O Plano Diretor Municipal (PDM) de Vila Velha já está na Câmara de Vereadores para votação e o documento que reorganiza a cidade tem potencial para transformar o município. Ou seja, a histórica cidade dormitório pode ser transformar num grande hub de negócios distribuídos por todo o território canela verde. Do mesmo modo, o foco da economia vai do turismo no litoral à logística no interior, passando pela prestação de serviços e comércio.
Se você quiser entender como, basta olhar o mapa do novo PDM. O eixo da ES-388, perto da BR-101, tende a virar um complexo de empresas de logística. A Avenida Darly Santos deve se consolidar como corredor de serviços e escritórios. Já a Orla de Itaparica caminha para concentrar turismo, hotelaria e comércio. Não é previsão de mercado: é o que a prefeitura passa a permitir com a criação das Zonas de Especial Interesse Empresarial (ZEIE) e das Zonas Especiais de Desenvolvimento (ZED).
O PDM basicamente faz o seguinte: diz ao investidor onde vale a pena se instalar. Nessas áreas, as regras urbanísticas ficam mais adequadas para atividade econômica. Em vez de uma empresa enfrentar restrições típicas de bairro residencial, ela passa a saber antecipadamente o que pode construir e operar. Ou seja, para quem decide abrir unidade, centro de distribuição ou clínica, previsibilidade pesa tanto quanto incentivo fiscal.
Na prática, cada parte da cidade ganha uma função. O entorno da BR-101 e da ES-388 fica mais ligado à logística e armazenagem. A Darly Santos tende a virar um polo de serviços regionais. A Rodovia do Sol e a Orla de Itaparica se associam ao turismo e ao comércio. O resultado é uma cidade com vários centros econômicos, não apenas o Centro histórico.
Onde entra o dinheiro no PDM
O PDM também mexe com um velho problema urbano: terreno vazio em área valorizada. O município poderá aplicar instrumentos como edificação obrigatória e IPTU progressivo. Traduzindo: manter área ociosa fica mais caro. Ou seja, o proprietário tende a construir, vender ou fazer parceria. Isso aumenta a oferta de espaços e facilita a chegada de empresas.
Ao mesmo tempo, quando a prefeitura define onde quer atividade econômica, consegue priorizar infraestrutura nesses pontos. Vias, transporte coletivo e serviços urbanos passam a acompanhar o crescimento. Para quem investe, isso significa menos risco operacional e menos surpresa no meio do caminho.
Se funcionar como planejado, Vila Velha deixa de ser vista apenas como cidade dormitório da Grande Vitória. Mais empregos passam a surgir dentro do próprio município e parte dos deslocamentos diários pode diminuir.
O PDM de Vila Velha segue o rito da Câmara de Vereadores. Passará pelas comissões permanentes. Haverá ainda novas audiências públicas antes da votação em plenário.
Folha Vitória