Com mais de mil empresas ativas, a indústria moveleira do se consolida como um dos polos produtivos mais relevantes do Espírito Santo .
Dados do Observatório Findes indicam que, em 2023, o setor movimentou mais de R$ 448 milhões e alcançou 6.140 vínculos empregatícios em 2025.
Para Vitor Guidini, sócio-diretor da Cimol Móveis, para se destacar neste mercado é necessário adaptação e inovação. A marca capixaba, fundada como uma produção artesanal de móveis, optou por se especializar na produção de peças para sala de jantar e hoje é referência no setor.
Confira a entrevista completa com Vitor Guidini, sócio-diretor da Cimol Móveis:
A Cimol começou com uma produção artesanal de móveis e hoje é especialista em salas de jantar. Por que essa decisão?
Foi uma decisão estratégica baseada em eficiência. A indústria moveleira exige linhas de produção muito específicas, e quando você mistura diferentes produtos, perde produtividade.
A gente vinha estudando isso há um tempo e identificou que uma linha que representava cerca de 20% do faturamento estava tornando a fábrica menos eficiente.
Decidimos abrir mão dessa fatia no fim de 2024 para nos especializar. Foi uma decisão difícil, mas os resultados de 2025 e início de 2026 mostraram que foi acertada.
Como você avalia a indústria moveleira do Espírito Santo hoje?
O Brasil ainda exporta pouco — cerca de 4% da produção nacional. Existe muito espaço para crescer no mercado internacional.
No Espírito Santo, temos um polo relativamente jovem, com empresas entre 20 e 40 anos, diferente de regiões do Sul e Sudeste que têm indústrias centenárias. Mesmo assim, o polo capixaba é robusto, eficiente e bem visto nacionalmente.
E qual é o papel da eficiência nesse cenário?
A eficiência é questão de sobrevivência. Existem fatores externos que não controlamos — como custo de mão de obra, cenário internacional — então precisamos olhar para dentro da indústria. Ser eficiente é produzir mais com menos ou com os mesmos recursos. Isso envolve tecnologia, processos, gestão e até cultura empresarial. No fim, eficiência significa melhores resultados.
Eficiência é um conjunto de fatores. Pode ser uma máquina mais moderna, um processo mais rápido ou até uma pequena melhoria operacional. A tecnologia tem papel importante, inclusive com a chegada da inteligência artificial, mas eficiência não é só isso. Às vezes, um ajuste simples no fluxo produtivo já gera ganho. É uma construção contínua.
Como está o polo moveleiro capixaba em comparação com outros do Brasil?
Não existe mais essa lógica de ranking entre polos. O Espírito Santo tem um polo menor em número de indústrias, mas muito competitivo. Em Linhares, por exemplo, temos cerca de nove empresas com atuação nacional e internacional. É um polo pequeno, mas robusto, com boa reputação em qualidade e eficiência.
Hoje, o móvel capixaba não perde para nenhum outro do Brasil — e até do exterior. As empresas produzem com qualidade e adaptam seus produtos para diferentes públicos, do mais acessível ao mais sofisticado. Em feiras nacionais, como as de São Paulo, isso fica evidente: o nível é competitivo.
Ainda há espaço para crescimento no setor?
Muito. O crescimento pode vir de várias formas: aumento de ticket médio, novos mercados, mudanças de produto. Mesmo em anos considerados desafiadores, o empresário brasileiro aprendeu a crescer.
Trabalhamos com metas realistas, mas sempre buscando evolução, nem que seja em pequenos percentuais que, no final, fazem diferença.
A falta de mão de obra é um desafio?
Sim, e é um dos principais. Vivemos praticamente pleno emprego, o que dificulta contratações.
Existe também uma questão geracional. Precisamos entender melhor as novas gerações e aproximá-las da indústria. No sindicato, por exemplo, criamos iniciativas para apresentar o setor e suas oportunidades. É um trabalho de longo prazo.
O que o setor moveleiro capixaba precisa para avançar?
O estado está no caminho certo, com investimentos em logística e infraestrutura. Portos e ferrovias são fundamentais para o crescimento. Ainda precisamos de mais agilidade nesses projetos e de um olhar de longo prazo. Mas o cenário é positivo.
Para o setor moveleiro, ainda há desafios, principalmente pela distância de fornecedores de insumos. Por outro lado, o estado oferece benefícios importantes e está avançando em logística. Não temos planos de mudar, mas é essencial acompanhar o mercado e avaliar oportunidades.
Qual o futuro do setor moveleiro? E da Cimol?
A logística será determinante, principalmente para exportação. A chegada de novos portos e rotas pode mudar o patamar do setor. Além disso, o adensamento da cadeia produtiva — com mais fornecedores no estado — tende a reduzir custos e aumentar a competitividade.
A Cimol está na segunda geração e seguimos em processo de sucessão. O futuro depende também das próximas gerações, mas o objetivo é continuar crescendo e, quem sabe, chegar aos 100 anos.
Folha Vitoria