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Economia

Mais uma chinesa: depois de fechar com GWM, ES abre conversa com grupo Caoa Cherry

Estado já iniciou conversas com Caoa Chery para atrair uma nova fábrica de veículos. Aproximação é para apresentar condições competitivas que o ES oferece


Fábrica da Caoa Cherry em Anápolis, Goiás: início de conversas com o ES. Crédito: Divulgação

O Espírito Santo pode receber mais montadoras estrangeiras e se transformar na porta de entrada de chinesas no Brasil. O Estado já iniciou conversas institucionais com a Caoa Chery para atrair uma nova fábrica ao Estado. O movimento ganhou peso após os copresidentes da empresa no Brasil, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho e Carlos Philippe Luchesi de Oliveira Andrade, confirmarem que o grupo estuda construir uma segunda unidade. A ideia é superar limitações da planta atual, da unidade de Anápolis (GO), e avançar rumo à meta de 200 mil veículos por ano. Hoje a capacidade máxima é de 160 mil. As declarações foram para o jornal Estadão. A aproximação da Caoa Cherry com o Espírito Santo é conduzida pela NOVA. A agência capixaba de captação de negócios já apresentou ao grupo os diferenciais competitivos capixabas.

“Já iniciamos recentemente uma aproximação institucional com a empresa para apresentar as condições e diferenciais competitivos que o Espírito Santo oferece para a atração desse projeto. Seguimos avançando nessa agenda e esperamos compartilhar novas atualizações em breve”, disse o diretor de Negócios da NOVA, Danilo Pescuma.

O ponto mais importante: não é uma conversa isolada. É um movimento coordenado de posicionamento do Espírito Santo como plataforma industrial e logística para montadoras estrangeiras, especialmente chinesas. Ou seja, o Estado deixa de ser apenas corredor de importação e passa a disputar o elo mais valioso da cadeia: a produção.

Na prática, o Espírito Santo começa a reunir os três pilares que definem decisões industriais desse porte: logística eficiente, ambiente de negócios previsível e incentivos fiscais competitivos. O pacote é atrativo. Portos estruturados, avanço de projetos como o Parklog, integração com rodovias e ferrovias e programas de incentivo que reduzem o custo de entrada. É uma equação que poucos estados conseguem oferecer de forma integrada.

Esse movimento não se limita à Caoa Cherry. Representantes da Shineray já estiveram no Estado avaliando oportunidades. A informação foi revelada inicialmente pelo jornalista João Flávio Figueiredo, da coluna Mundo Business, do Folha Vitória.

Sobre a Shineray, Danilo Pescuma disse que o governo capixaba atua diretamente na modelagem de possíveis operações. “Nós procuramos entender as necessidades do projeto e aceleramos a apresentação de soluções”, disse.

O mercado já percebeu que o Espírito Santo se posiciona como hub de entrada e potencial base produtiva para a indústria automotiva asiática no Brasil. E isso acontece em um momento em que as montadoras chinesas buscam internacionalização acelerada, pressionadas por excesso de capacidade doméstica e pela necessidade de ganhar escala global.

Vantagens além dos incentivos

Há também um fator silencioso nessa equação: previsibilidade institucional. Ou seja, enquanto outros estados enfrentam ruídos políticos ou insegurança regulatória, o Espírito Santo oferece estabilidade e execução. Nesse sentido, em projetos industriais de bilhões, isso pesa tanto quanto incentivo fiscal.

O impacto é direto. Ou seja, se esse movimento se consolidar, o Estado passa a capturar empregos industriais, adensamento de cadeia produtiva e aumento de arrecadação. Ganha a economia local, ganha a logística bem como o posicionamento estratégico do Espírito Santo no mapa industrial brasileiro.

Do mesmo modo, é uma pressão gigantesca sobre quem tem a caneta. Ou seja, o cavalo está passando arreado. Cabe ao setor produtivo, bem como ao poder público, se estruturarem para montar. E tem muita coisa em jogo. Nesse sentido, o Espírito Santo pode deixar de ser apenas uma porta de entrada de veículos importados. Se torna um polo de produção automotiva conectado à nova geopolítica da indústria global – com a China no centro dessa transformação.

Folha Vitoria

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