Foto: reprodução/portal ICTQ
A corrida por tratamentos eficazes contra a obesidade ganhou um novo capítulo com a retatrutida, uma molécula experimental que vem sendo apontada como a mais potente entre as chamadas “canetas emagrecedoras”. Desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, a substância ainda está em fase avançada de estudos clínicos, mas já apresenta resultados superiores aos de medicamentos consagrados como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Os dados mais recentes, provenientes de estudos de fase 3, indicam uma perda média de peso de até 28,7% em cerca de 68 a 69 semanas de uso. O percentual se aproxima dos resultados observados em cirurgias bariátricas, o que explica o entusiasmo em torno da novidade. Apesar disso, especialistas reforçam que o medicamento ainda não foi aprovado por agências reguladoras, como a Anvisa, e não pode ser comercializado legalmente no Brasil.
O QUE É A RETATRUTIDA E POR QUE ELA CHAMA ATENÇÃO
A retatrutida faz parte de uma classe de medicamentos que revolucionou o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 nos últimos anos. Esses fármacos atuam em hormônios relacionados à saciedade e ao metabolismo, reduzindo o apetite e melhorando o controle glicêmico.
O diferencial da nova molécula está no seu mecanismo de ação triplo. Enquanto medicamentos como a semaglutida atuam apenas no GLP-1 e a tirzepatida atua em GLP-1 e GIP, a retatrutida também age sobre o glucagon. Essa combinação potencializa os efeitos no organismo.
Na prática, isso significa três frentes de atuação simultâneas. A primeira é a redução da fome, que leva a uma menor ingestão calórica. A segunda é o controle dos níveis de açúcar no sangue, importante para pacientes com resistência à insulina. A terceira é o aumento do gasto energético, o que contribui para a perda de peso.
Essa ação combinada explica por que os resultados observados superam os das gerações anteriores de medicamentos.
RESULTADOS DOS ESTUDOS E IMPACTOS NO CORPO
Os estudos clínicos mais recentes acompanharam pacientes por aproximadamente um ano e meio. A maioria dos participantes apresentava obesidade grave, com índice de massa corporal acima de 35.
Além da perda média de quase 30% do peso corporal, alguns pacientes atingiram reduções superiores a 35%. Em termos práticos, isso representa perdas de dezenas de quilos, significativamente maiores do que as obtidas com dieta e exercício isoladamente.
Outro ponto relevante foi a melhora de indicadores de saúde. Houve redução de marcadores inflamatórios, queda da pressão arterial e melhora no perfil lipídico, incluindo diminuição de triglicerídeos e colesterol não HDL.
Os estudos também observaram impacto positivo em condições associadas à obesidade. Pacientes com osteoartrite de joelho relataram redução significativa da dor, o que pode estar ligado tanto à perda de peso quanto a possíveis efeitos anti-inflamatórios indiretos.
Apesar dos resultados expressivos, ainda não há dados suficientes sobre a manutenção do peso após a interrupção do uso.
COMPARAÇÃO COM OUTRAS CANETAS DISPONÍVEIS
Atualmente, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro dominam o mercado de tratamento farmacológico da obesidade.
O Ozempic e o Wegovy utilizam a semaglutida, que atua apenas no receptor GLP-1. Já o Mounjaro, baseado na tirzepatida, representa um avanço ao agir em dois hormônios, GLP-1 e GIP, alcançando perdas médias de cerca de 20%.
A retatrutida, por sua vez, amplia esse mecanismo ao incluir o glucagon, sendo classificada como um agonista triplo. Esse avanço farmacológico é o principal motivo para os resultados mais expressivos.
Na prática, isso coloca a nova substância como potencial substituta das terapias atuais no futuro, caso seja aprovada.
EFEITOS COLATERAIS E LIMITAÇÕES
Assim como outros medicamentos da mesma classe, a retatrutida apresenta efeitos colaterais que precisam ser considerados. Os mais comuns incluem náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Em geral, esses sintomas são leves a moderados e tendem a diminuir com o tempo.
Outro ponto de atenção é a dificuldade de ganho de massa muscular durante o tratamento, já que a perda de peso pode incluir redução de massa magra se não houver acompanhamento adequado.
Casos mais graves ainda estão sendo investigados, e a segurança a longo prazo só poderá ser confirmada após a conclusão dos estudos clínicos.
SITUAÇÃO NO BRASIL E ALERTA SANITÁRIO
Apesar da grande repercussão, a retatrutida não está disponível para venda no Brasil nem em outros países de forma regular. O medicamento ainda está em fase final de estudos e só deve ter pedido de aprovação submetido após a conclusão das pesquisas, prevista para o fim de 2026.
Qualquer oferta de venda atualmente é considerada ilegal. Autoridades sanitárias alertam que produtos comercializados como retatrutida na internet ou em mercados paralelos podem ser falsificados ou conter substâncias desconhecidas.
Há registros de internações por complicações graves, incluindo pancreatite, associadas ao uso de produtos adquiridos fora de canais oficiais. Além disso, apreensões recentes indicam um alto volume de falsificações sendo comercializadas.
Os preços praticados no mercado ilegal variam, podendo chegar a valores elevados por caneta, o que reforça o risco de exploração financeira e sanitária.
DÚVIDAS COMUNS SOBRE AS CANETAS EMAGRECEDORAS
Uma das principais dúvidas é sobre quem pode usar esse tipo de medicamento. Em geral, eles são indicados para pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sempre com prescrição médica.
Outra questão frequente é se essas canetas substituem dieta e exercício. A resposta é não. Os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é combinado com mudanças no estilo de vida.
Também há dúvidas sobre o tempo de uso. Esses medicamentos costumam ser utilizados por períodos prolongados, e a interrupção pode levar à recuperação de peso, dependendo do caso.
ALTERNATIVAS SEGURAS E ACESSÍVEIS
Enquanto a retatrutida não chega ao mercado, existem alternativas já aprovadas e com eficácia comprovada. A tirzepatida, por exemplo, já está disponível no Brasil para tratamento da obesidade.
Além disso, a expectativa é de aumento da concorrência nos próximos anos. A chegada de medicamentos similares e genéricos pode reduzir os preços e ampliar o acesso.
No sistema público, há previsão de projetos piloto para incluir medicamentos dessa classe no SUS, o que pode representar um avanço no tratamento da obesidade no país.
Para quem busca opções mais econômicas, mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais. Estratégias como alimentação balanceada, aumento da ingestão de fibras, prática regular de atividade física e controle do sono têm impacto direto no peso e na saúde metabólica.
Receitas simples, como o uso de fibras naturais, incluindo psyllium, e alimentos ricos em proteínas e vegetais, podem ajudar no controle da saciedade. A hidratação adequada também desempenha papel importante no funcionamento do organismo.
O QUE ESPERAR DOS PRÓXIMOS ANOS
A retatrutida representa um possível novo marco no tratamento da obesidade, com potencial para redefinir padrões de eficácia. No entanto, ainda há etapas importantes até sua aprovação e disponibilização ao público.
Até lá, especialistas reforçam a importância de cautela diante de promessas e ofertas irregulares. O avanço científico é real, mas o uso seguro depende do cumprimento de todas as etapas regulatórias.
A expectativa é que, com a conclusão dos estudos e eventual aprovação, o medicamento passe a integrar um novo patamar de tratamento, ampliando as opções para pacientes que enfrentam a obesidade e suas complicações.
Fonte: Folha Vitória