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Você sabe escovar os dentes? Dentista ensina a técnica correta

No Dia Nacional da Saúde Bucal, dentista explica como escovar os dentes, usar fio dental e identificar sinais de problemas

Por Redação em 25/10/2026 às 17:00:10
Imagem de magnific

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Escovar os dentes todos os dias parece uma tarefa simples, mas alguns hábitos podem comprometer a higiene bucal sem que a pessoa perceba. Usar força demais, dedicar pouco tempo à escovação e esquecer a parte interna dos dentes são erros comuns. E mesmo quem termina a rotina com a boca refrescante pode deixar para trás uma parte importante do que precisa ser removido.

O principal objetivo da escovação não é apenas retirar restos de alimentos, mas controlar o biofilme dental, uma camada de microrganismos que se forma continuamente sobre os dentes. Quando esse acúmulo não é removido de maneira adequada, pode contribuir para problemas como cáries e inflamações na gengiva.

No Dia Nacional da Saúde Bucal, celebrado em 25 de outubro, a cirurgiã-dentista Daniela Feu explica como melhorar a higiene diária, quais erros evitar e por que escovar com mais força não significa limpar melhor.

Como escovar os dentes corretamente?

Não existe uma única técnica de escovação ideal para todas as pessoas. A maneira de escovar pode variar conforme a idade, a coordenação motora, a condição da gengiva e a presença de aparelhos ortodônticos ou próteses. Algumas orientações, porém, ajudam a tornar a limpeza mais completa.

Uma delas é posicionar as cerdas da escova em um ângulo próximo de 45 graus em relação à margem da gengiva e realizar movimentos curtos, suaves e controlados. É necessário limpar as superfícies externas e internas dos dentes, além das áreas usadas na mastigação. Na parte interna dos dentes da frente, a escova pode ser posicionada na vertical para facilitar o acesso.

Daniela recomenda estabelecer uma sequência para não deixar nenhuma região de fora.

Mais importante do que decorar o nome de uma técnica é ter uma sequência. Se começamos sempre pelo mesmo local e percorremos sistematicamente toda a boca, diminuímos a chance de esquecer alguma região.

Daniela Feu, cirurgiã-dentista

A dentista chama a atenção para um erro frequente: concentrar a escovação nos dentes mais visíveis e negligenciar os posteriores e as áreas próximas à gengiva.

“É muito comum caprichar nas superfícies mais visíveis dos dentes e dedicar pouca atenção às faces internas, aos dentes posteriores e à região próxima à gengiva”, afirma.

Quanto tempo deve durar a escovação?

A recomendação mais difundida é escovar os dentes durante cerca de dois minutos, pelo menos duas vezes ao dia, com creme dental fluoretado. O tempo, no entanto, precisa ser usado para limpar todas as superfícies, e não apenas para cumprir uma contagem.

Para Daniela, o problema não é apenas escovar por pouco tempo, mas não entender o que precisa ser removido. “Escovar os dentes não serve simplesmente para retirar restos de comida. O principal objetivo é desorganizar o biofilme dental”, explica.

Isso significa que a ausência de resíduos visíveis não garante que os dentes estejam limpos. “Uma boca pode não apresentar nenhum resto de comida visível e ainda assim precisar ser muito bem higienizada”, ressalta.

A orientação é aproveitar os minutos de escovação para percorrer toda a boca, sem pressa. Passar a escova repetidamente nos dentes da frente e deixar de higienizar as faces internas ou a região próxima à gengiva resulta em uma limpeza incompleta, mesmo quando a escovação parece caprichada.

Escovar com força limpa melhor?

Não. Aplicar muita pressão não torna a escovação mais eficiente e pode contribuir para traumatismos na gengiva e desgaste dos dentes, especialmente quando a força é combinada com movimentos inadequados e escovas de cerdas duras.

“Biofilme não é uma sujeira endurecida que precisamos arrancar esfregando. Nosso objetivo é desorganizar sua estrutura regularmente”, explica Daniela. “Por isso, técnica, tempo e acesso às diferentes superfícies são mais importantes do que pressão”.

Para a maioria das pessoas, a recomendação é usar uma escova de cerdas macias, com uma cabeça que permita alcançar todas as regiões da boca. As escovas elétricas também podem ser eficientes quando utilizadas corretamente. Modelos com temporizador ou sensor de pressão podem ajudar quem costuma escovar rápido demais ou aplicar força excessiva.

