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Brasileiro consome 47 kg de frango por ano; veja por que a carne é tão popular

A avicultura abastece o mercado interno e movimenta a economia

Por Redação em 02/10/2026 às 17:00:19

O brasileiro consome, em média, 47 quilos de carne de frango por ano, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O país também está entre os maiores produtores mundiais e ocupa a liderança global nas exportações.

Em 2023, a produção brasileira chegou a cerca de 15,3 milhões de toneladas, consolidando a importância da avicultura para o abastecimento interno e o mercado internacional.

A popularidade da carne está relacionada à versatilidade no preparo, à presença de proteínas e à possibilidade de compor diferentes refeições.

Por que isso importa: com a procura por alimentos proteicos, o frango também ganha espaço entre consumidores que buscam diversificar a alimentação.

Espírito Santo é o 11º maior produtor de frango do país

O Espírito Santo ocupa a 11ª posição entre os maiores produtores de frango do Brasil, segundo a Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

A atividade tem valor bruto de produção superior a R$ 3,7 bilhões e gera cerca de 20 mil empregos diretos no Estado.

A produção envolve diferentes etapas, como fornecimento de insumos, criação das aves, processamento e distribuição. Nesse percurso, fatores como alimentação dos animais, manejo e logística interferem na qualidade da carne e nos custos da atividade.

Versatilidade e preço ajudam a manter o frango no cardápio

A facilidade de variar as receitas é um dos motivos que levam o frango à mesa com frequência.

A empresária Marilda dos Santos conta que a proteína faz parte da rotina de sua família e também das refeições compartilhadas com os funcionários.

Frango é uma proteína muito fácil, versátil e mais em conta, né? E saborosa, que todo mundo gosta. A gente pode mudar, inclusive, a forma de preparo. Tem vários preparos que você pode fazer com frango.

Marilda dos Santos, empresária

Na rotina da empresária, a praticidade também pesa na escolha. “Minha família almoça comigo todo dia, junto com os funcionários, e a gente acaba consumindo bastante frango, pelo motivo que eu te falei: é fácil de fazer, fácil de preparar e você pode mudar a forma de preparo. Então, não enjoa.”

A combinação entre custo e variedade ajuda a explicar por que o alimento aparece em preparações diferentes, de grelhados e assados a ensopados e receitas com molhos.

Procura por proteínas influencia os hábitos alimentares

O interesse por alimentos ricos em proteína também aparece em levantamentos sobre comportamento de consumo.

Em números: uma pesquisa realizada nos Estados Unidos e divulgada pela Cargill apontou que 61% dos consumidores aumentaram o consumo de proteínas, como carnes e ovos.

A proteína é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo. A nutricionista Cristiane Pagotto explica que ela participa da formação e da preservação de tecidos e músculos, além de contribuir para a cicatrização e para a sensação de saciedade.

A proteína é um macronutriente fundamental para a preservação e construção de massa magra, massa muscular, tecidos, pele e órgãos. Participa da cicatrização e traz maior saciedade na alimentação.

Cristiane Pagotto, nutricionista

O frango, especialmente o peito, costuma ser escolhido por apresentar menor teor de gordura em comparação com alguns outros cortes de carne. Isso não significa, porém, que uma única fonte de proteína deva predominar na alimentação.

“Não existe uma proteína melhor. Eu diria que o balanço das proteínas é o mais importante: consumir variados tipos, como carne bovina, suína, frango, peixes, grãos, ovos e laticínios. Essa variedade também traz diferentes nutrientes”, afirma a nutricionista.

A quantidade necessária varia conforme fatores como idade, rotina e condições de saúde. Por isso, aumentar o consumo de proteínas indiscriminadamente não é uma recomendação válida para todas as pessoas.

A orientação é manter uma alimentação equilibrada, combinando diferentes fontes de nutrientes. “É ideal que seu prato seja o mais colorido possível, que tenha uma proteína mais magra, carboidrato, legumes cozidos e saladas cruas. A proteína é importante, mas o consumo deve estar associado a vegetais e grãos, de preferência integrais”, orienta Cristiane.

Alimentação das aves e manejo interferem na qualidade da carne

A qualidade do frango também depende das condições de produção. A alimentação das aves, o manejo e os cuidados durante a criação são alguns dos fatores que influenciam o resultado final.

Elder Marim, superintendente da Kifrango, explica que a composição da ração tem papel importante nesse processo. A empresa, que atua no abastecimento do Espírito Santo e de mercados de estados vizinhos, acompanha essas variáveis para manter o padrão dos produtos.

O milho tem uma grande influência, mas não é só ele. Todos os ingredientes e até o tipo de óleo vegetal utilizado na ração têm influência. São vários pequenos detalhes que, somados, ajudam a conseguir uma boa qualidade.

Elder Marim, superintendente da Kifrango

Além da alimentação, o bem-estar e o manejo das aves também fazem parte dos cuidados necessários durante a produção. Esses fatores estão relacionados às condições de criação e ao resultado obtido no processamento da carne.

Logística e custos desafiam a produção regional

A localização dos fornecedores e o transporte dos insumos influenciam os custos da avicultura. No Espírito Santo, parte das matérias-primas utilizadas na alimentação das aves precisa vir de outras regiões, o que pode encarecer a produção.

Para empresas que atendem principalmente ao mercado regional, a logística também interfere na possibilidade de alcançar novos destinos. Segundo Elder Marim, a exportação é um objetivo da Kifrango, mas a necessidade de transportar os produtos até outros estados para embarque representa um obstáculo.

“Hoje, a logística para exportar é mais complicada. Eu tenho que mandar para São Paulo ou para o Paraná para embarcar. Então, nossos custos são maiores também nesse quesito”, explica.

Mesmo com esses desafios, a atividade passou por uma expansão significativa ao longo das últimas décadas. Marim compara a estrutura atual da empresa com a do início das operações.

“Quando nós começamos, tínhamos 35 funcionários e abatíamos 500 frangos por hora. Hoje, a empresa tem 829 funcionários e abate 10 mil frangos por hora”, relata.

A presença do frango na alimentação brasileira está ligada à praticidade, à versatilidade e à possibilidade de compor refeições variadas.

Para manter essa oferta, a cadeia produtiva precisa conciliar qualidade, custos e logística, enquanto o consumidor deve buscar equilíbrio e diversidade na alimentação.

Fonte: Folha Vitoria

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