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Júri de ex-secretária acusada de envenenar médico em Vitória é dissolvido

A dissolução aconteceu após o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) entender que a ré estava indefesa

Por Redação em 27/10/2026 às 01:00:16
Bruna Garcia Barbosa Marinho presa por suspeita de envenenar médico em Vitória. Foto: Sesp/Divulgação

Bruna Garcia Barbosa Marinho presa por suspeita de envenenar médico em Vitória. Foto: Sesp/Divulgação

O júri popular deBruna Garcia Barbosa Marinho, ex-secretária acusada de envenenar o cardiologista Vitor Murad, de 91 anos, foi dissolvido na noite desta segunda-feira (26), em razão da insuficiência de defesa técnica.

A dissolução do Conselho de Sentença aconteceu após o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) entender que a ré estava indefesa, o que significa que o advogado da acusada não desempenhava um papel adequado, o que deixava Bruna sem defesa técnica, real ou efetiva.

Segundo o promotor Leonardo Augusto de Andrade Cezar dos Santos, o advogado da ré fazia perguntas incompreensíveis ao júri, além de alegações que não estavam nos autos, o que fez o MPES entender que Bruna não era devidamente representada.

Por conta disso, pediu ao juiz do caso que realizasse a dissolução do júri até que a ré consiga um novo defensor.

“Somos promotores de justiça, não de acusação. Um júri sem defesa é uma injustiça, uma covardia. Pedimos que o júri fosse dissolvido até que a ré pudesse encontrar outro advogado”, disse o promotor.

Médico e esposa foram ouvidos

O júri teve início por volta de 9h30 desta segunda-feira e o pedido de dissolução ocorreu às 20h30. Durante o dia foram ouvidos o cardiologista Vitor Murad e sua esposa Edna.

Em seu depoimento, o médico relatou sobre tudo o que sentiu, falou como era a relação dele com Bruna e da liberdade financeira que ela tinha.

Edna também falou sobre a proximidade de Bruna com o casal, que, segundo ela, a considerava uma pessoa da família.

Além do casal, os jurados ouviram o investigador que atuou no caso, que apresentou detalhes técnicos da investigação, como o que foi encontrado na clínica e na casa, e por que a polícia acredita que Bruna seja responsável pelo desvio financeiro e também pelo veneno encontrado na clínica.

A repórter Luciana Leicht, da TV Vitória, acompanhou o julgamento e relatou que durante a sessão, Bruna assistia aos depoimentos de cabeça erguida. A jornalista também pontuou a tensão ao longo do dia durante o júri.

“Júri tenso, marcado por muitos embates entre defesa e Ministério Público. Os ânimos aqui não são os mais amenos entre os júris que eu já acompanhei”, disse Luciana durante entrada ao vivo no Cidade Alerta ES desta segunda-feira (26).

Horas mais tarde, a decisão sobre a dissolução do Conselho de Sentença foi anunciado. O julgamento segue sem uma nova data até que a ré tenha um novo advogado, que pode ser um defensor público ou indicado pelo próprio juiz.

O Folha Vitória tentou contato com o advogado de Bruna. O espaço segue aberto para manifestações.

Envenenamento teria durado mais de um ano

De acordo com a denúncia, Bruna trabalhava como secretária do cardiologista desde 2013 e era responsável pela administração financeira da clínica. A suspeita é de que ela tenha começado a envenenar o médico quando os desvios de dinheiro estavam prestes a ser descobertos.

A vítima passou a apresentar dores intensas no estômago, anemia, fraqueza, agravamento dos sintomas de Parkinson e episódios de vômito com sangue. As complicações de saúde fizeram com que o médico precisasse fechar a clínica, que mantinha há mais de 30 anos.

O caso veio à tona após a descoberta de um frasco de arsênio em um depósito da clínica. Segundo a denúncia, o produto havia sido comprado em nome do marido da acusada. Exames toxicológicos realizados a partir de uma amostra de cabelo do médico apontaram intoxicação prolongada pela substância.

Em entrevista à TV VItória/Record, o promotor de Justiça, Carlos Augusto César afirmou que o fato de a vítima ser médica contribuiu para a descoberta do envenenamento.

“Ele, automaticamente, ao perceber que havia o frasco de arsênio e, por ser médico e conhecer os sintomas, fez a associação, foi até a delegacia e a suspeita foi comprovada”, disse o promotor Carlos Augusto César.

Descoberta ocorreu após investigação sobre desvios

O assistente de acusação e representante da família do médico, Waldyr Loureiro, relatou que a investigação começou com a apuração de suspeitas de desvio de dinheiro na clínica.

“Ele iria a óbito, isso só cessou porque foi descoberto o caso. Toda a alimentação da clínica era a Bruna que servia, o veneno era colocado na comida”, disse Waldyr Loureiro.

Bruna foi presa em outubro de 2025. Conforme as informações do caso, a análise toxicológica apontou sinais de envenenamento por pelo menos 15 meses.

*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record

Fonte: Folha Vitória

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