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A agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou um novo medicamento para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), uma doença genética rara que provoca perda progressiva de força e de massa muscular.
O medicamento, chamado Isembyld, tem como princípio ativo o apitegromab-mstn e poderá ser utilizado por adultos e crianças a partir de 2 anos que já fazem tratamento direcionado ao gene SMN2.
A aprovação, porém, também chama atenção por outro motivo. A mesma substância está sendo estudada como uma possível estratégia para reduzir a perda de massa muscular durante o emagrecimento provocado pela tirzepatida, princípio ativo de medicamentos como o Mounjaro, conhecido como caneta emagrecedora.
Um estudo de fase 2 publicado na revista científica Nature Medicine apresentou resultados iniciais sobre a preservação da massa magra.
Medicamento atua diretamente sobre o músculo
A atrofia muscular espinhal é provocada por alterações genéticas que comprometem a produção de uma proteína necessária à sobrevivência dos neurônios responsáveis pelos movimentos.
À medida que a doença progride, a perda da função muscular pode dificultar atividades como sentar, caminhar e até respirar.
Os tratamentos já disponíveis para a AME atuam principalmente sobre a causa genética da doença, aumentando a produção da proteína necessária para a preservação dos neurônios motores. O apitegromab segue outro caminho.
A substância bloqueia a ativação da miostatina, uma proteína que funciona como um regulador natural do crescimento muscular. A proposta é favorecer a capacidade dos músculos e, consequentemente, contribuir para a função motora.
Assim, o medicamento atua como complemento às terapias que já interferem no mecanismo genético da doença.
Estudo envolveu 188 pacientes
A decisão da FDA foi baseada em um estudo que acompanhou 188 pacientes com idades entre 2 e 21 anos. Todos tinham AME, apresentavam limitações para se movimentar de forma independente e já utilizavam uma terapia direcionada ao gene SMN2.
Os participantes receberam apitegromab ou placebo por meio de infusão intravenosa, uma vez a cada quatro semanas, durante 52 semanas.
Na principal análise, que considerou 156 crianças entre 2 e 12 anos, os resultados apontaram diferença entre os grupos. Entre aqueles que receberam a dose de 10 mg/kg do medicamento, 34,2% apresentaram melhora clinicamente significativa da função motora, contra 13,5% entre os que receberam placebo.
Como ocorre com outros medicamentos, também foram observados eventos adversos. Entre os mais frequentes estavam infecções das vias respiratórias superiores, vômitos, tosse, dor de cabeça, gastroenterite e faringite.
A FDA também incluiu alertas relacionados ao risco de fraturas e a cuidados durante a gravidez, devido ao potencial de danos ao feto.
Qual a relação com as canetas emagrecedoras?
A relação com a tirzepatida está ligada a uma questão que ganhou espaço com a popularização dos medicamentos usados para emagrecimento: a perda de peso pode envolver não apenas gordura, mas também massa magra, que inclui músculos.
Foi nesse contexto que pesquisadores avaliaram se o apitegromab poderia ajudar a preservar parte dessa massa durante o tratamento com tirzepatida. O estudo EMBRAZE, de fase 2, reuniu 102 adultos com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, em sete centros nos Estados Unidos.
Todos os participantes receberam tirzepatida e metade também recebeu apitegromab, enquanto a outra metade recebeu placebo.
Depois de 24 semanas, a quantidade total de peso perdida foi semelhante entre os grupos. A diferença apareceu na composição dessa perda: quem recebeu o apitegromab perdeu, em média, 1,9 quilo a menos de massa magra.
De acordo com os pesquisadores, o resultado correspondeu a uma preservação relativa de 54,9% da massa magra.
Resultado ainda precisa de estudos maiores
Apesar dos resultados iniciais, a pesquisa sobre o uso do apitegromab junto à tirzepatida ainda tem limitações.
O estudo teve apenas 102 participantes e acompanhou os voluntários durante 24 semanas. Esse período é considerado limitado para avaliar os efeitos e a segurança da estratégia no longo prazo.
Além disso, o estudo foi financiado pela Scholar Rock, empresa responsável pelo desenvolvimento do apitegromab, que também participou do processo de desenvolvimento e análise da pesquisa.
Por isso, os resultados devem ser interpretados dentro do contexto do estudo e não significam que o medicamento já possa ser utilizado para evitar perda muscular durante o emagrecimento.
*Com informações do Metrópoles.
Fonte: Folha Vitória