Prevenível, rastreável e, na maioria dos casos, curável quando diagnosticado precocemente. Ainda assim, o câncer de colo do útero permanece entre os mais frequentes na população feminina.
Tanto no cenário nacional quanto no Espírito Santo, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que este é o terceiro tipo de câncer, excluindo as neoplasias de pele não melanoma, que mais acometerá mulheres até 2028. São esperados 380 casos entre as capixabas por ano.
Em relação aos óbitos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o câncer de colo do útero é uma das principais causas de morte de mulheres no estado. Em 2026, com dados até a primeira quinzena de março, foram notificados 15 óbitos; em 2025, 177 óbitos; e, em 2024, 204 óbitos.
Mas o que faz este cenário ser tão preocupante? Para especialistas, há uma combinação entre falta de tempo, medo, desinformação e até tabu.
De acordo com a ginecologista e obstetra Anna Bimbato, o câncer de colo do útero é um dos poucos tipos que podem ser praticamente eliminados com estratégias bem aplicadas de prevenção.
Por isso, ela explica que éfundamental reforçar a importância da vacinação contra o HPV (Papilomavírus humano), principal causa do tumor, e da realização regular do exame preventivo (papanicolau).
O papanicolau consegue pegar alterações antes de virar câncer. É isso que faz toda a diferença.
Anna Bimbato, ginecologista e obstetra da Bluzz Saúde
No Espírito Santo, o exame preventivo é oferecido de forma gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A recomendação do Ministério da Saúde é que mulheres que já iniciaram a vida sexual — principalmente entre 25 e 59 anos — realizem o rastreio.
“No começo a doença não dá sinal e esse é o momento ideal para tratar. Quando aparece, pode já estar mais avançado, dificultando o tratamento e até a possibilidade de cura”, explica a ginecologista.
O medo e a desinformação podem afastar muitas mulheres
Apesar de essencial, o medo e a desinformação ainda afastam muitas pessoas do exame. “Ainda existe vergonha de falar sobre essa região do corpo, e isso afasta do cuidado”, afirma Anna Bimbato.
Além disso, o exame ainda é visto como algo desconfortável e até mesmo adiável. “As mais novas costumam adiar pela rotina corrida. As mais velhas, às vezes, acham que não precisam mais, o que é um erro”, complementa a médica.
Já no quesito vacinação contra o HPV, o Espírito Santo tem se destacado positivamente. Em 2025, o estado teve a maior cobertura vacinado do país, alcançando a meta de 101,07% no público feminino e de 94,98% no público masculino.
O vírus afeta a pele e as mucosas, sendo a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Há mais de 200 tipos de HPV e alguns deles estão associados a tumores malignos, como o câncer do colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.
A vacina é gratuita e distribuída pelo SUS para:
Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos – dose única;
Pessoas imunodeprimidas (pessoas vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes oncológicos) – 3 doses (0, 2 e 6 meses);
Vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos – 2 doses (0 e 6 meses);
Vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses);
Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos de idade – 3 doses (0, 2 e 6 meses);
Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
Folha Vitória