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O dia 27 de julho marca o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. No Brasil, essa data integra a campanha Julho Verde, uma mobilização voltada à informação, prevenção, diagnóstico precoce e orientação da população sobre tumores que podem atingir boca, língua, garganta, laringe, faringe, seios paranasais, glândulas salivares, tireoide, pele da face e região cervical.
Apesar de muita gente ainda associar câncer apenas a órgãos mais conhecidos, como pulmão, mama ou intestino, os tumores de cabeça e pescoço têm grande impacto na saúde pública. Globalmente, esse grupo de doenças está entre os cânceres mais frequentes, com cerca de 940 mil novos casos e 480 mil mortes ao ano.
No Brasil, estimativas divulgadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, com base em dados do INCA, apontaram previsão de 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço em 2025.
Esses tumores são importantes não apenas pela frequência, mas também pelas consequências. A região da cabeça e do pescoço concentra funções essenciais: fala, mastigação, deglutição, respiração, olfato, paladar, audição e expressão facial. Por isso, quando o diagnóstico é tardio, o tratamento pode ser mais complexo e deixar sequelas funcionais, estéticas e emocionais.
Fatores de risco e sinais de alerta
Os principais fatores de risco são:
Consumo excessivo de álcool;
Exposição solar sem proteção;
Próteses dentárias mal adaptadas;
Exposição ocupacional a algumas substâncias.
O cigarro e o álcool, quando associados, aumentam muito o risco, especialmente para tumores da boca, faringe e laringe. Já o HPV tem papel crescente nos tumores da orofaringe, principalmente aqueles que acometem amígdalas e base da língua.
A campanha Julho Verde procura justamente levar essa informação para fora dos consultórios. A proposta é simples: reconhecer sinais suspeitos, reduzir fatores de risco e buscar atendimento cedo. Em câncer de cabeça e pescoço, tempo não é detalhe. É prognóstico.
Entre os sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam em até duas semanas, manchas brancas ou avermelhadas persistentes, rouquidão por mais de 15 dias, dor ou dificuldade para engolir, sensação de corpo estranho na garganta, caroço no pescoço, sangramentos sem causa evidente, perda de peso inexplicada, dor persistente na orelha sem alteração aparente no exame da orelha e obstrução nasal unilateral persistente, especialmente quando acompanhada de sangramento.
Um exemplo comum é o paciente que apresenta rouquidão prolongada e atribui tudo ao uso excessivo da voz, refluxo ou “gripe mal curada”. Muitas vezes, é isso mesmo. Mas quando a rouquidão persiste, principalmente em fumantes ou ex-fumantes, a laringe precisa ser examinada. Outro exemplo é a afta que “não vai embora”. Afta comum costuma doer e cicatrizar. Lesão indolor, endurecida e persistente na língua ou na boca precisa de avaliação especializada.
Como é feito o diagnóstico?
As possibilidades diagnósticas mais prováveis dependem do local da suspeita. Lesões na boca podem ser avaliadas por exame clínico detalhado, inspeção com boa iluminação, palpação da língua, assoalho da boca, gengivas e mucosas, além de biópsia quando necessário.
Alterações na garganta e na laringe geralmente exigem videolaringoscopia, exame realizado com fibra óptica para visualizar fossas nasais, faringe e laringe.
Nódulos no pescoço podem precisar de ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética e punção aspirativa por agulha fina.
Quando há suspeita de câncer de tireoide, a ultrassonografia cervical e a punção dos nódulos suspeitos são ferramentas centrais. Em tumores mais avançados, exames de imagem ajudam a avaliar extensão local, linfonodos e possíveis metástases.
O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou combinações dessas modalidades. A escolha depende do tipo de tumor, localização, estágio da doença, idade, condição clínica e impacto funcional esperado. Em muitos casos, o cuidado ideal exige equipe multidisciplinar, com otorrinolaringologista, cirurgião de cabeça e pescoço, oncologista, radioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, dentista e psicólogo.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia
As ações necessárias começam antes do diagnóstico. Parar de fumar é uma das medidas mais importantes. Reduzir ou evitar álcool, manter boa saúde bucal, usar preservativo e vacinação contra HPV conforme indicação, proteger-se do sol e consultar regularmente profissionais de saúde são atitudes com impacto real.
O Julho Verde também reforça uma mensagem essencial: câncer de cabeça e pescoço não deve ser lembrado apenas em julho. A campanha é um alerta anual, mas os sinais do corpo podem aparecer em qualquer mês.
No dia 27 de julho, a grande mensagem é esta: ferida que não cicatriza, rouquidão persistente, caroço no pescoço e dificuldade para engolir não devem ser postergados. Quando descobertos cedo, muitos tumores de cabeça e pescoço têm maior chance de controle, tratamentos menos agressivos e melhor preservação da fala, da deglutição, da respiração e da qualidade de vida.
Informação, nesse caso, não é apenas conhecimento. É uma forma de tratamento que começa antes mesmo da primeira consulta.
Fonte: Folha Vitória