APolícia Civilconcluiu as investigações damorte da menina Alice Rodrigues, de 6 anos, e indiciou14 pessoaspela participação no crime, ocorrido em Balneário de Carapebus, na Serra, em agosto de 2025.
Entre os indiciados está Sergio Raimundo Soares, conhecido como “Serginho Cauê”, apontado como o “novo Marujo”. De acordo com a polícia, ele integra o conselho da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV) e teria papel direto nas decisões relacionadas a execuções na região.
Marujo é o apelido de Fernando Moraes Pereira Pimenta, preso em março de 2024 após quatro anos foragido. Ele era o chefe do tráfico na região do Complexo da Penha, em Vitória, sendo na época identificado como o criminoso mais perigoso do Estado, com envolvimento em diversos homicídios.
Sobre a morte da menina Alice, em Balneário de Carapebus, as investigações apontam que a sequência de ataques no bairro começou com cartas enviadas de um presídio de segurança máxima por Lucas Almeida, mais conhecido como Nakamura, por meio daadvogada Marina de Paulaaos integrantes do grupo que estavam em liberdade.
Ele foi o responsável por encaminhar uma carta, por meio da advogada Marina, dizendo expressamente que eles deveriam ‘explodir’ o bairro Balneário de Carapebus, porque integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) estavam se fortalecendo e poderiam atacar áreas do PCV, dentre eles o que ele comanda que é o ‘Terereco‘”.
Rodrigo Sandi Mori, delegado chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.
A carta chegou atéSergio Cauê, que está foragido no Rio de Janeiro e é considerado um dos mais procurados do Espírito Santo.
“O Serginho Cauê é o nosso alvo principal. Já prendemos os braços direitos dele. Agora ele conta com outro aliado no Rio de Janeiro, conhecido como Bequinha, possivelmente na Rocinha”, afirmou o delegado José Darcy Arruda.
A partir de uma decisão do chamado “conselho” da organização criminosa, Balneário de Carapebus foi alvo de uma série de ataques entre agosto e novembro de 2025.
A menina Alice foi atingida na cabeçadentro do carro da família quandocriminosos armados confundiram o veículo com o de integrantes de uma facção rival. O ataque ocorreu em uma região marcada por disputas entre grupos ligados ao tráfico de drogas.
Segundo o delegadoRodrigo Sandi Mori,como o carro dos alvos e o da família eram da mesma cor, os criminosos imediatamente começaram a atirar.
Eles só pararam quando o pai da criança saiu do carro e suplicou para cessarem o ataque. Alice chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Na época do crime, moradores da região conviviam com tiroteios entre facções criminosas rivais. Por conta da tensão, a polícia realizou operações para prender suspeitos de participação nos ataques.
Folha Vitória