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Por Roberta Petrocchi, médica de Família e Comunidade, pós-graduada em Psiquiatria e professora do curso de Medicina da FAESA
Vivemos em um tempo acelerado, superficial e de excessos. Novas necessidades são criadas a todo momento e a comparação é fomentada por meio das redes sociais. Mergulhados em múltiplas demandas e em cobranças de diferentes tipos e níveis, percebemos muitas vezes que estamos vivendo no “piloto automático”, sem pausas, sem respiros e sem descanso. Tal cenário contribui fortemente para o boom de transtornos mentais nos últimos anos: insônia, ansiedade, depressão, burnout, prejuízos na concentração e na memória fazem parte da realidade da maioria dos Brasileiros.
Tendo consciência de que tais transtornos são multifatoriais e que o estilo de vida está diretamente relacionado à sua manifestação, mas também à sua remissão, torna-se necessário, mesmo que desafiador, retornarmos a hábitos naturais e ancestrais. Hoje temos segurança científica que nos respalda a prescrever e praticar hábitos esquecidos pelas últimas gerações, como exposição à luz solar regularmente, ter momentos de conexões sociais de qualidade, priorizar uma alimentação in natura ou minimamente processada, ter uma rotina ativa com o corpo em movimento no dia a dia.
Reduzir o uso de telas e luzes brancas principalmente ao fim do dia, além de criar o hábito de praticar atividades de relaxamento, como práticas meditativas, atividades de mindfulness, ioga, oração e atividades manuais, nos ajudam a gerenciar o estresse e contribuem para melhora da saúde mental e bem-estar.
É importante lembrar que o ser humano é biologicamente um ser gregário, por isso, quando possui senso de pertencimento e propósito, fica naturalmente melhor emocionalmente. Além disso, quando fomentamos uma cultura de cooperação e motivação temos comprovadamente uma melhor regulação dos níveis de estresse do organismo.
Por fim, e não menos importante, precisamos lembrar do hábito mais essencial da nossa natureza: a respiração! Parar por alguns segundos para fazer respirações conscientes é fundamental para nossa autorregulação e para nos lembrar que nosso ritmo fisiológico é diferente deste que nos tem sido imposto.
Fonte: Folha Vitória