Imagem: Reprodução/Instagram/@karolbenichio
Um vídeo da influenciadora capixaba Karoline Benichio viralizou após ela mostrar uma forma, no mínimo, inusitada de aliviar a enxaqueca: usar um pregador de roupa na sobrancelha.
Na publicação, que já ultrapassou quatro milhões de visualizações e 1.300 comentários, ela mostra como usa a técnica para aliviar as dores crônicas.
Mas será que o uso de pregador na sobrancelha realmente funciona? Segundo o neurologista Arthur Xavier, embora possa gerar alívio em alguns casos, o método está longe de ser considerado um tratamento adequado.
A enxaqueca é um distúrbio neurológico complexo, que envolve a ativação do sistema trigeminovascular e alterações na excitabilidade cortical. Não se trata de uma dor puramente periférica, que possa ser resolvida apenas com pressão externa.
Arthur Xavier, neurologista do Hospital Santa Rita
O especialista explica que a região da sobrancelha é repleta de ramos do nervo trigêmeo, especialmente o nervo supraorbitário.
“A compressão local pode ativar mecanismos de modulação sensorial da dor, semelhantes ao conceito de ‘gate control’. O cérebro passa a competir entre estímulos e isso pode reduzir momentaneamente a percepção dolorosa”, disse.
Entretanto, ele reforça que esse efeito é apenas temporário e não interfere nos mecanismos centrais da enxaqueca.
“Pode até aliviar em alguns pacientes, mas não é um tratamento, nem atua na fisiopatologia da crise”, pontua.
Além disso, Arthur Xavier alerta que o pregador exerce uma pressão não controlada, podendo causar desconforto, lesões cutâneas ou até piorar a dor em alguns casos. “Não é uma prática padronizada nem recomendada como estratégia terapêutica”, complementa.
Segundo o neurologista e professor do Unesc Fabio Fieni, o primeiro passo é obter um diagnóstico correto para diferenciar a enxaqueca de outros tipos de dor de cabeça.
A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, com mecanismos específicos, e, por isso, precisa de tratamento direcionado. O uso indiscriminado de analgésicos comuns pode, inclusive, piorar o quadro ao longo do tempo
Fabio Fieni, neurologista e professor do Unesc
Ele destaca que, durante as crises, podem ser indicados medicamentos específicos, como os triptanos – como o sumatriptano – além de anti-inflamatórios, sempre sob orientação médica.
De acordo com o especialista, também é possível prevenir as dores, especialmente em pacientes com crises frequentes.
“Quando as dores são recorrentes, é fundamental entrar com medicações preventivas e ajustes no estilo de vida. Sono irregular, estresse, jejum prolongado e certos alimentos podem atuar como gatilhos”, afirma.
Dicas para evitar crises de enxaqueca
Alimentação equilibrada;
Atividade física regular.
Fonte: Folha Vitória