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*Artigo escrito por Thiago Molino, CEO da Globalsys
A Black Friday concentra uma das maiores oportunidades de venda do calendário do varejo, mas também coloca à prova a capacidade das empresas de sustentar o crescimento sem comprometer a eficiência operacional.
Atrair consumidores e ampliar o volume de pedidos é apenas parte do desafio. Para transformar a demanda em resultado, é necessário que estoque, faturamento, logística e atendimento funcionem de forma coordenada, com informações confiáveis e capacidade de resposta diante de imprevistos.
Na Black Friday de 2025, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 4,76 bilhões em um único dia, alta de 11,2% em relação ao ano anterior. O número de pedidos chegou a 8,69 milhões, crescimento de 28%, segundo dados da Confi Neotrust.
Os indicadores dimensionam a relevância comercial da data, mas também evidenciam a pressão que grandes volumes de transações podem exercer sobre estruturas operacionais que não estejam preparadas para responder com agilidade.
Quando a demanda aumenta, falhas de integração e processos manuais tendem a ganhar proporções maiores.
Informações divergentes sobre estoques, demora na atualização de pedidos e dificuldades para acompanhar entregas podem gerar retrabalho, elevar custos e comprometer a experiência do consumidor.
O impacto não se limita à operação logística: alcança a rentabilidade das vendas, a percepção de valor da marca e a possibilidade de fidelizar clientes.
Por isso, a preparação para a Black Friday precisa ir além da revisão de campanhas comerciais e da ampliação da capacidade de estoque.
É necessário avaliar se os sistemas que sustentam a operação compartilham informações de maneira consistente e se as equipes conseguem utilizar esses dados para tomar decisões no momento adequado.
O pedido que começa no e-commerce depende de uma sequência de processos envolvendo sistemas de gestão empresarial, centros de distribuição, transportadoras e atendimento.
Quando essas etapas operam com informações fragmentadas, a empresa perde visibilidade sobre a jornada da compra e pode demorar a identificar desvios.
A integração entre plataformas permite conectar esses processos e estabelecer uma visão mais consistente da operação, criando condições para acompanhar indicadores, identificar gargalos e agir antes que determinados problemas afetem o cliente.
Esse é também o ponto de partida para uma aplicação mais efetiva da inteligência artificial.
Embora a tecnologia amplie as possibilidades de previsão e automação, seus resultados dependem da qualidade dos dados disponíveis e da integração com os processos de negócio.
Implementar modelos sofisticados sobre informações inconsistentes ou fluxos desconectados tende a limitar o valor gerado pela iniciativa.
Com uma base tecnológica adequada, ferramentas analíticas e modelos de inteligência artificial podem apoiar a previsão de demanda, a identificação de pedidos com maior risco de atraso e a escolha de alternativas logísticas considerando variáveis como custo, prazo e capacidade de atendimento.
A tecnologia passa, assim, a contribuir não apenas para a análise do que aconteceu, mas também para antecipar cenários e orientar decisões operacionais.
Essa mudança exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças e operações. A escolha de uma transportadora, por exemplo, não deve considerar exclusivamente o menor preço, mas também o histórico de desempenho, as condições da rota e a probabilidade de cumprimento do prazo.
Da mesma forma, decisões sobre estoques e distribuição precisam considerar não apenas o volume esperado de vendas, mas a capacidade de processar os pedidos com eficiência e preservar o nível de serviço.
O objetivo não é automatizar todas as decisões indiscriminadamente, mas utilizar informações confiáveis para melhorar a qualidade das escolhas e reduzir a necessidade de intervenções corretivas.
Em períodos de alta demanda, essa capacidade pode fazer diferença na identificação de riscos, na priorização de recursos e na coordenação das equipes.
Para as empresas, isso significa tratar a integração tecnológica como parte da estratégia de negócio, e não apenas como uma demanda da área de TI.
A preparação envolve revisar processos críticos, avaliar a qualidade dos dados, definir indicadores compartilhados e estabelecer critérios para medir os resultados das iniciativas implementadas.
Também exige identificar quais decisões podem ser aprimoradas com automação e inteligência artificial e quais dependem de revisão dos próprios processos.
A Black Friday é um momento importante para observar a capacidade de resposta do varejo, mas os desafios revelados durante a data não se restringem a um período promocional.
Empresas que dependem de operações complexas precisam desenvolver estruturas capazes de acompanhar as variações da demanda ao longo de todo o ano.
No fim, vender mais e operar melhor são objetivos que precisam caminhar juntos.
A competitividade não está apenas na capacidade de conquistar consumidores, mas em transformar a demanda em uma operação eficiente, com custos sob controle, decisões mais previsíveis e uma experiência consistente. A tecnologia contribui para esse avanço quando está conect
Fonte: Folha Vitoria