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Economia

Um bom ano: importadores do ES aumentam volume de compra de vinho de olho na Black Friday

Empresas que importam vinhos pelo ES já começaram a montar estoques de olho na data. Em alguns casos, querem importar 40% mais do que no ano passado


Vinho: importadores esperam aumentar volume de vendas na Black Friday deste ano. Crédito: Canva

A Black Friday ainda está a pouco mais de dois meses, mas os grandes importadores de vinho que operam pelo Espírito Santo já começaram a reforçar os estoques para uma das datas mais importantes do ano. Um dos movimentos mais agressivo vem do Grupo Víssimo, dono das marcas Evino e Grand Cru, que já trabalha com a perspectiva de importar 40% a mais do que no ano passado para atender a demanda esperada em 27 de novembro.

O tamanho da operação ajuda a entender o peso desse mercado para o Estado. Sozinho, o Víssimo, por exemplo, movimenta atualmente entre 90 e 100 carretas por mês com vinhos importados principalmente do Chile e da Argentina, nesta ordem. Da Europa, chegam pelo menos 100 contêineres mensais, com forte participação de rótulos portugueses. Boa parte desse vinho entra pelo Espírito Santo, é armazenada aqui e depois segue para consumidores de diferentes regiões do país.

O Estado consolidou uma posição difícil de ignorar nesse mercado. Vila Porto, Wine e Víssimo – que reúne Evino e Grand Cru – respondem juntos por cerca de 33% de todo o vinho importado pelo Brasil. O Espírito Santo já aparece como o segundo maior importador brasileiro do produto, atrás apenas de Santa Catarina.

Quase meio bilhão de reais em vinho

Em 2025, as importações de vinho pelo Espírito Santo somaram US$ 94,8 milhões (R$ 487,5 milhões). Em 2026, o ritmo continua forte: ainda no primeiro semestre, o Estado já havia superado US$ 50 milhões (R$ 257,1 milhões) em compras externas. São dados do Comex Stat.

Esse fluxo tende a ganhar força justamente agora. Historicamente, cerca de 55% das importações brasileiras de vinho ocorrem no segundo semestre, com outubro funcionando como o principal mês de entrada.

A lógica é: os importadores precisam nacionalizar, armazenar, separar e distribuir os produtos com antecedência para aproveitar o pico de consumo da Black Friday. E logo depois vêm as vendas de Natal e Réveillon.

No caso capixaba, a vantagem vai além da importação. O Estado se transformou em plataforma logística e de comércio eletrônico para o setor. As empresas trazem o vinho, armazenam em centros de distribuição no Espírito Santo e vendem para praticamente todo o país. Isso multiplica o impacto econômico da operação. Portos, transportadoras, armazéns, serviços aduaneiros, tecnologia e distribuição participam da mesma cadeia.

Black Friday testa o tamanho da demanda

A força dessa operação ficou evidente na Black Friday de 2024. Empresas instaladas no Espírito Santo venderam para consumidores de outros Estados aproximadamente US$ 254,8 milhões (R$ 1,31 bilhão) durante o período promocional. Nesse sentido, o vinho esteve entre os produtos de maior destaque nas vendas interestaduais. Sinal de que parte relevante do movimento que começa agora nos portos só termina meses depois, na casa do consumidor em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro ou em outras regiões.

Aumentar o estoque em 40%, como planeja pelo menos um dos grandes importadores, representa uma aposta forte no consumo. Câmbio, juros, capacidade de pagamento das famílias, bem como nível de descontos praticados em novembro vão determinar se esse vinho sai rapidamente dos centros de distribuição ou permanece mais tempo parado.

Ainda assim, os números mostram que o setor está apostando em uma Black Friday forte. E o melhor termômetro deve aparecer antes do dia 27 de novembro. Será preciso acompanhar o volume de vinhos desembarcado no Espírito Santo entre setembro e outubro, a aceleração das compras de Chile, Argentina e Europa e, depois, o tamanho dos descontos oferecidos ao consumidor.

Se o movimento se confirmar, o vinho reforçará novamente uma característica peculiar da economia capixaba: o Estado importa para o Brasil inteiro e transforma sua vocação logística em negócio muito além de suas próprias fronteiras.

Folha Vitoria

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