Imagem: Aline Gomes/Folha Vitória
Cerca de 781 mil pessoas devem receber o diagnóstico de câncer por ano, até 2028, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). De uma hora para outra, consultas e termos médicos passam a ocupar a rotina dessas pessoas, dividindo a vida entre o antes e o depois.
Como lidar com essa mudança foi um dos temas debatidos durante o segundo dia do4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, realizado no Centro de Convenções de Vitória. O painel “A vida além do câncer” contou com a mastologista Jeane Pissara e a psicóloga Lorranny Guedes, nesta sexta-feira (15).
Para as especialistas do Hospital Santa Rita, enfrentar a doença vai muito além do tratamento clínico. O acolhimento emocional, o suporte psicológico e a forma como o paciente é tratado fazem parte do processo de recuperação.
Se nós, que entendemos de saúde, muitas vezes não temos sabedoria para lidar com um diagnóstico desses, imagina a sociedade.
Jeane Pissara, mastologista do Hospital Santa Rita
Segundo ela, o impacto emocional da descoberta ainda é subestimado, apesar de ser um dos momentos mais delicados de toda a jornada do paciente. Um dos maiores desafios é evitar que a doença passe a definir quem aquela pessoa é.
“O câncer não é a identidade do paciente. O câncer não define ninguém”, reforça. Ela explica que, muitas vezes, a pessoa deixa de ser vista pelo nome, profissão, história ou personalidade e passa a ser reconhecida apenas pela doença, um processo que pode aumentar ainda mais o sofrimento emocional.
O impacto emocional do câncer
A psicóloga Lorranny Guedes, que atua com pacientes oncológicos, explica que o impacto emocional do câncer começa já no momento da confirmação da doença. “Receber o diagnóstico é um trauma”, afirma.
Isso porque, além do medo da morte, o paciente frequentemente enfrenta inseguranças relacionadas ao próprio corpo, à autonomia, ao trabalho e às relações pessoais.
Por isso, o acompanhamento psicológico se torna fundamental desde os primeiros momentos. “É preciso ressignificar desejos e fortalecer o emocional”, explica a especialista.
Entretanto, o sofrimento não atinge apenas quem recebe o diagnóstico e familiares e acompanhantes também precisam de atenção. Em muitos casos, o medo da perda começa antes mesmo de qualquer agravamento clínico, gerando ansiedade, exaustão emocional e sensação de impotência.
“É preciso cuidar do acompanhante, já que muitos sentem o luto precoce”, alerta a psicóloga.
É nesse momento que o acolhimento ganha papel central, pois o paciente precisa sentir que continua sendo ouvido e respeitado para além do diagnóstico. “O acolhimento é uma das ferramentas mais essenciais do tratamento”, destaca Jeane.
A esperança também faz diferença durante o tratamento, segundo a especialista. Para ela, manter perspectivas de futuro, vínculos afetivos e projetos de vida ajuda diretamente na adesão terapêutica e na qualidade de vida.
O paciente precisa ter esperança. O acompanhante precisa ter esperança. É essa esperança que faz com que ele tenha força para continuar o tratamento.
Jeane Pissara, mastologista do Hospital Santa Rita
Congresso debate fortalecimento da oncologia
O 4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita reuniu, entre os dias 14 e 15 de maio, especialistas e profissionais da saúde para discutir avanços, desafios e estratégias no cuidado oncológico.
A programação incluiu palestras, simpósios, mesas-redondas e sessões científicas. O objetivo do evento foi criar um ambiente de troca de experiências entre profissionais da oncologia, pesquisadores e gestores da área da saúde.
Fonte: Folha Vitória