O mercado imobiliário da Grande Vitória fechou o segundo semestre de 2025 com quase 19 mil unidades em produção e perspectiva de crescimento para 2026. Os dados fazem parte do 46º Censo Imobiliário, divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Sinduscon-ES.
A pesquisa, que reúne informações de 75 construtoras e incorporadoras, mostra que 18.969 unidades estavam em produção entre julho e dezembro do ano passado, considerando empreendimentos desde a fase de lançamento até o acabamento.
O levantamento abrange os municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana — considerados o núcleo urbano com maior integração econômica e social no estado.
Mercado segue ativo
Segundo o censo, o mercado imobiliário da região segue aquecido, com empreendimentos distribuídos entre diferentes padrões, desde habitação popular até imóveis de médio e alto padrão.Vila Velha lidera o número de unidades em produção, com 9.801 imóveis em construção. Em seguida aparecem Serra (4.776) e Vitória (4.455).
Das quase 19 mil unidades, a maior parte é de médio e alto padrão (64,83%), enquanto os empreendimentos econômicos representam cerca de 33%.
Entre os imóveis residenciais, predominam os de dois quartos (10.748 unidades), seguidos pelos de três quartos (3.879) e um quarto (2.948).
No segundo semestre de 2025, foram lançados 31 empreendimentos residenciais e 16 comerciais. Já no mesmo período, foram concluídas 1.513 unidades residenciais e 113 comerciais.
Para o diretor de Economia e Estatística do Sinduscon-ES, Eduardo Borges, o período foi de aquecimento no setor. Ele avalia, no entanto, que o segmento comercial ainda caminha de forma mais lenta. Segundo Borges, empreendimentos comerciais são mais difíceis de vender, o que tem deixado os empresários mais cautelosos. Já os imóveis residenciais seguem com maior demanda.
Ele também destaca o crescimento dos apartamentos menores, como studios (quarto e sala), que vêm ganhando espaço nos últimos anos.
Preço do m² varia por cidade
O estudo também mostra que o preço do metro quadrado varia conforme o município e o tipo de imóvel. De forma geral, Vitória concentra os valores mais altos, seguida por Vila Velha e Serra.
Nos imóveis de alto padrão, o valor pode ultrapassar R$ 22 mil por metro quadrado na capital, enquanto em Vila Velha gira em torno de R$ 18 mil.
Já nas unidades mais populares, como apartamentos de dois quartos, os preços são mais baixos. Na Serra, o valor pode ficar próximo de R$ 6,9 mil por metro quadrado.
Em alguns casos, Vila Velha chega a superar Vitória, especialmente em imóveis de um quarto localizados em áreas valorizadas, como a orla.O município também vem registrando forte valorização e já apresenta média acima de R$ 13 mil por metro quadrado.
Previsão para 2026 indica expansão
Além do censo, o Sinduscon-ES divulgou uma pesquisa de previsão de lançamentos para 2026, que aponta tendência de crescimento no setor. De acordo com o levantamento, 55% das empresas pretendem aumentar o número de lançamentos neste ano.
A estimativa é de 6.664 novas unidades residenciais na Grande Vitória. Vila Velha deve liderar os lançamentos, com 2.540 unidades, seguida por Serra (2.310) e Vitória (1.146).
Também há previsão de novos empreendimentos comerciais, com 370 salas e cerca de 209 lojas, concentradas principalmente em Vila Velha e Vitória.
Perfil dos imóveis
Entre os residenciais previstos, a maior parte será de apartamentos de dois quartos, que somam mais de 4,4 mil unidades. Também há destaque para imóveis de um e três quartos.Os dados mostram ainda que o mercado segue dividido entre habitação popular e outros segmentos, com leve predominância fora dos programas habitacionais.
Entraves ainda preocupam
Apesar da perspectiva de crescimento, o setor ainda enfrenta desafios.Entre os principais entraves apontados pelas empresas estão:
escassez de terrenos, principalmente em Vitória
dificuldade de mão de obra
burocracia e carga tributária
falta de demanda em alguns municípios
Em cidades como Serra, Cariacica, Viana, Guarapari e Fundão, muitas empresas indicaram falta de interesse estratégico ou demanda insuficiente como motivos para não ampliar os lançamentos.
ES HOJE