Imagem de prostooleh no Freepik
Com a chegada do outono, os casos da infecção respiratória que mais causa internação em bebês menores de dois anos aumentam. A bronquiolite é comum em crianças e a queda de temperatura e o tempo seco facilitam a circulação de vírus que causam a doença.
Com os pequenos mais suscetíveis às infecções nesta época do ano, especialistas explicam como proteger as crianças da bronquiolite e de outras doenças respiratórias.
Segundo a infectologista Marina Malacarne, a bronquiolite é uma infecção viral aguda que acomete os bronquíolos, que são as pequenas vias aéreas dos pulmões.
O principal agente etiológico é o vírus sincicial respiratório (VSR), embora outros vírus respiratórios também possam estar envolvidos.
Marina Malacarne, infectologista do Hospital São José, em Colatina
A especialista explica que em bebês menores de dois anos, há uma maior vulnerabilidade devido a características anatômicas e imunológicas.
“Eles têm vias aéreas mais estreitas, maior produção de secreção e um sistema imune ainda imaturo, o que favorece obstrução das vias aéreas, levando a desconforto respiratório, hipoxemia e, em casos mais graves, insuficiência respiratória”, complementou Marina.
No Espírito Santo, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2026, foram registrados 90 casos, sendo 84 em crianças menores de quatro anos.
Confira o número de casos no Espírito Santo:
Faixa etária202420252026*Menores que 1 ano2.2702.799731-4 anos397541115-9 anos82730410-14 anos19120215-19 anos–02–
6 ações que podem ajudar a proteger as crianças
Existem medidas simples que ajudam a reduzir bastante o risco de infecção, segundo as especialistas. Entre elas estão:
Lavar as mãos com frequência, principalmente antes de pegar no bebê;
Evitar contato com pessoas gripadas ou resfriadas;
Evitar ambientes fechados e com muitas pessoas, especialmente em épocas de maior circulação de vírus;
Não expor o bebê à fumaça de cigarro, que irrita as vias respiratórias;
Manter a vacinação em dia, já que algumas vacinas ajudam a prevenir complicações respiratórias bacterianas;
Manter a hidratação e o aleitamento adequados, pois o aleitamento materno transfere anticorpos para o bebê e a hidratação mantém secreções fluidas e fáceis de serem expelidas.
Sintomas que precisam de atenção
A médica Patrícia Saraiva, coordenadora pediátrica do Hospital Vitória Apart, afirma que o principal sinal de alerta, principalmente para os bebês menores de 6 meses, são recusa na mamada, desconforto respiratório e febre.
“Em bebês bem pequenos, menores de 3 meses, os responsáveis podem observar se o peito afunda para respirar”, acrescentou a médica.
Já em crianças maiores,é preciso estar atento a sintomas de resfriado (coriza, febre baixa) que evoluem para tosse, chiado no peito e dificuldade respiratória após 2 a 5 dias. Os casos graves incluem respiração rápida, esforço para respirar, recusa alimentar e cianose (boca azulada).
Desde o final do ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana gestacional e sem restrição de idade materna. O imunizante também garante proteção ao bebê.
Além disso, em fevereiro deste ano, o sistema público também começou a aplicar do imunizante Nirsevimabe em crianças prematuras e com comorbidades, quando há indicação médica.
De acordo com Patrícia Saraiva, há uma grande expectativa na redução de casos de bronquiolite com a vacinação. “Ainda não é possível ter certeza na prática clínica, mas há uma percepção na redução de casos, principalmente nos casos graves”, explica.
Fonte: Folha Vitória