Em 25 de julho de 1978, nasceu no interior da Inglaterra uma menina chamada Louise Joy Brown. O nome do meio — Joy, que significa alegria em inglês — foi sugerido pelo próprio médico Patrick Steptoe, satisfeito com o resultado de anos de pesquisa. Louise pesava 2,6 kg e era perfeitamente saudável. O que tornava seu nascimento histórico: ela foi o primeiro ser humano concebido fora do corpo da mãe, por meio da técnica que hoje conhecemos como fertilização in vitro, a FIV.
Sua mãe, Lesley Brown, tinha uma obstrução nas trompas de Falópio que impedia a gravidez natural. O casal tentava ter filhos há mais de nove anos. A FIV foi a solução que a ciência encontrou para contornar esse obstáculo: o óvulo foi retirado, fertilizado em laboratório com o espermatozoide do marido e, após alguns dias, o embrião foi transferido para o útero.
Por que tanta gente precisa desse recurso?
Importante saber: em aproximadamente 35% dos casos, o problema está na mulher; em outros 35%, no homem; e em 20%, em ambos. Por isso, a investigação deve ser feita pelo casal, nunca apenas por uma das partes.
Como funciona o tratamento na prática?
A FIV é indicada principalmente quando há obstrução das trompas, endometriose grave, fator masculino severo (baixa quantidade ou qualidade dos espermatozoides), falha em tratamentos menos complexos ou quando a mulher tem baixa reserva ovariana. O tratamento acontece em etapas:
Estimulação ovariana: a mulher recebe medicamentos hormonais por cerca de 10 a 14 dias para que os ovários produzam múltiplos óvulos ao mesmo tempo.
Punção folicular: os óvulos maduros são retirados por um procedimento feito sob sedação, rápido e indolor.
Fertilização em laboratório: os óvulos são colocados em contato com os espermatozoides. Quando necessário, usa-se a técnica de ICSI, em que o espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo.
Desenvolvimento embrionário: os embriões ficam em incubadoras por 3 a 5 dias, acompanhados por embriologistas.
Transferência embrionária: um ou dois embriões são colocados dentro do útero por um cateter fino. O procedimento é indolor e não exige internação.
Os embriões que não forem transferidos naquele ciclo podem ser congelados para tentativas futuras, sem perda de qualidade.
Quais são as chances de sucesso?
As taxas melhoraram muito desde o nascimento de Louise Brown, quando era necessário centenas de tentativas para um nascimento. Atualmente, em mulheres com até 35 anos, a taxa de nascidos vivos por ciclo iniciado gira entre 50% e 60%. Após os 40 anos, essa taxa cai, mas ainda há alternativas, como o uso de óvulos doados. Muitos casais conseguem resultado na segunda ou terceira tentativa. No Brasil, são realizados cerca de 40 mil ciclos de FIV por ano.
A FIV saiu do campo do desconhecido há muito tempo. No Brasil, personalidades como Ivete Sangalo, Fátima Bernardes, Nanda Costa, Viviane Araújo e Carolina Ferraz falaram publicamente sobre seus tratamentos. Cada história é diferente, mas todas ajudaram a reduzir o estigma em torno do tema e a mostrar que buscar ajuda médica para engravidar é um caminho legítimo e cada vez mais acessível.
Quando procurar um especialista?
A FIV transformou a medicina e abriu portas para milhões de famílias. Se você tem dúvidas, converse com seu médico. A informação é o primeiro passo.
Folha Vitória