O comércio varejista é um dos principais motores da economia capixaba, sendo responsável por cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo. No terceiro trimestre de 2025, o varejo movimentou cerca de R$ 22 bilhões, enquanto os serviços, R$ 14 bilhões. (Dados: Fecomércio)
Por que isso importa: o comércio se consolidou como uma das maiores fontes de renda e oportunidades para a população capixaba, colaborando diretamente com o fortalecimento da economia local.
Ambiente capixaba favorece o comércio
Somente no primeiro semestre deste ano, a expectativa é de que a economia capixaba movimente quase R$ 100 bilhões.
Segundo Rogério Alcântara, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o ambiente econômico positivo, com equilíbrio das contas públicas e bons índices de emprego, favorece o fortalecimento do comércio.
Ele destaca que, embora seja o ponto de contato entre produtos e consumidores, o comércio movimenta uma cadeia econômica muito maior.
O comércio é um grande elo entre a indústria, os serviços e o consumidor. Ele conecta toda essa cadeia, faz a informação circular e movimenta diversos segmentos da economia ao mesmo tempo.
Rogério Alcântara, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL)
Entre os setores impulsionados pelo varejo estão:
Com 53 anos de história, o Mercadão é um exemplo de empresa que cresceu junto com a economia capixaba. Fundada em Colatina por cinco sócios, a empresa começou vendendo retalhos e hoje possui lojas em diversas cidades, com foco em vestuário, calçados, cama, mesa, banho e utilidades.
Temos orgulho de ser uma empresa 100% capixaba e de crescer junto com o Espírito Santo. Sempre buscamos valorizar fornecedores locais porque isso fortalece toda a economia do Estado.
Israel Guariento, diretor executivo do Mercadão
Experiência mantém lojas físicas em alta
Mesmo com o crescimento do comércio eletrônico, as lojas físicas continuam sendo importantes para o número de vendas
Para Rogério Alcântara, isso acontece porque a experiência de compra presencial ainda faz diferença para os consumidores.
“O cliente quer tocar o produto, experimentar uma roupa, sentir o perfume, conversar com o vendedor. A tecnologia é uma aliada, mas ela deve servir para aproximar o consumidor da loja, onde acontece essa experiência.”
Em números: segundo estudo da plataforma Tiendeo, 42% dos brasileiros acreditam que as lojas físicas oferecem uma experiência melhor e mais satisfatória do que as lojas online.
Além das vendas, o dirigente destaca que o comércio também exerce um papel social, promovendo relacionamentos e fortalecendo os vínculos entre comerciantes e clientes.
Comércio abre portas para o primeiro emprego
O setor também é conhecido por oferecer oportunidades para quem está começando a vida profissional.
Foi assim com a supervisora do Mercadão, Euzeni Loubach. Ela iniciou a carreira no comércio ainda em Colatina e, ao chegar à Grande Vitória, entrou no grupo em 2003 como vendedora temporária para trabalhar apenas durante o fim de ano.
A contratação, que seria de apenas 30 dias, transformou-se em uma carreira de mais de duas décadas. Depois de atuar como vendedora e operadora de caixa, tornou-se gerente e, desde 2017, ocupa a função de supervisora, acompanhando unidades em municípios da Grande Vitória e do interior do Estado.
“O comércio abre portas para muita gente. É uma grande fonte de primeiro emprego e muitos acabam permanecendo porque realmente gostam desse ambiente, que é dinâmico e oferece oportunidades de crescimento”, afirma.
A trajetória também se repete com a vendedora Letícia Ribeiro, de 23 anos. O primeiro emprego dela foi no comércio, experiência que ajudou a superar a timidez e desenvolver habilidades de comunicação.
“Trabalhar com o público me ajudou muito. Hoje tenho muito mais facilidade para conversar com as pessoas”, conta.
Expansão e valorização da economia local
Com um papel de destaque na economia capixaba, o comércio varejista segue expandindo.
O Mercadão, por exemplo, prepara a abertura de dez novas lojas entre este ano e o início do próximo, com foco em municípios do interior do Espírito Santo. Israel destaca que, mesmo com a expansão, o foco é continuar trabalhando com uma cadeia produtiva capixaba.
“Se você pegar o crescimento do Espírito Santo nos últimos 25 anos, ele acompanha muito o nosso crescimento. Nada melhor do que ter uma cadeia produtiva, na sua maior parte, capixaba. Esse é o nosso orgulho”, aponta o diretor executivo
Para especialistas e empresários do setor, esse efeito multiplicador explica por que o comércio continua sendo um dos pilares do desenvolvimento econômico capixaba, movimentando desde a indústria e a logística até os serviços, a tecnologia e o mercado de trabalho.
O comércio vai muito além da venda de produtos. Ao conectar consumidores, indústrias, prestadores de serviços e fornecedores, o setor impulsiona diferentes áreas da economia, gera oportunidades de trabalho e contribui para o desenvolvimento dos municípios capixabas.
Com novas perspectivas de expansão e investimentos no Estado, empresários e representantes do setor reforçam que o fortalecimento do comércio também significa estimular toda a cadeia produtiva.
Fonte: Folha Vitoria