Foto: Thiago Soares/Folha Vitória
*Artigo escrito por Rodrigo Laranja, diretor executivo da Portocale
Quem acompanha a evolução das cidades sabe que a valorização imobiliária nunca acontece por acaso. Ela é consequência de um conjunto de fatores que, ao longo do tempo, tornam um município mais preparado para receber pessoas, empresas e investimentos.
Planejamento urbano, infraestrutura, mobilidade, segurança jurídica, desenvolvimento econômico e qualidade de vida caminham juntos e, quando esses elementos estão presentes, o mercado naturalmente reconhece esse valor.
Os números divulgados pelo Índice FipeZAP reforçam essa percepção. Vitória passou a liderar o ranking nacional entre as capitais com o metro quadrado mais valorizado do país, enquanto Vila Velha apresentou a maior valorização imobiliária entre todas as cidades analisadas nos últimos doze meses.
Mais do que uma boa notícia para o setor, esses indicadores mostram que o Espírito Santo vive um momento de maturidade e consolidação.
Esse desempenho não pode ser interpretado só como um aumento no preço dos imóveis. Ele representa a confiança de quem escolhe investir, empreender ou construir sua história em nossas cidades.
É um reconhecimento de que o Estado tem conseguido criar um ambiente favorável ao desenvolvimento, oferecendo estabilidade, capacidade de planejamento e uma qualidade de vida que se tornou um diferencial competitivo.
O mercado imobiliário costuma antecipar movimentos econômicos. Quando investidores apostam em uma região, eles não olham apenas para o presente. Avaliam o potencial de crescimento, a infraestrutura disponível, a geração de empregos, a expansão dos serviços e a capacidade daquela cidade de continuar evoluindo nos próximos anos.
Nesse aspecto, o Estado reúne características que despertam cada vez mais interesse de investidores de diferentes regiões do país.
Esse crescimento, no entanto, também traz responsabilidades. Valorizar imóveis é importante, mas valorizar cidades é ainda mais.
Precisamos continuar investindo em projetos urbanos que promovam desenvolvimento de forma equilibrada, preservem os espaços ambientais, incentivem a mobilidade e aproximem moradia, comércio, serviços e lazer.
A cidade contemporânea exige soluções integradas, capazes de oferecer praticidade sem abrir mão da qualidade de vida.
Esse conceito também transforma a maneira como pensamos os empreendimentos. Hoje, não basta entregar um imóvel. É preciso criar espaços que dialoguem com a cidade, contribuam para a ocupação inteligente do território e ofereçam ambientes preparados para as necessidades das famílias, dos negócios e das futuras gerações.
O mercado mudou porque as pessoas também mudaram. Elas buscam mais conveniência, mais áreas de convivência, mais sustentabilidade e mais conexão com o entorno.
Outro aspecto que merece destaque é o impacto dessa valorização para toda a economia. A construção civil movimenta uma extensa cadeia produtiva, gera milhares de empregos, estimula fornecedores, fortalece o comércio e amplia a arrecadação dos municípios.
Quando o setor cresce de forma organizada, os benefícios ultrapassam os limites dos empreendimentos e alcançam toda a sociedade.
Vejo esse momento com entusiasmo, mas principalmente com responsabilidade. Os resultados que comemoramos hoje são fruto de decisões tomadas ao longo dos últimos anos e precisam ser acompanhados por uma visão de longo prazo.
O desafio não é apenas manter os índices de valorização, mas garantir que esse crescimento continue sendo sustentável, inclusivo e planejado.
Devemos enxergar esses números como um convite para seguir construindo cidades cada vez melhores.
O verdadeiro patrimônio de uma região não está apenas no valor dos seus imóveis, mas na capacidade de oferecer oportunidades, bem-estar e qualidade de vida para quem escolhe viver, trabalhar e investir nela.
Fonte: Folha Vitoria