A nova geração de startups capixabas já não fala apenas em potencial, mas mostra, na prática, o que é preciso para crescer. Empresas que nasceram no Espírito Santo começam a ganhar espaço em mercados internacionais e indicam um caminho claro para outros empreendedores: resolver problemas reais, executar com disciplina e construir modelos de negócio sustentáveis desde o início. Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis — muitas vezes baseados em receita recorrente — passaram a ser requisitos básicos para atrair investidores.
Isabella Calmon, gestora de startups do Sebrae/ES, pontua que o mercado entrou em uma fase de maior maturidade, na qual investidores valorizam menos promessas e mais resultados concretos. Atualmente, o Sebrae/ESreúne 594 negócios inovadores capixabascadastrados na plataforma Sebrae Startups, número que demonstra o crescimento do ecossistema e o fortalecimento da cultura de inovação no estado.
Pablo Oliveira é CEO de uma startup capixaba que desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT), e já avança para hubs globais como Dubai e Bruxelas. Segundo ele, o crescimento da empresa está diretamente ligado à capacidade de transformar tecnologia em solução aplicada. “Enquanto o hype pode gerar visibilidade momentânea, é a capacidade de entregar soluções robustas e gerar valor real que sustenta o crescimento a longo prazo”, afirma revela.
O caminho da empresa de Pablo foi marcado por decisões estratégicas: foco em nichos específicos, desenvolvimento de soluções voltadas a problemas concretos, a participação em programas de aceleração e eventos internacionais ajudou a ampliar a visibilidade da startup e abrir portas para novos mercados. Dados do relatório Venture Pulse, da KPMG, mostram que o volume de investimentos de venture capital caiu até o final de 2023, e a recuperação parcial observada em 2024 ocorreu com foco em empresas com fundamentos mais sólidos.
Essa nova abordagem impactou diretamente o tipo de startup que recebe atenção no mercado, e o reflexo também chegou ao Espírito Santo, onde empreendedores passaram a reavaliar prioridades e adotar uma postura mais estratégica.Pesquisas realizadas com investidoresconvidados para o ESX – Innovation Experience Espírito Santomostram que fatores como potencial de mercado, qualidade do time fundador, tração do negócio e capacidade de crescimento estão entre os principais critérios para decisão de investimento. “Isso mostra que não basta ter uma boa ideia. É preciso demonstrar que existe demanda real, que a solução foi validada e que há um modelo de negócio capaz de crescer”, explica Isabella.
Na prática, startups precisam chegar mais preparadas ao mercado. Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis — muitas vezes baseados em receita recorrente — passaram a ser requisitos básicos para atrair investidores. “No Brasil, 39% das startups operam no modelo SaaS (software por assinatura) e metade delas atua no modelo B2B, vendendo soluções para outras empresas. Esses formatos reforçam justamente a lógica de previsibilidade de receita e escalabilidade”, detalha a gestora.
Ecossistema favorável
Outro exemplo é a empresa fundada por Miguel Carvalho para levar tecnologia para restaurantes. O empreendimento desponta como uma das startups capixabas em destaque no setor de foodservice. O empresário afirma que o desenvolvimento foi impulsionado pelo ambiente de inovação do estado, que reúne editais, hubs e programas de incentivo capazes de impulsionar novos negócios.A conquista de uma rodada Série A — fase de investimento em startups que já passaram da etapa inicial e começam a escalar — com um dos fundos mais bem-sucedidos do país – reflete a evolução desse ecossistema. Carvalho reforça que o crescimento da startup seguiu uma lógica baseada em consistência e geração de valor. “Crescimento a qualquer custo nunca fez sentido. É preciso gerar valor para o cliente e, do ponto de vista financeiro, fechar a conta”, afirma.
O avanço da startup dele se baseou em três pilares: proximidade extrema com o cliente, disciplina na gestão e execução consistente da estratégia. A empresa construiu seu modelo a partir da vivência no dia a dia dos restaurantes, mantendo contato direto com operações para entender as dores reais do setor. “Tecnologia é o que vai permitir resolver a dor que você se propõe, e mercado é você de fato resolver essa dor. Os dois precisam andar juntos”, diz.
O caminho seguido por empresas como as de Pablo e Miguel reflete uma mudança mais ampla no ecossistema de inovação, que passou a exigir mais preparo, consistência e capacidade real de execução das startups. “Isso mostra que não basta ter uma boa ideia. É preciso demonstrar que existe demanda real, que a solução foi validada e que há um modelo de negócio capaz de crescer”, explica Isabella. Na prática, startups precisam chegar mais preparadas ao mercado.
Estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia clara de crescimento e modelos escaláveis — muitas vezes baseados em receita recorrente — passaram a ser requisitos básicos para atrair investidores. “No Brasil, 39% das startups operam no modelo SaaS (software por assinatura) e metade delas atua no modelo B2B, vendendo soluções para outras empresas. Esses formatos reforçam justamente a lógica de previsibilidade de receita e escalabilidade”, afirma a gestora.
A analista de investimentos Bruna Dartora, explica que o mercado passou por uma correção após um período de alta liquidez e maior tolerância ao risco. “Hoje os fundos olham com mais atenção para a geração de valor real, eficiência operacional e capacidade de crescimento sustentável”, afirma.Segundo Bruna, a avaliaçãode uma startup se concentra em pilares bem definidos: qualidade da equipe fundadora, tamanho do mercado, viabilidade do modelo de negócio e estágio de desenvolvimento do produto, além de fatores como diferenciação competitiva e potencial de escala.
Nesse cenário, demonstrar maturidade se tornou decisivo. “Indicadores como receita recorrente, crescimento consistente da base de clientes e eficiência na aquisição de usuários ajudam a mostrar que a startup tem tração. Também pesa na análise a organização interna do negócio, com dados financeiros estruturados, métricas claras e um plano consistente de uso do capital”, salienta.
A especialista também chama atenção para erros comuns que podem afastar investidores, como buscar recursos antes de validar o mercado, apresentar projeções irreais ou não ter informações financeiras organizadas. Por outro lado, startups que demonstram capacidade de adaptação, escutam feedbacks e ajustam sua estratégia ao longo do caminho tendem a amadurecer e se tornar mais atrativas para investimento.
Ainda assim, o cenário segue aberto para novos empreendedores. Startups em estágio inicial continuam tendo espaço — especialmente aquelas que chegam mais preparadas para transformar inovação em resultados concretos.
Experience ESX 2026
Startups de todo o Brasil têm até 5de abril para se inscrever gratuitamente naJornada Startup Experience ESX 2026. A iniciativa promove o desenvolvimento e a conexão entre startups, reunindo capacitações, networking qualificado e acesso ao ESX 2026, uma das maiores plataformas de inovação do país.Até 500 startups serão selecionadas para viver essa jornada e levar seus projetos a um novo patamar. O evento presencial, que em 2025 reuniu mais de 20 mil participantes, chega à sua 6ª edição de 11 a 13 de junho, na Praça do Papa, em Vitória/ES.
Como prepara uma startup: podem se preparar e se destacar no mercado
• Validar o problema antes da solução: Antes de desenvolver tecnologia, é essencial confirmar que existe uma dor real do cliente e que há mercado para a solução.
Manter proximidade constante com o cliente: Entender profundamente o cotidiano, as necessidades e as dificuldades do público atendido ajuda a desenvolver soluções mais relevantes.
Desenvolver tecnologia alinhada ao mercado: Tecnologia e mercado precisam caminhar juntos, garantindo que a inovação realmente resolva um problema concreto.
Construir um modelo de negócio sustentável: Crescimento precisa gerar valor para o cliente e fazer sentido financeiramente, evitando expansão que aumente prejuízos.
Estruturar bem o planejamento do negócio: Ter estudo de mercado, projeções financeiras, estratégia de crescimento e definição clara de público-alvo transmite mais segurança aos investidores e fortalece a visão de longo prazo.
Organizar a gestão financeira e os dados da empresa: Manter métricas claras, controle do caixa e informações estruturadas demonstra disciplina e profissionalismo, aumentando a credibilidade da startup.
Buscar eficiência operacional desde o início: Priorizar iniciativas com retorno mensurável e evitar gastos desnecessários ajuda a fortalecer o negócio.
Demonstrar tração com dados concretos: Indicadores como receita recorrente, crescimento de clientes, retenção e eficiência na aquisição de usuários ajudam a mostrar maturidade do negócio.
Preparar-se antes de buscar investimento: Validar o produto, organizar indicadores e compreender o mercado aumenta significativamente as chances de sucesso na captação de recursos.
Pensar em escalabilidade desde o início: Startups que estruturam soluções capazes de crescer e atender novos mercados tendem a atrair mais atenção de investidores.
Formar um time fundador forte e complementar: A qualidade da equipe é um dos fatores mais observados pelos investidores, especialmente a capacidade de adaptação e execução.
Construir parcerias e participar do ecossistema de inovação: Programas de aceleração, eventos e redes de apoio ajudam a estruturar o negócio e abrir portas para novos mercados e investidores.
Manter abertura para aprender e ajustar a estratégia: Fundadores que escutam feedbacks, aprendem com o mercado e adaptam o negócio demonstram maturidade e aumentam as chances de evolução.
ES HOJE