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Outubro é tradicionalmente o mês dedicado às crianças e uma oportunidade para falar sobre um aspecto da saúde infantil que ainda recebe pouca atenção: o sono. Quando uma criança ronca frequentemente, dorme de boca aberta ou apresenta uma respiração ruim durante a noite, muitos pais consideram esses comportamentos normais.
Entretanto, roncar habitualmente na infância não deve ser encarado simplesmente como uma característica familiar ou uma curiosidade do sono. Em algumas crianças, o ronco pode ser um dos sinais da apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por episódios repetidos de obstrução parcial ou completa das vias aéreas durante o sono.
Essas interrupções podem fragmentar o descanso e alterar a oxigenação, justamente em uma fase da vida em que dormir adequadamente é fundamental para crescimento, desenvolvimento cerebral e aprendizagem.
Quais sinais podem indicar apneia do sono na infância?
A apneia infantil nem sempre se manifesta como imaginamos no adulto. Além de ronco, pausas respiratórias e sono agitado, algumas crianças apresentam respiração pela boca, posições incomuns para dormir, suor excessivo durante a noite e episódios de enurese.
Durante o dia, em vez de simplesmente parecerem sonolentas, podem apresentar irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações de comportamento e queda no desempenho escolar.
Mas como a Odontologia pode ajudar nesses casos?
Durante a infância, maxila e mandíbula estão em crescimento, a língua ocupa grande parte da cavidade oral e as estruturas da face mantêm relação íntima com as vias aéreas superiores. Por isso, determinadas características craniofaciais podem fazer parte do conjunto de fatores associados à dificuldade respiratória durante o sono.
Uma criança com maxila estreita pode apresentar palato mais profundo, mordida cruzada e redução da largura da cavidade nasal. Outras podem apresentar mandíbula pequena ou posicionada mais posteriormente. O cirurgião-dentista e o ortodontista, portanto, encontram-se em posição privilegiada para observar sinais que podem justificar uma investigação do sono.
Isso não significa, porém, que olhar a boca permita diagnosticar apneia. A doença é multifatorial e, na infância, o aumento das amígdalas e adenoides continua sendo uma das causas mais importantes. Obesidade, alterações neuromusculares, síndromes craniofaciais, obstrução nasal e características anatômicas também podem participar do problema. O diagnóstico deve resultar de avaliação clínica adequada e, quando indicada, de exame do sono.
Quando existem alterações craniofaciais específicas, entretanto, a Odontologia pode também participar do tratamento.
Um dos procedimentos mais estudados é a expansão rápida da maxila
Fonte: Folha Vitória