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Gavião vira aliado de hospital em Vitória no combate aos pombos; saiba como

Batizado de Shiluba, gavião ajuda a controlar a presença de pombos no entorno do hospital há quatro meses

Por Redação em 29/10/2026 às 09:00:13
Gavião Shiluba trabalha no controle da população de pombos no Hucam. Na imagem, quem segura a ave o Gabriel Furtado, médico-veterinário e coordenador do projeto de falcoaria no Hucam. Foto: Divulgação

Gavião Shiluba trabalha no controle da população de pombos no Hucam. Na imagem, quem segura a ave o Gabriel Furtado, médico-veterinário e coordenador do projeto de falcoaria no Hucam. Foto: Divulgação

Um gavião chamado Shiluba ganhou uma missão especial no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória: ajudar a afastar os pombos que circulam pelo entorno da unidade. Há quatro meses, a ave participa de um trabalho de controle ambiental que utiliza a presença de um predador para fazer com que os pombos procurem outros locais para se abrigar.

Shiluba é um gavião-asa-de-telha e realiza voos programados, acompanhado por um profissional especializado em falcoaria. A estratégia não envolve a captura dos pombos, mas o afastamento das aves, que passam a identificar a região como um ambiente menos seguro devido à presença frequente de um predador.

Segundo o biólogo David Salles, responsável pelo controle ambiental do Hucam, a iniciativa começou a ser planejada há cerca de dois a três anos, quando o hospital percebeu um aumento na população de pombos.

A preocupação é especialmente importante em uma unidade de saúde, que recebe pacientes com diferentes condições clínicas, inclusive pessoas com a imunidade comprometida.

A gente tem na área hospitalar uma preocupação adicional. É uma instituição que reúne pacientes em tratamento de saúde e que tem a sua imunidade comprometida já por diversos motivos de saúde. Então os nossos controles sanitários internos e externos são bastante rigorosos e a gente mantém essa visão preventiva de risco.

David Salles, biólogo responsável pelo controle ambiental do Hucam

Como funciona o trabalho do gavião?

Antes de iniciar o trabalho, a equipe realizou um levantamento para identificar a quantidade de pombos, os locais de alimentação, os possíveis abrigos e as principais rotas de deslocamento das aves.

O primeiro censo, realizado há quatro meses, identificou aproximadamente 60 pombos no entorno do hospital.

A partir desse diagnóstico, foi estabelecida uma programação de voos para Shiluba, que é conduzido por um falcoeiro.

As atividades acontecem em horários estratégicos, principalmente no início da manhã, quando os pombos ainda estão próximos dos locais onde costumam se abrigar.

“Ele faz voos guiados com o falcoeiro, com o seu tratador, da empresa. E essa permanência, essa recorrência do gavião, que é um predador, e o pombo, uma presa, essa recorrência afugenta os pombos para um local mais seguro”, explicou David.

O gavião não mora no hospital nem permanece solto nas dependências da unidade. Ele é levado ao local conforme a programação estabelecida pela empresa responsável pelo serviço.

No início, os voos aconteciam diariamente, duas ou até três vezes por dia, mas a frequência passou a ser ajustada de acordo com os resultados observados.

Segundo o biólogo, o hospital ainda realiza um novo levantamento para verificar a quantidade atual de pombos. Embora não exista um número atualizado, a equipe já percebeu uma redução expressiva na presença dessas aves.

O trabalho também é planejado para evitar impactos sobre outras espécies que vivem na área verde do entorno.

O trabalho é de afugentamento, o trabalho é de um voo de apresentação, ele obviamente é um predador e tem instinto de predação, mas ele faz um voo guiado, ele está preso, então não é necessário que ele faça nenhuma captura.

David Salles, biólogo responsável pelo controle ambiental do Hucam

Por que o hospital decidiu usar um gavião?

A utilização da falcoaria foi adotada depois que outras medidas de controle não apresentaram os resultados esperados.

O Hucam já havia tentado alternativas como barreiras físicas, isolamento de áreas e produtos repelentes, mas as características da estrutura hospitalar dificultaram a eficácia dessas soluções.

Diferentemente de hospitais concentrados em um único prédio, o Hucam possui vários anexos, telhados e beirais, distribuídos por uma área extensa e com terreno acidentado. Esses espaços oferecem diferentes possibilidades de abrigo para os pombos, dificultando o controle apenas com intervenções físicas.

“E o que a gente está tendo o melhor resultado é o controle biológico através da falcoaria”, destacou David, ao explicar que a estratégia é utilizada em conjunto com ações de educação ambiental e proteção das estruturas do hospital.

Com a chegada de Shiluba, o hospital deixou de utilizar produtos repelentes para controlar os pombos, segundo o biólogo. As medidas de proteção física e orientação ambiental continuam, já que a falcoaria, isoladamente, não é suficiente para impedir que as aves retornem ao local.

Trabalho é preventivo e busca evitar doenças

Apesar da preocupação com doenças associadas a ambientes contaminados por excrementos de aves, David explicou que a contratação do serviço de falcoaria no Hucam busca antecipar possíveis problemas sanitários diante do aumento observado na população de pombos e das características do ambiente hospitalar.

Entre as doenças que podem estar associadas à exposição a ambientes contaminados por excrementos de aves estão a histoplasmose e a criptococose, causadas por fungos. A salmonelose, provocada por bactérias, também está entre os problemas sanitários mencionados pelo especialista.

Além dos riscos à saúde, o acúmulo de fezes e materiais utilizados na construção de ninhos pode prejudicar telhados, estruturas e equipamentos de climatização.

Os pombos também podem abrigar parasitas externos, conhecidos popularmente como piolhos de pombo, capazes de provocar infestações em determinados ambientes.

População pode ajudar a evitar a proliferação de pombos

O biólogo também chama a atenção para a necessidade de reduzir os locais que possam servir de abrigo, como frestas e aberturas em edificações. No caso do Hucam, essas medidas continuam sendo adotadas em conjunto com os voos do gavião, para tornar o controle mais eficiente e duradouro.

É importante que a população se conscientize para não alimentar esses animais, porque essa oferta excessiva de alimentos é que promove uma superpopulação, que possibilita e viabiliza uma superpopulação.

David Salles, biólogo responsável pelo controle ambiental do Hucam

Para David, o trabalho realizado com Shiluba também ajuda a mostrar que os cuidados sanitários de um hospital não se limitam às áreas internas. O monitoramento da fauna e a prevenção de riscos no entorno da unidade fazem parte das medidas necessárias para proteger pacientes, trabalhadores e visitantes.

Fonte: Folha Vitória

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