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Comer saudável pode custar 160% a mais em Vitória

A diferença de preço de um mesmo alimento pode ultrapassar 160% entre mercados de Vitória. O dado, apontado em pesquisa do Procon municipal, ajuda a explicar por que muitas famílias têm


Nutricionista Ricardo Freire Para Ricardo, a alta nos valores não torna impossível comer bem, mas exige organização. Pesquisa de preços, compras em períodos promocionais e escolha de alimentos da esta

A diferença de preço de um mesmo alimento pode ultrapassar 160% entre mercados de Vitória. O dado, apontado em pesquisa do Procon municipal, ajuda a explicar por que muitas famílias têm a sensação de que comer saudável é caro. Na prática, especialistas afirmam que o problema não está no conceito de alimentação saudável, mas na falta de planejamento.

A variação significativa atinge itens básicos como arroz, feijão e frutas — justamente a base de uma dieta equilibrada. O acompanhamento mensal da cesta básica em Vitória, feito pelo DIEESE, também registra oscilações frequentes, inclusive em legumes e tubérculos. Já os dados do IBGE mostram que o grupo Alimentação e Bebidas segue entre os que mais impactam o orçamento das famílias no IPCA.

Prateleiras com produtos integrais mais caros, embalagens com promessas de leveza e rótulos “fit” reforçam a percepção de que saúde está associada a produtos sofisticados. Para o nutricionista Ricardo Freire, essa ideia distorce o debate.

“Existe uma percepção de que alimentação saudável está associada a produtos caros, importados ou rotulados como ‘fit’, o que contribui para uma elitização do discurso”, explica.

Segundo ele, a base mais acessível e nutricionalmente eficiente continua sendo arroz, feijão, ovos, legumes da feira e frutas da estação.

O que é, de fato, saudável

De acordo com o especialista, alimentação saudável é construída com alimentos in natura ou minimamente processados, priorizando variedade e equilíbrio. “Não se trata de restrição, mas de composição adequada do prato ao longo do dia”, afirma.

A orientação é simples: metade do prato com vegetais e legumes, um quarto com carboidratos e um quarto com proteínas.

Mesmo assim, o aumento recente nos preços impacta o orçamento. “Houve aumento significativo, especialmente nas proteínas animais, nos laticínios e nos hortifrutis. O preço das carnes e do leite impactou diretamente o orçamento das famílias”, conta. Fatores climáticos também influenciam o valor de frutas e verduras ao longo do ano.

Planejamento reduz o impacto

Para Ricardo, a alta nos valores não torna impossível comer bem, mas exige organização. Pesquisa de preços, compras em períodos promocionais e escolha de alimentos da estação ajudam a reduzir o peso no orçamento sem comprometer a diversidade nutricional.

Ele alerta ainda para o risco de substituir alimentos frescos por ultraprocessados por serem mais baratos ou práticos. “Uma alimentação baseada principalmente em ultraprocessados aumenta o risco de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares”, alerta.

Além do impacto individual, há reflexos coletivos. “O custo social das doenças relacionadas à alimentação inadequada é muito maior do que o investimento em prevenção”.

No fim das contas, comer saudável pode pesar no bolso quando falta planejamento. Mas, segundo o nutricionista, a solução não está no rótulo — e sim na organização da rotina e na composição cotidiana do prato.

Dicas do nutricionista para comer bem sem pesar no bolso

Manter uma alimentação saudável não depende de produtos caros ou rotulados como “fit”. Segundo o nutricionista Ricardo Freire, organização e escolhas estratégicas são os principais aliados do orçamento.

Veja as orientações destacadas por ele:

Priorize alimentos in natura ou minimamente processados

A base da alimentação deve ser composta por arroz, feijão, ovos, frango, peixe, carne, verduras, legumes e frutas. “Não se trata de restrição, mas de composição adequada do prato ao longo do dia.”

Monte o prato de forma equilibrada

Metade do prato deve ser composta por vegetais e legumes, um quarto por carboidratos como arroz, milho, mandioca ou batata, e um quarto por proteínas.

Aposte na combinação tradicional

A união de arroz com feijão continua sendo, segundo ele, uma das opções mais eficientes nutricionalmente e acessíveis para o dia a dia.

Escolha alimentos da estação

Frutas e verduras da época costumam ter melhor custo-benefício. A sazonalidade, afirma, é uma aliada importante para equilibrar preço e valor nutricional.

Faça substituições inteligentes

Trocar carnes mais caras por ovos ou frango pode reduzir custos. A sardinha também é citada como alternativa acessível e rica em nutrientes. Leguminosas como lentilha e grão-de-bico ajudam a variar a alimentação sem elevar tanto o gasto.

Planeje o cardápio mensal

Para uma família de quatro pessoas, ele recomenda priorizar alimentos-base versáteis como arroz, feijão, ovos, frango, leite ou outra fonte de cálcio, tubérculos, verduras e frutas da estação. Organização e reaproveitamento inteligente ajudam a reduzir desperdício e custo.

Evite basear a dieta em ultraprocessados

Segundo o nutricionista, esses produtos costumam ter alto teor de sódio, açúcar e gorduras de baixa qualidade, além de baixo teor de fibras e micronutrientes, aumentando o risco de doenças ao longo do tempo.

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