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Saúde

Produtos da Ypê: médicos explicam sintomas e doenças causados por bactéria encontrada

A maior preocupação, segundo os especialistas, é a dificuldade no tratamento de infecções causadas pela bactéria


Anvisa suspende venda e proíbe uso de produtos Ypê. Foto: Divulgação/ Ipê

O recolhimento de dezenas de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) gerou preocupação entre consumidores sobre os riscos da bactéria Pseudomonas aeruginosa à saúde humana.

A maior preocupação, segundo os especialistas, é a dificuldade no tratamento de infecções causadas pela bactéria, pelo fato de ser resistente a antibióticos.

Segundo a médica infectologista, Rúbia Miossi, a pseudomas possui a capacidade de crescer dentro de alguns detergentes, especialmente aqueles de nível hospitalar.

De acordo com ela, o perigo está no fato do contato de pessoas com baixa imunidade com a bactéria, pois esses pacientes são considerados mais vulneráveis a desenvolver infecções. Fora isso, o patógeno não apresenta grandes riscos a pessoas saudáveis.

A especialista relata que a presença da bactéria nos produtos é um indicador de que não foram seguidas boas práticas de higiene para a produção dos itens contaminados.

A gente espera que um produto de limpeza seja capaz de eliminar os microorganismos. Se ela é resistente a esse tipo de detergente, porque ela sobrevive ali, ela contamina os materiais. Imagine uma mãe que usa um detergente para lavar a mamadeira de um recém-nascido. Como está contaminado, pode gerar uma contaminação da criança.

Rúbia Miossi, infectologista

Isso acontece porque ao utilizar o produto, o consumidor espalha a bactéria para outros lugares, pensando estar limpando a casa, o que é a maior preocupação da Anvisa, segundo a especialista.

“Imagine, você lavar as mãos com um material desses, que tem a pseudomonas, você esfrega os olhos e pode ter uma conjuntivite. Você lava um copo, vai ter contato. Esse é o grande contexto, mas principalmente para que tem baixa imunidade, pode ter infecção urinária, respiratória, existe pneumonia por essa bactéria. Não que eu ache que um detergente com ela vá causar pneumonia”, explicou.

Segundo a médica, casos mais extremos como as pneumonias, geralmente são causadas em infecções hospitalares. Isso porque a bactéria tem facilidade para sobreviver na água e no solo, o que pode facilitar, por exemplo, que infecte a água de um tubo respiratório de algum paciente.

A médica explica ainda que os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, desde infecções na pele, respiratórias, no trato urinário e até mesmo uma infecção generalizada em pacientes já debilitados e com baixa imunidade.

“É uma bactéria que vive no ambiente, mas enquanto estiver no ambiente dela, não tem risco para a gente. É risco para pessoas com imunidade baixa, como pessoas em quimioterapia, em pessoas em tratamento reumatológico, pessoas com AIDS ou bebês recém-nascidos”, disse.

Problemas na pele: observe as mãos

O infectologista Paulo Peçanha reforça que é preciso ficar atento à pele, principalmente às mãos, uma vez que são as partes do corpo que mais entram em contato com os produtos.

Ele relata que pessoas com casos como diabetes e câncer, devem se proteger no dia a dia contra patógenos, seja eles quais forem.

“É preciso perceber lesões nas mãos. Por exemplo, você tem uma lesão e depois de usar o produto, percebe que ela está mais profunda, porque a bactéria pode causar um agravamento dessa lesão, ela é oportunista”, afirmou.

Apesar disso, o médico esclarece que a bactéria não costuma afetar qualquer pessoa e assim, como explicou Miossi, pessoas sadias não devem se contaminar.

Quando é hora de procurar um médico

O especialista alerta que pessoas imunodeprimidas devem sempre estar em contato com seus médicos, mas que sinais de alerta para infecções respiratórias devem sempre levar em conta fatores comuns.

São eles, sintomas como tosse, dificuldade para respirar e prostração. Sendo causado por pseudomas ou não, a pessoa deve procurar ajuda médica.

“O mesmo caso nos rins, uma infecção urinária por germes mais comuns já é preocupante, uma por essa bactéria é a mesma coisa. E em casos de lesão na pele, a pessoa deve procurar uma avaliação o mais rápido possível”, disse.

O especialista recomenda que pessoas que adquiriram produtos do lote terminado com 1 devem procurar a empresa para que os itens sejam devolvidos e descartados da forma correta.

Folha Vitória

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