Já pensou ter um sistema autônomo de energia em casa, que dura 24 horas, 48 horas, três dias sem depender da rede? Uma empresa capixaba aposta nesse novo segmento para escalar ainda mais no setor de energia do país. A capixaba Fotus, que já tem distribuição de sistemas fotovoltaicos em todo país, passou a comercializar sistemas autônomos e de reserva de energia. Por motivos estratégicos a empresa não fala sobre quantidade de vendas em 2025. No entanto, já projeta crescimento de 20% neste ano. É um início de demanda que pode e deve escalar bastante em um futuro próximo.
O pacote do sistema de energia custa a partir de R$ 14 mil, com retorno estimado em quatro anos. Ou seja, no período de uma Copa do Mundo para outra, ele se paga só com a economia. Os números ajudam a explicar por que os sistemas autônomos e de reserva de energia começaram a sair da margem e entrar, de fato, no radar do consumidor.
O avanço não é aleatório. Ele vem na esteira de um problema cada vez mais presente: a instabilidade no fornecimento de energia. Episódios recentes em São Paulo, por exemplo, reforçaram uma percepção que já vinha se formando. Não basta mais gerar energia, é preciso garantir continuidade. Nesse contexto, os sistemas com baterias ganham espaço no país. Como resume Breno Venturim, head de supply chain da Fotus, “essas soluções vêm ganhando cada vez mais relevância, impulsionadas principalmente pela busca por maior autonomia e segurança energética”.
O ponto mais importante é que não se trata apenas de energia solar e autonomia energética. Trata-se de uma mudança de lógica. O consumidor deixa de ser dependente da rede e passa a ter controle sobre geração, armazenamento e consumo. Energia deixa de ser apenas despesa e passa a ser estratégia.
É nesse movimento que empresas mais atentas começam a se posicionar. A capixaba Fotus percebeu esse deslocamento antes da maioria e já estruturou um portfólio de soluções. Hoje, atende desde residências até aplicações comerciais e industriais, com inversores híbridos que variam de 3 kW a 75 kW e diferentes configurações de baterias.Tudo dimensionado conforme a necessidade de cada projeto.
Isso amplia o escopo do negócio. Não se trata mais de vender equipamento, mas de entregar solução integrada. Geração distribuída, armazenamento e monitoramento passam a funcionar como um sistema único, com gestão inteligente de carga e consumo. “As tecnologias de armazenamento passam a ocupar um papel estratégico, permitindo a integração com a geração solar e ampliando a resiliência energética dos projetos”, afirmou Venturim.
Do lado do consumidor, o vetor é claro: previsibilidade. Em um ambiente de tarifas voláteis, a possibilidade de controlar custos e reduzir exposição ao sistema elétrico tradicional passa a ser um diferencial relevante. Soma-se a isso o avanço do crédito para energia solar, que já viabiliza uma parcela importante dos projetos.
Do lado das empresas, o movimento aponta para consolidação. O setor caminha para um ambiente mais profissionalizado, em que escala, eficiência logística e portfólio tecnológico robusto fazem diferença. Nesse cenário, soluções híbridas e sistemas de armazenamento tendem a ganhar protagonismo ao longo de toda a cadeia.
O próximo passo já começa a aparecer. A integração com a eletromobilidade entra no radar, conectando geração solar ao carregamento de veículos elétricos. É uma expansão natural, que amplia o conceito de autonomia energética para além da casa.
Folha Vitoria