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Economia

A mesada que vira aposentadoria

O problema começa quando o trabalho deixa de ser escolha e vira obrigação. Liberdade é poder dizer sim ou não, e patrimônio acumulado é o que compra o direito de escolher


Educação financeira pode deixar a aposentadoria mais segura e planejada. Crédito: Divulgação

Artigo escrito porÉrico Colodeti FilhoCFP®(Certified Financial Planner), especialista em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Especialista em criptomoedas pela Associação Nacional das Corretoras Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord). Professor universitário.

Todo brasileiro sonha com o dia em que poderá acordar sem despertador. Poucos fazem algo concreto para chegar lá. A conta é simples e cruel: vivemos mais, nascem menos crianças, e a base de quem contribui encolhe enquanto cresce o número de quem recebe. O INSS já passou por reforma e a pressão sobre o sistema só aumenta. Além disso, o benefício tem um teto. E quem ganha acima dele sente a queda do padrão de vida logo no primeiro mês de aposentadoria.

O resultado é uma geração inteira caminhando para trabalhar não porque quer, mas porque precisa. E aqui está o ponto central: não há nada de errado em trabalhar depois de se aposentar.

Quem ama o que faz quer continuar ensinando, criando ou empreendendo. E deve continuar. O problema começa quando o trabalho deixa de ser escolha e vira obrigação. Liberdade é poder dizer sim ou não, e patrimônio acumulado é o que compra o direito de escolher.

É aí que entram a previdência privada e, antes dela, a educação financeira. Previdência não é produto para quem tem sobra de dinheiro, é hábito de quem quer chegar inteiro. Começar cedo vale mais do que começar grande: aportes pequenos, mensais e disciplinados trabalham a favor de quem tem paciência, graças aos juros compostos. Quem adia perde o ativo mais valioso desse jogo, que é o tempo.

Enquanto isso, a Alemanha deu um passo que deveria nos fazer pensar. Na última sexta-feira, 16, o Parlamento alemão aprovou, conforme noticiou a Folha de S.Paulo, uma iniciativa para que o próprio governo deposite dinheiro nas contas de aposentadoria das crianças. O Estado vai aportar dez euros mensais, cerca de R$ 57, para cada criança de seis a 18 anos, em uma conta individual investida no mercado financeiro. Do mesmo modo, pais e avós poderão complementar os valores.

A projeção do ministro das Finanças, Lars Klingbeil, é de que o saldo chegue a 53 mil euros aos 65 anos, podendo alcançar 160 mil euros com aportes familiares adicionais de 20 euros por mês. A ideia é ensinar desde cedo que poupar faz parte da vida e, de quebra, aliviar a previdência do país.

Falta falar sobre educação financeira

No Brasil, estamos anos-luz de uma política pública desse tipo. Aqui nem educação financeira estamos ensinando. Falta ao cidadão saber a diferença entre PGBL e VGBL, o peso das taxas, o efeito da tributação regressiva e a importância de diversificar. Falta conversa em casa e falta aula na escola.

Esperar que o Estado brasileiro resolva tudo é a decisão mais arriscada de todas.

Por isso, a mensagem precisa ser dita sem rodeios: comece a contribuir para uma previdência privada o quanto antes, mesmo que o valor pareça pequeno. A aposentadoria que você terá começa a ser construída hoje, com o primeiro aporte e a primeira pergunta. Que o trabalho depois dos 60 seja vontade, nunca falta de alternativa.

Folha Vitoria

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