Foto: Centrorochas/Divulgação
O governo dos Estados Unidos impôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros não contemplados em lista de exceções, como resultado da investigação da Seção 301 do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), relacionada ao trabalho forçado. As rochas naturais brasileiras estão entre os produtos atingidos. O setor é um dos mais importantes da economia do Espírito Santo.
A decisão foi acompanhada pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), entidade que representa o setor e atuou formalmente no processo, apresentando defesa técnica perante o USTR.
Impacto varia conforme o tipo de rocha
A nova alíquota se soma à tarifa adicional de 25% já em vigor desde 22 de julho de 2026, gerando diferentes níveis de tributação segundo a classificação tarifária de cada produto.
Os quartzitos brasileiros, classificados no código HTSUS 6802.99.00, estavam excluídos da tarifa de 25% anterior. Com a nova decisão, passam a estar sujeitos somente à alíquota de 12,5%.
Já granitos, mármores e ardósias não integram a lista de exceções. Esses materiais passam a acumular as duas tarifas, totalizando uma sobretaxa adicional de 37,5%.
Setor já registrava queda expressiva nas exportações
Entre agosto e dezembro de 2025, após a entrada em vigor da primeira tarifa adicional de 25%, as exportações brasileiras de granitos e mármores para os EUA registraram queda de aproximadamente 55%.
Granitos, mármores e ardósias são os segmentos que historicamente lideraram as exportações brasileiras em volume. São também os que concentram o maior potencial de recuperação no mercado norte-americano, segundo a Centrorochas.
A nova elevação da carga tarifária tende a ampliar, segundo a associação, as dificuldades para a retomada da competitividade desses materiais frente aos concorrentes internacionais, de acordo com a entidade.
De acordo com a Centrorochas, há cerca de dez anos, o Espírito Santo, maior estado exportador de rochas naturais do Brasil e responsável por mais de 80% das exportações nacionais do setor, embarcava aproximadamente 3.500 contêineres por mês. Hoje, esse volume gira em torno de 2.500 contêineres mensais.
A redução é atribuída à perda gradual de competitividade provocada por fatores como o aumento dos custos logísticos, gargalos de infraestrutura, custos portuários e demais entraves associados ao chamado Custo Brasil.
Ainda de acordo com a Centrorochas, ao longo desse período, o crescimento das exportações de quartzitos permitiu compensar parte dessa redução de volume. Por apresentarem maior valor agregado, esses materiais contribuíram para sustentar a receita do setor, mesmo diante da perda de competitividade dos materiais tradicionais.
“O quartzito foi fundamental para manter o desempenho do setor, mas ele não substituiu todo o potencial perdido pelos granitos e mármores. O cenário ideal seria manter a competitividade dos materiais tradicionais e, ao mesmo tempo, incorporar o crescimento dos quartzitos”, explica Tales Machado, presidente da Centrorochas.
Se essa competitividade tivesse sido preservada ao longo da última década, somando-se ao crescimento dos quartzitos, o setor poderia estar exportando atualmente cerca de US$ 2 bilhões por ano, acima dos aproximadamente US$ 1,5 bilhão registrados em 2025.
Centrorochas defendeu setor durante investigação
Ao longo do processo investigativo, a Centrorochas se manifestou perante o USTR. A entidade apresentou defesa técnica demonstrando que a cadeia produtiva nacional não possui vínculo com práticas de trabalho forçado.
A associação reforçou o compromisso das empresas brasileiras com a legislação, as normas trabalhistas e os padrões internacionais de conformidade.
A Centrorochas informou que seguirá atuando de forma coordenada no Brasil e internacionalmente. A entidade trabalha em parceria com o governo federal, empresas do setor e a Natural Stone Institute (NSI), contraparte institucional nos Estados Unidos.
Fonte: Folha Vitoria