O Espírito Santo registrou um salto de 179% na concessão de crédito com garantia de imóvel pelo Santander Brasil em 2025, totalizando R$ 23 milhões liberados. Os valores são pequenos, comparados a uma carteira com potencial que pode chegar perto de R$ 1 bilhão. Não há números oficiais sobre isso para o ES. Porém, o crescimento percentual de três dígitos de um banco privado acende uma luz. Está aí um novo potencial modelo de captação de recursos.
Principalmente porque o crescimento contrasta com a média do mercado local, que avançou 15%. Os números colocam o Estado entre os destaques da estratégia do banco. No Brasil, essa modalidade movimentou R$ 10,8 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Enquanto isso o Santander dobrou sua produção, alcançando R$ 2,7 bilhões e 25% de participação nacional.
Não se trata apenas de uma expansão de crédito. Trata-se de uma mudança de comportamento financeiro. O capixaba começa a trocar linhas caras — como crédito pessoal e rotativo — por uma estrutura mais inteligente, de longo prazo, usando o imóvel como alavanca. Ou seja, o crédito muda de consumo para o crédito estratégico.
Na prática, o que acontece é uma sofisticação do tomador de crédito. Em vez de recorrer a soluções emergenciais, cresce o uso do patrimônio imobiliário como ferramenta de planejamento financeiro. Do mesmo modo, isso aproxima o Espírito Santo de economias mais maduras, onde o crédito com garantia é base para expansão de negócios e reorganização financeira.
Outro sinal relevante é o perfil de uso. Essa linha, com prazos de até 20 anos e taxas a partir de 1,12% ao mês, começa a ser utilizada não só para quitar dívidas. Também vai para empreender, reformar ou reinvestir. Ou seja, o crédito deixa de ser apenas sobrevivência e passa a ser vetor de crescimento.
Ganhos e mais efeitos benéficos
Ganha o cliente que acessa juros mais baixos e consegue fôlego financeiro. Ganha o banco, que amplia sua carteira com menor risco. E ganha o ambiente econômico local, que passa a ter mais capital circulando com previsibilidade.
Há também um efeito silencioso: a valorização indireta do imóvel como ativo financeiro. Quando ele passa a ser instrumento de crédito estruturado, seu papel na economia se amplia. Não é mais apenas moradia. É também lastro de liquidez.
O Estado começa a consolidar um ambiente onde crédito, patrimônio e planejamento caminham juntos. E isso, no longo prazo, tende a gerar um efeito em cadeia: mais investimento, mais previsibilidade e mais maturidade econômica.
Folha Vitoria