrick, em Jardim Camburi, Vitória. Segundo as investigações, o casal havia discutido após o engenheiro desconfiar de mensagens trocadas pela professora com outro homem.
Câmeras de segurança do prédio registraram a movimentação de Patrick no imóvel na noite anterior à descoberta do corpo.
O caso foi inicialmente tratado como suicídio, mas as investigações levaram à prisão do engenheiro em janeiro de 2018. A Justiça recebeu a denúncia contra ele em março daquele ano.
Folha Vitória