Envelhecer faz parte da vida. Assim como os cabelos ficam brancos e a pele perde elasticidade, os rins também passam por mudanças naturais com o passar dos anos. A boa notícia é que esse envelhecimento não significa, obrigatoriamente, desenvolver doença renal.
Na prática clínica, percebo que muitas pessoas confundem envelhecimento fisiológico com doença, enquanto outras acreditam que perder a função dos rins é inevitável. Nenhuma das duas ideias está correta.
O envelhecimento dos rins é natural, mas a doença renal não
Os rins funcionam como dois filtros que trabalham ininterruptamente desde o nascimento. Todos os dias, filtram grandes volumes de sangue, eliminam toxinas, regulam a quantidade de água e sais minerais do organismo, ajudam no controle da pressão arterial e participam da produção de hormônios importantes.
É natural que, após décadas de funcionamento contínuo, ocorra uma redução gradual da capacidade de filtração. Esse processo costuma ser lento e, quando não está associado a outras doenças, não necessariamente compromete a qualidade de vida.
Hábitos podem acelerar a perda da função renal
O problema surge quando o envelhecimento natural dos rins é acelerado por fatores que podem ser prevenidos ou controlados. Estão entre os fatores que podem prejudicar a saúde renal:
Uso frequente de anti-inflamatórios;
Episódios repetidos de desidratação.
Por isso, cuidar dos rins não deve ser uma preocupação apenas na velhice. A preservação da função renal começa com o controle desses fatores ao longo de toda a vida.
Uma creatinina normal nem sempre significa rins saudáveis
Outro ponto que merece atenção é a interpretação dos exames. Muitas pessoas acreditam que uma creatinina dentro dos valores de referência significa, obrigatoriamente, que os rins estão funcionando normalmente. Nem sempre é assim.
Com o avanço da idade, ocorre redução da massa muscular, o que pode influenciar os níveis de creatinina no sangue. Por isso, atualmente, os médicos utilizam fórmulas que estimam a taxa de filtração glomerular e analisam os resultados em conjunto com outros dados clínicos e laboratoriais.
A avaliação individualizada é fundamental, especialmente entre pessoas mais velhas, para diferenciar uma alteração relacionada ao envelhecimento de uma doença renal.
A idade não determina a saúde dos rins
Na prática clínica, é possível encontrar pessoas idosas com excelente função renal porque mantiveram a pressão arterial e o diabetes sob controle, adotaram hábitos saudáveis e fizeram acompanhamento médico regular.
Da mesma forma, pessoas relativamente jovens podem apresentar doença renal avançada em consequência de fatores de risco que permaneceram sem controle durante anos. Isso demonstra que a idade, isoladamente, não determina o futuro dos rins.
Como preservar a função renal ao longo da vida
A medicina evoluiu e hoje existem estratégias capazes de retardar significativamente a perda da função renal. São medidas fundamentais:
Controlar adequadamente a pressão arterial;
Praticar atividade física regularmente;
Manter uma alimentação equilibrada;
Utilizar medicamentos somente com orientação médica são medidas fundamentais.
Também é importante manter o acompanhamento de saúde mesmo quando não existem sintomas. Muitas doenças renais evoluem de forma silenciosa e só são identificadas por meio de exames.
Envelhecer é inevitável. Desenvolver doença renal não é. Preservar a saúde dos rins depende, em grande parte, das escolhas feitas ao longo da vida e do controle adequado dos fatores de risco.
Cuidar dos rins desde cedo significa preservar autonomia, qualidade de vida e independência por muitos anos.
Folha Vitória