Empresário caiu em golpe bancário e perdeu R$ 900 mil. Foto: Reprodução/TV Vitória
Um empresário de Cariacica teve um prejuízo de R$ 900 mil após receber uma ligação de apenas 50 segundos. Ele conta que não sabe exatamente como o golpe aconteceu, mas após o telefonema, diversas transferências e pagamentos de boletos foram realizados na conta da empresa sem sua autorização, com valores entre R$ 120 mil e R$ 200 mil.
A vítima, que pediu para não ser identificada, contou à reportagem da TV Vitória/Record que realizou uma transferência e um pagamento e, logo depois, percebeu que o aplicativo bancário havia sido bloqueado.
Em seguida, recebeu uma ligação de uma pessoa que se apresentou como funcionária do banco, informando sobre movimentações suspeitas na conta.
Eu fiz uma transferência, fiz um pagamento. Logo depois dessa hora, eu constatei que meu aplicativo foi bloqueado. Daí a pouco eu recebi uma ligação de uma pessoa dizendo que era do banco, que tinha visto umas alterações fora do comum na minha conta. Eu respondi que não passo informação assim, e que ia ligar para minha gerente. Imediatamente liguei para ela, foi quando ela me informou que eu tinha sofrido um golpe”.
Empresário vítima de golpe bancário
Quase quatro dias após o bloqueio da conta, o empresário conseguiu ir até a agência e acessar o extrato bancário. Foi quando constatou o tamanho do prejuízo: o total desviado chega a R$ 900 mil.
O crime afetou diretamente o orçamento da empresa, que trabalha com projetos e obras de combate e prevenção a incêndios.
O empresário explicou que transferências altas são comuns na conta do negócio, pois são necessárias para a importação de materiais para esses projetos.
Especialista explica tipos de golpes e dá dicas
Especialista em segurança da informação, o professor Vítor Souza, do Departamento de Informática do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explicou que os golpes podem ocorrer de duas formas principais.
A primeira é por meio de invasão de sistemas, prática associada a hackers, que utilizam técnicas para burlar a segurança informatizada.
A segunda é a chamada engenharia social, quando criminosos convencem a vítima de que são funcionários da instituição financeira e solicitam dados pessoais. Com essas informações, conseguem se passar pelo cliente e realizar transações.
Ao receber ligações de números desconhecidos, sempre desconfie. Quando você recebe uma ligação de um número que você não conhece, de uma pessoa que você nunca viu, que não é um contato seu, não passe nenhuma informação. Se ela estiver oferecendo algum produto, tentando resolver algum problema, você fala: ‘Olha, obrigado por me relatar esse problema, eu vou na agência ou eu vou na empresa’.
Vítor Souza, professor da Ufes
Outra recomendação é utilizar senhas fortes, com combinações aleatórias de letras, números e símbolos. Aplicativos gerenciadores de senhas também podem ser utilizados para criar e armazenar códigos mais seguros.
Polícia investiga o caso e banco se pronuncia
A Polícia Civil informou que o caso será investigado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).
Já a instituição bancária responsável pela conta declarou que se tratou de uma ação externa de engenharia social, em que golpistas se passaram por funcionários da empresa e induziram o cliente a realizar as transferências.
Fonte: Folha Vitória