Foto: Reprodução/ TV Vitória
A Polícia Civil descarta totalmente qualquer ligação entre a morte de Dante de Brito Michelini, o Dantinho, e a participação dele no Caso Araceli, crime ocorrido em abril de 1973.
Dantinho e o pai dele, Dante de Barros Michelini, além de um amigo, Paulo Helal, foram investigados por participação no assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, de 8 anos. Eles chegaram a ser condenados, mas acabaram inocentados pela Justiça.
Araceli foi abusada sexualmente, torturada e depois morta. O rosto dela foi desfigurado com ácido e o corpo jogado próximo a um hospital de Vitória. A morte da menina chocou o país e a data se tornou símbolo de luta contra violência infanto-juvenil e deu origem ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.
A hipótese de ligação entre os dois crmes chegou a ser levantada assim que o corpo de Dantinho, que vivia recluso e isolado em Guarapari, foi encontrado no último dia 3 de fevereiro.
No entanto, a hipótese foi abandonada após a confissão de Willian Santos Manzoli, de 29 anos, que assumiu ter matado Dantinho por uma vingança pessoal.
Delegado detalha motivação do crime
A Polícia Civil explicou que Willian cometia furtos na região em que o assassinato foi praticado. Após um desses crimes, ele se escondeu em um imóvel que ficava dentro da propriedade de Dantinho, sem a autorização do idoso.
Ele foi acordado por Dantinho, que o expulsou do local agredindo Willian com um pedaço de madeira.
A partir daí, ao chegar em uma boca de fumo em Guarapari, Willian passou a ser alvo de deboche por traficantes e outros criminosos, que caçoavam dele por ter apanhado de um idoso e pior, um “jack”, palavra usada informalmente para denominar estupradores.
As informações foram passadas pelo chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, que acrescentou que o fato de ter sido agredido por um suposto estuprador deixou o suspeito revoltado.
“Quando ele volta para rua (lembrando que ele é usuário de substâncias), nos lugares onde foi, as pessoas começaram a fazer chacota com ele. A expressão que ele nos fala é ‘você tomou uma surra de um jack’. Ele ficou muito indignado por saber que a pessoa era um estuprador, ele não sabia do caso Araceli, mas aquilo ficou na cabeça dele”,explicou.
No dia 19 de janeiro, Willian voltou ao sítio de Dantinho Michelini invadindo a propriedade após cortar uma cerca do local. Ele entrou na casa, onde encontrou o idoso preparando um pão com manteiga, usando uma faca.
Os dois começaram uma briga e o idoso foi imobilizado. De acordo com Willian, Dantinho ainda estava vivo no momento em que foi decapitado.
Para decapitar o idoso, ele teria imobilizado Dantinho com o joelho nas costas, foi quando passou a degolá-lo.
Confissão e “orgulho” pelo assassinato
Em depoimento à Polícia Civil, na tarde desta terça-feira (10), o suspeito confessou o crime e, na conversa com os investigadores, demonstrou até estar orgulhoso do assassinato.
“Nossos investigadores aplicaram uma técnica de conversa, para deixar o suspeito bem à vontade. A gente percebeu que ele se orgulhava de ter matado um estuprador. Ele é um criminoso, tem diversas passagens. Ele ficou orgulhoso do que fez. É um indivíduo perigoso, ele pensou, planejou, tem um perfil de extrema violência e frio, porque confessa com tranquilidade, até uma certa glória”, afirmou Dutra.
Ainda segundo o delegado, o assassinato serviria ainda para que Willian se redimisse em frente a traficantes de Guarapari por conta da agressão que sofreu de Dantinho.
Cabeça arrancada e jogada na água
Após cometer o crime e arrancar a cabeça de Dante de Brito Michelini, Willian foi a um local de mata com a cabeça dentro de uma sacola.
Ele atirou a cabeça dentro da água, mas ela acabou boiando. Para evitar que boiasse, ele utilizou um arame e uma pedra.
O perito oficial geral da Polícia Científica, Carlos Alberto Dal-cin, acrescentou: “A morte foi causada por decapitação, uma morte violenta por arma branca”, explicou.
Segundo o chefe da DHPP de Guarapari, delegado Franco Malini, o suspeito não deu nenhuma razão pela qual teria levado a cabeça de Dantinho embora, e disse que fez apenas “porque quis”.
Ele afirma que não há nenhuma dúvida de que Willian cometeu o crime, uma vez que deu detalhes que somente o assassino poderia conhecer.
“Ele passou detalhes, por exemplo, como a cerca cortada, que só quem esteve no local poderia saber. Essas informações foram checadas pela investigação e pela perícia. Ele disse que entrou e esperou a vítima aparecer, eles entram em luta corporal, e parte para os demais atos”, contou.
Fonte: Folha Vitória