A RD Saúde, responsável pelas drogarias Raia e Drogasil implementou, desde o segundo semestre de 2025, a escala 5×2 em todas as suas mais 3.500 lojas no país, incluindo as unidades sediadas no Espírito Santo.
Segundo o presidente do conselho consultivo do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) e conselheiro da RD Saúde, Antônio Carlos Pipponzi, a estratégia da empresa buscou acompanhar uma tendência mundial, porém, reclama da adoção de cargos de menor hierarquia.
Antônio completou dizendo que a diminuição da jornada de 44 para 40 horas semanais poderá “quebrar” parte das pequenas e médias empresas do setor.
“Para posições como farmacêuticos e gerentes, a escala de 5×2 se adapta muito bem, se adapta melhor. E a gente está trabalhando com essa escala. É uma tendência, uma evolução de mercado”, diz o empresário. “Mas, para trabalhar [com 5×2] em toda a linha abaixo das lideranças, o custo vai ser inflação na veia.”
A presidência da RD Saúde afirma ter conseguido absorver a nova escala, com cinco dias trabalhados e duas folgas na semana, sem aumento de custos. Entretanto, os funcionários continuam trabalhando em 44 horas semanais.
Nas contas da companhia, a redução da jornada semanal para 40 horas poderá significar uma alta de 10% em custos operacionais.
Para Pipponzi, a adoção da escala 5×2 deveria ser facultativa e não imposta por leis.
Isso é um fator de competitividade. Se você deixa sem lei, enquanto a empresa começa a dar a escala 5×2, ela vai estar com os melhores funcionários. Se está com os melhores funcionários, ela vai ser uma empresa melhor. Ou se não fizer isso, pode pagar muito mais pela rotatividade dos funcionários.
Antônio Carlos Pipponzi, presidente do conselho consultivo do IDV e conselheiro da RD Saúde
Pipponzi ainda afirma que “o governo deveria intervir menos e deixar o mercado funcionar.”
A companhia enxerga algumas alternativas para mitigar os custos caso a nova jornada imposta pela lei seja de 40 hora semanas, entre elas está a diminuição do horário de funcionamento de algumas unidades.
“A redução no horário de algumas lojas é indiscutível. Não dá para arcar com aumento de custo de 15% a 20% [sem repassar preços]”, disse Pipponzi, que também critica a proposta de diminuição da jornada semanal.
“Eu não acredito que haja tamanha irresponsabilidade de fazer as duas coisas ao mesmo tempo; é uma bomba-relógio”, disse.
Segundo o conselheiro, a discussão sobre a nova escala é válida, mas não deveria estar acontecendo prestes a uma disputa eleitoral.
“A gente deveria ter, sim, uma implementação gradativa da 5×2 de acordo com o mercado, mas não por imposição”, afirma. “Da forma como está sendo feita, é uma medida eleitoreira.”
*Com informações da Folha de São Paulo
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