Ainda assim, a escolha do equipamento não substitui a técnica. A escova precisa alcançar as diferentes superfícies dos dentes, e os movimentos devem ser feitos sem agressividade.

Qual é a quantidade certa de creme dental?

Usar mais creme dental não significa limpar melhor. O importante é associar uma escovação cuidadosa ao uso de um produto com flúor, que ajuda a prevenir a cárie ao atuar nos processos de desmineralização e remineralização dos dentes.

Daniela destaca que a pasta tem uma função diferente daquela desempenhada pela escova e pelo fio dental. “Escova e fio dental são fundamentais para a desorganização mecânica do biofilme. Já o dentifrício acrescenta princípios ativos, principalmente o fluoreto, que desempenha papel fundamental no controle da cárie”, explica.

Por isso, uma quantidade maior de pasta não compensa uma escovação inadequada. Para crianças, a quantidade exige atenção especial porque elas podem engolir o produto. Até os 3 anos, a orientação citada pela American Dental Association (ADA) é usar uma quantidade semelhante a um grão de arroz. A partir dessa idade, a medida recomendada é aproximadamente o tamanho de uma ervilha, sempre com supervisão de um adulto.

Adolescentes e adultos não precisam cobrir toda a cabeça da escova com pasta. Uma quantidade adequada, associada à técnica correta, é suficiente.

Fio dental é indispensável?

Sim. A escova não consegue limpar adequadamente todas as superfícies entre os dentes. Por isso, o fio dental deve fazer parte da higiene diária.

Para utilizá-lo, é preciso introduzi-lo suavemente entre os dentes, contornar a lateral de um deles, formando um “C”, e deslizar pela superfície até próximo à margem da gengiva. Depois, o mesmo movimento deve ser realizado no dente vizinho. O objetivo é limpar as duas superfícies que ficam em contato, e não apenas fazer o fio passar pelo espaço.

A dentista reforça que essa etapa não deve ser tratada como opcional. “Existem superfícies entre os dentes que as cerdas simplesmente não alcançam adequadamente. Se elas nunca são higienizadas, parte desse biofilme permanece organizada todos os dias”, afirma.

A ordem em relação à escovação é menos importante do que utilizar o fio corretamente e com regularidade. Embora existam estudos que apontem possíveis vantagens em usá-lo antes da escova, Daniela destaca que não há evidência suficiente para transformar essa sequência em uma regra rígida para todas as pessoas.

Escovar sem limpar entre os dentes é fazer muito bem uma higiene que ficou incompleta.

Daniela Feu, cirurgiã-dentista

Precisa escovar a língua e usar enxaguante bucal?

A língua também pode acumular células descamadas, resíduos e microrganismos, formando a saburra lingual, que pode contribuir para o mau hálito. A limpeza pode ser feita delicadamente com a própria escova ou com um limpador de língua, em movimentos suaves da parte posterior em direção à ponta.

Já o enxaguante bucal deve ser entendido como um complemento, não como substituto da escovação e do fio dental. A sensação de frescor ou o gosto de menta não garantem que o biofilme aderido aos dentes tenha sido removido.

“Usar enxaguante no lugar da escovação é como passar perfume sem tomar banho. Pode melhorar temporariamente a sensação e o odor, mas não substitui a limpeza”, afirma.

A especialista explica que é preciso ter cuidado ao escolher a escova e ao colocar a quantidade de creme dental para as crianças, especialmente as mais novas.

Sangramento na gengiva é sinal de alerta?

Sangramento frequente durante a escovação pode indicar inflamação da gengiva associada ao acúmulo de biofilme. Quando isso acontece, deixar de higienizar a região pode agravar o problema.

Daniela explica que a reação mais comum nem sempre é a mais adequada. “A pessoa vê sangue e deixa de escovar aquela região. Quando o sangramento está relacionado à gengivite por biofilme, deixar de higienizar favorece ainda mais seu acúmulo”, alerta.

Outros sinais que merecem atenção são:

Gengiva avermelhada ou inchada;

Sensação frequente de dentes ásperos;

O tártaro, ou cálculo dental, também exige cuidado: depois de formado, ele não é removido pela escovação doméstica e pode precisar de limpeza profissional.

A frequência das consultas odontológicas deve ser individualizada conforme o risco de cárie, a saúde da gengiva, o histórico do paciente e outras condições clínicas. Por isso, não existe um intervalo único que seja ideal para todas as pessoas.

Fonte: Folha Vitória

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